Por que são as mulheres infiéis? (parte II de II)

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A insatisfação sexual ou a educação podem explicar o adultério, mas há factores que são entendidos através da biologia evolutiva. Como todos os seres vivos, os humanos são produto de uma seleção que actua sobre os genes e escolhe os que contribuem para o sucesso reprodutor.
Aos homens, aparentemente, a infidelidade compensava, pois passavam um maior número de genes à próxima geração. Já a mulher, e durante muitos séculos, beneficiaria de ter um só companheiro, de estatuto social elevado, que garantisse o futuro dos filhos. A sociedade evoluiu, mas o Homo sapiens continua preso a um cérebro concebido para caçar, no caso do homem, e para recolher alimentos e cuidar de bebés, no caso da mulher (daí que eles sejam melhores a ler mapas e elas tenham mais facilidade em comunicar).
As últimas décadas do século passado foram férteis em novidades sobre o papel da biologia na infidelidade. Matt Ridley, autor de Genoma, resume as principais descobertas sobre o assunto em A Rainha de Copas – o sexo e a evolução da natureza humana (editora Gradiva). Ridley recua ao início dos anos 80, altura em que os avanços das técnicas genéticas permitiram vasculhar ao pormenor a vida sexual de algumas aves. Numa delas, o papa-indigo, 40% das aves que um macho criava não eram realmente dele.
Motivados por este escândalo os biólogos descobriram que as fêmeas tinham encontros com machos mais atraentes ou de estatuto social superior ao do parceiro. Também constataram que, na natureza, o tamanho dos testículos variava com o sistema de acasalamento e que eram maiores nas aves monogâmicas que vivem em colónias. A explicação é simples: um macho que possui e controla um harém, embora acasale com várias fêmeas, gasta pouco esperma com cada uma. Mas numa colónia as fêmeas têm acesso a vários machos, pelo que a melhor estratégia do “marido” é “inundar” a fêmea com esperma, de modo a garantir que os seus genes são os que atingem o alvo.
Assim, a infidelidade em casais monogâmicos traz benefícios aos machos, porque aumentam o número de descendentes, e às fêmeas, porque mantêm um parceiro que presta cuidados parentais e asseguram genes de melhor qualidade para os descendentes.
As semelhanças entre a organização social de uma colónia de aves e a de uma cidade levaram os cientistas ca interrogarem-se sobre a infidelidade nas fêmeas humanas. A comparação não é disparatada, pois partilhamos elevado número de genes com outras espécies, mas requer precaução e bases científicas. Nos finais dos anos 80 os biólogos ingleses Mark Bellis e Robin Baker fizeram descobertas extraordinárias sobre a infidelidade das mulheres.
Há aves que não fazem parte da nossa fauna, mas que ocasionalmente visitam o país. É o caso deste casal de gansos-do-Egipto (Alopochen aegyptiacus), que “aterrou” há pouco mais de uma semana no lago do jardim da Gulbenkian, em Lisboa, e cujo olho sombreado faz as delícias das muitas crianças que visitam a Fundação.
Esta espécie, também presente no Parque das Conchas, no Lumiar, é comum a Sul do Saara e no Vale do Nilo, foi introduzida no Reino Unido durante o século XVII, e já colonizou países como a Bélgica e a Alemanha.
A plumagem dos machos é idêntica à das fêmeas.
A iluminação pública nas cidades foi ilibada de provocar o canto nocturno dos pássaros, mas está a alterar as comunidades de insectos.
Um estudo publicado ontem na revista Biology Letters revela que o número de invertebrados predadores e detritívoros (que se alimentam de matéria em decomposição) que vivem na proximidade da iluminação pública está a aumentar. Estes grupos de insectos têm maior mobilidade e olhos mais sensíveis, o que faz com que sejam mais facilmente atraídos para estas áreas.
“A nossa investigação mostra, pela primeira vez, as alterações provocadas pela poluição luminosa em comunidades de invertebrados. Agora precisamos de examinar o impacto que isto tem noutras comunidades e e a maneira de como estará a afectar importantes serviços prestados pelos ecossistemas (ver post: Antropoceno e Rio +20), e se deveremos modificar a forma como iluminamos os espaços públicos”, referiu Tom Davies, da Universidade de Exeter e um dos autores do estudo.
