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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

24
Ago12

A diferença está no bico

Arca de Darwin
Ao longe parece uma garça-branca, mas rapidamente a inconfundível forma do bico desfaz qualquer dúvida. É a esta parte do corpo que deve o nome de colhereiro (Platalea leucorodia), pois, dizem, assemelha-se a uma colher, ainda que me pareça mais uma espátula.

Em voo distingue-se facilmente das garças por ter o pescoço estendido.

 

É com o bico comprido e espalmado que varre as águas pouco profundas de estuários e lagoas, em busca de alimento: insectos, moluscos, crustáceos, anfíbios e peixes. Tem 88 centímetros de comprimento e 130 centímetros de envergadura.

 

No virar do século XX voltou a nidificar em Portugal e actualmente fá-lo a sul do rio Tejo. O mesmo aconteceu no Reino Unido, onde a caça e a drenagem de zonas húmidas levaram à sua extinção enquanto nidificante nos últimos 300 anos, até que, em 1995, voltou a construir ninhos.

 

Por cá tem o estatuto de Vulnerável (VU), por ter uma população entre 50 e 250 indivíduos maturos. No final do Verão torna-se mais fácil observá-la com a chegada de cerca de 1.000 migradores invernantes.

 

A nível global a UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) atribui-lhe estatuto Pouco Preocupante (LC).
22
Ago12

De onde veio o camaleão algarvio?

Arca de Darwin
Se está no Algarve, entre Lagos e Vila Real de Santo António, esteja atento às vedações à beira de pinhais, dunas e pomares, pois muitas vezes estas servem de caminho para o camaleão (Chamaeleo chamaeleon), réptil insectívoro e arborícola, passar de uma árvore para outra. Estes animais, cujos olhos movem-se de forma independente um do outro, são famosos pela sua capacidade de mudar de cor consoante o meio em que se encontram, o que dificulta a sua detecção – a cor também depende do estado emotivo, da idade e do sexo dos indivíduos.

Durante muito tempo pensou-se que a espécie chegara a Portugal por volta de 1920.  “Esta enorme colónia de camaleões descende, segundo informações dignas do melhor crédito, de exemplares trazidos do Sul da Espanha e de Marrocos, há cerca de 25 anos, por operários algarvios que periodicamente iam trabalhar nas fábricas instaladas naquelas regiões”, escreveu António Themido, em 1945 (in Memórias e Estudos do Museu Zoológico da Universidade de Coimbra). No entanto, um estudo do ADN desta espécie realizado em 2002, que mostra que a população portuguesa é originária da costa atlântica de Marrocos, sugere que a colonização do Algarve terá ocorrido antes de 1920.

 

O camaleão tem estatuto de conservação Pouco Preocupante (LC – least concern), segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2006). A bióloga Patrícia Brás, na sua tese de mestrado (2011), recomenda que o estatuto passe para Vulnerável (VU – vulnerable).

As diferentes categorias, que medem o risco de extinção de uma dada população, são:-         Extinto (EX)-         Extinto na natureza (EW)-         Regionalmente extinto (RE)-         Criticamente em Perigo (CR)-         Em perigo (EN)-         Vulnerável (VU)-         Quase ameaçado (NT)-         Pouco preocupante (LC)As espécies ameaçadas são as que estão nas categorias CR, EN e VU.
19
Ago12

A ave anteriormente conhecida por gaivota-argêntea

Arca de Darwin
A Larus michahellis é a gaivota mais abundante na costa portuguesa, e é fácil de observar em qualquer praia, arriba ou porto de pesca. Esta espécie omnívora está muito bem adaptada à presença humana, alimentando-se em lixeiras e dos restos da actividade pesqueira.

 

Um estudo realizado em Trébéron, França, mostrou que a proporção do lixo produzido pelos humanos na dieta desta espécie variava entre 61% e 85%.

O crescimento da população desta ave no arquipélago das Berlengas teve efeitos desastrosos na vegetação: os seus excrementos “queimam” as plantas e alteram a composição do solo. Quem já teve a infelicidade de ter a roupa atingida por dejectos de gaivota, e não a lavou de imediato, sabe quão corrosivo eles são.

 

A Larus michahellis mede cerca de 60 centímetros e tem mais de 120 centímetros de envergadura. As asas são cinzentas e o