Entre os “serviços” prestados pelos insectos contam-se a polinização e a decomposição de matéria orgânica.
Outros estudos centraram-se no efeito da poluição luminosa nas aves. Em 2007, cientistas da Universidade de Sheffield, Reino Unido, concluíram que os pássaros cantam à noite, não devido à iluminação pública, mas por não terem de competir com o som provocado pelas actividades humanas durante o dia. Os níveis de ruído nas áreas onde as aves cantavam à noite era 10 vezes superior ao das áreas onde não cantavam.
No entanto, em 2010, investigadores do Instituto Max Planck para a Ornitologia, Alemanha, determinaram que a iluminação pública antecipava o canto das aves nas primeiras horas da manhã. Este desgaste provocado em pássaros como o chapim-azul e o pisco-de-peito-ruivo trona-os mais susceptíveis a predadores. Além disso, as luzes influenciam principalmente as aves mais jovens. Os machos jovens que vivem perto de candeeiros duplicam as hipóteses de arranjarem uma segunda companheira. Isto porque as fêmeas interpretam o canto antecipado como sinal de robustez física e, assim, acabam por não escolher os melhores parceiros, colocando em risco a “saúde” da espécie.
(continuação) O vídeo sobre o Antropoceno foi o assunto com maior destaque mediático de todos os apresentados na conferência Planet Under Pressure, em Londres. Uma nova época geológica resultante da actividade humana é um facto que obriga a reflectir sobre a forma como exploramos os recursos do planeta. E se a Comissão Internacional sobre Estratigrafia reconhecer o Antropoceno, teremos mais uma importante ferramenta de sensibilização ambiental, desta feita disseminada nos currículos escolares.
Além da proposta de actualização da época geológica, a conferência de Londres produziu um documento onde apelou: à criação de um Conselho para o Desenvolvimento Sustentável nas Nações Unidas (UN); ao maior financiamento à investigação e à educação, principalmente nos países em desenvolvimento; à reestruturação de instituições nacionais e internacionais de maneira a possibilitar uma efectiva gestão do planeta; ao reconhecimento do valor monetário e não-monetário de bens públicos, como saúde, educação, recursos globais e serviços prestados pela natureza; etc.. O caminho preconizado pelo último apelo parece ser o correcto, principalmente devido à incapacidade decisores políticos e económicos de perceberem o funcionamento dos sistemas naturais. E será um dos únicos capaz de produzir efeitos a curto prazo. Mas não é novidade.
No final de 2010 os representantes dos 193 países reuniram-se para a COP em Nagoya, Japão, pressionados por acontecimentos recentes, como o insucesso da Cimeira do Ambiente realizada em Copenhaga em Janeiro de 2010, o incumprimento das metas traçadas em 2002 na COP-6, e o derrame de petróleo no Golfo do México, com as conhecidas consequências ecológicas, económicas e sociais para todos os envolvidos.
No final da conferência definiu-se uma estratégia assente no valor económico da natureza, o que implicaria cobrar os serviços prestados pelos ecossistemas e envolver as empresas na conservação. O acordo de Nagoya incluiu num plano de acção com 20 itens com vista a preservar a biodiversidade. O plano contempla o aumento dos actuais 12% de área protegida terrestre para 17%, até 2020. Em igual período a superfície das áreas protegidas marinhas deverá crescer de 1% para 10%. As partes também decidiram financiar a protecção da biodiversidade em países em desenvolvimento. Outra novidade foi a garantia de compensação financeira aos países cujos recursos genéticos são explorados por terceiros. Esta reivindicação de um acordo de Acesso e Repartição de Benefícios (ABS) data de 1992 e tem sido inviabilizada por grandes lóbis, como, por exemplo, o da indústria farmacêutica.
À primeira vista a cimeira de Nagoya foi um êxito. No entanto, nenhum dos objectivos que constam do plano de acção é vinculativo. Se olharmos para os resultados da conservação da natureza pré-Nagoya compreendemos que as expectativas para a Rio +20 sejam baixas. Recorde-se que o Ano Internacional da Biodiversidade (2010) começou mal. “As notícias não são boas. Continuamos a perder biodiversidade a um ritmo nunca visto antes na História. As taxas de extinção podem estar até mil vezes acima da taxa histórica”, informou Ahmed Djoglaf, secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD). A declaração de Djoglaf consta do relatório “Perspectiva Mundial sobre a Biodiversidade”, apresentado em Maio de 2010. Este documento avaliou o compromisso de reduzir significativamente as perdas de biodiversidade até 2010, assumido em 2002 pelos 193 estados-membros das UN na sexta Conferência das Partes. “As consequências deste falhanço colectivo, se ele não for rapidamente corrigido, serão severas para todos nós”, avisou Ban Ki-Moon, secretário-geral da UN.
Nada disto é novidade, como foi amplamente noticiado na COP de 1992. O problema é que “muitas economias permanecem cegas quanto ao enorme valor da diversidade de animais, plantas e outras formas de vida e o seu papel na manutenção da saúde e do funcionamento dos ecossistemas”, lamentou Achim Steiner, director-executivo do Programa Ambiental das Nações Unidas. Solução? “É preciso acabar com a invisibilidade do valor económico da natureza”, reiterou o economista Pavan Sukhdev, no seminário “Biodiversidade – um valor com futuro”, organizado pelo grupo Portucel Soporcel, em Lisboa.
Em 2008 Sukhdev recebeu licença sabática do Deutsche Bank para liderar um estudo sobre Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade, encomendado pelos países pertencentes ao G8+5. O resultado foi o projecto TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity), composto por seis relatórios destinados a decisores políticos, empresas e cidadãos, e divulgados de forma faseada entre 2008 e 2010.
O TEEB apela aos Estados para que cumpram a sua obrigação de proteger a biodiversidade enquanto bem comum, e aos cidadãos para que, através das suas escolhas, pressionem governantes e empresas a agirem de forma sustentável. O relatório considera ainda que, regra geral, as empresas agem unicamente em função do lucro, sem se aperceberem de que a sua actividade depende e tem impactos directos e indirectos na biodiversidade, e que as alterações ocorridas nos ecossistemas representam risco, mas também oportunidades para os negócios. Em 2009 um inquérito realizado para o TEEB pela consultora PricewaterhouseCoopers revelou que menos de um em cada cinco directores de empresas considera que a biodiversidade é um factor importante do seu negócio, e que apenas duas das 100 maiores empresas a gerem como risco estratégico. Num artigo publicado no site da BBC, em Outubro de 2010, o jornalista de economia Richard Anderson avisou que as empresas “não só terão de pagar para substituir e proteger os serviços que até aqui a natureza prestava de graça, como também terão custos provenientes de instrumentos legais, como impostos sobre poluição, e do aumento dos prémios de seguros”.
O último dos seis relatórios TEEB, que é uma síntese da iniciativa, foi apresentado no início da COP em Nagoya. A metodologia proposta pelo TEEB inclui três etapas: reconhecer, demonstrar e capturar o valor da biodiversidade. Em Lisboa, Pavan Sukhdev explicou que o reconhecimento do valor faz-se através dos planos regionais e da legislação e que a demonstração do valor passa pela certificação de produtos ecológicos e pela avaliação das áreas protegidas. Neste último caso o TEEB dá um exemplo ocorrido no Uganda, em 1999, quando uma empresa quis drenar o pântano Nakivubo, que liga a capital, Kampala, ao Lago Vitória, e construir um empreendimento imobiliário. As autoridades avaliaram os serviços prestados (purificação das águas residuais provenientes da cidade e fixação de nutrientes) por esta zona húmida entre 0,8 milhões e 1,3 milhões de euros por ano. A drenagem do pântano implicaria um investimento de 1,5 milhões de euros anuais num sistema de tratamento de esgotos. Feitas as contas, o pântano Nakivubo ficou inalterado e foi incluído na Cintura Ecológica da capital.
Para capturar o valor da biodiversidade Pavan Sukhdev considerou dois mecanismos fundamentais – o mercado e pagamento por serviços dos ecossistemas (PES – payment for ecosystem services). Em Lisboa, Sukhedv deu um exemplo de união entre um PES e a certificação, que ocorreu na cidade japonesa de Toyooka, entre 2003 e 2007. As autoridades estavam preocupadas com a degradação da paisagem típica conhecida por “satoyama” (terrenos aráveis junto a sopés de montanhas), que serve de habitat à cegonha-branca. Para inverter a situação decidiram pagar aos agricultores 40.000 ienes (362 euros) por cada 1.000 m2 de área cultivada sem pesticidas e de maneira tradicional. Alguns produtos locais, como o “arroz cegonha-branca”, foram certificados. Resultado? Por ser cultivado sem pesticidas, o arroz alcançou um valor de mercado 23% superior ao que tinha; a cegonha-branca, que ali não se reproduzia desde 1971 e ocupava uma área de apenas 0,7 hectares em 2003, regista agora mais de 40 casais reprodutores e ocupa uma área de 212,3 hectares; o turismo na região aumentou e o rendimento do município subiu 1,4%. Actualmente o aumento dos rendimentos dos agricultores permitiu reduzir o pagamento por parte do município para 63,42 euros por cada 1.000 m2 de área cultivada.
O TEEB apresentou mais de 70 casos de sucesso na valorização e protecção da biodiversidade ao nível do poder local, mas o estado do planeta requer uma estratégia global, e vinculativa, algo que dificilmente resultará da Rio +20.
“Movemos anualmente mais rochas e sedimentos do que todos os fenómenos naturais, como os rios e a erosão”, ouve-se no vídeo “Bem-vindo ao Antropoceno” (em baixo), que retrata em apenas 3 minutos a nossa história ao longo dos últimos 250 anos. O vídeo foi apresentado na conferência Planet Under Pressure 2012, realizada em Março, em Londres. Paul Crutzen, Nobel da Química que cunhou o termo Antropoceno em 2002, defende que a Terra entrou numa nova era geológica devido às profundas alterações provocadas pelos humanos. Jan Zalasiewicz e Mark Williams, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, são uns dos maiores apologistas desta ideia, defendendo-a regularmente em revistas da especialidade. Para já, continuamos no Holoceno, época do período Quaternário que começou há 11,5 mil anos.
http://www.youtube.com/watch?v=fvgG-pxlobk
A Planet Under Pressure foi uma espécie de aquecimento para a Conferência das Partes das Nações Unidas (COP) Rio +20, que se realizará em Junho no Rio de Janeiro, 20 anos depois daquela que ficou conhecida como a Cimeira da Terra.
O que esperar da Rio +20? Uma sondagem realizada em Abril pela The Regeneration Project revela que apenas 13% dos especialistas em sustentabilidade acreditam que a Cimeira terá sucesso. As COP têm habitualmente de lidar com a má vontade dos Estados Unidos e da China, mas este ano até a Europa parece indisponível para conservar o planeta: o Parlamento Europeu estará ausente, devido ao preço das estadias, e a Comissão Europeia enviará apenas seis membros, que terão de “ter cuidado com os gastos”. O aviso, feito no início de Maio, surgiu dois meses depois de Bráulio Dias, novo presidente da COP, relembrar que salvar a biodiversidade custará 300 mil milhões de dólares por ano, durante os próximos 8 anos. O valor é 10 vezes superior ao investimento actual e inclui a gestão sustentável da agricultura, florestas, e ecossistemas marinhos e de água doce. O custo de fazer nada ascenderia a um valor entre 2 triliões de dólares e 4,5 triliões de dólares. (CONTINUA)
Frequente em lagoas, ribeiras e parques, a galinha-d’água (Gallinula chloropus) é fácil de identificar através da cor de fuligem, bico vermelho e amarelo, e das linhas brancas nos flancos.
Os juvenis têm corpo e bico acastanhado.
O comportamento em terra lembra o de uma galinha. Mede 33 centímetros.
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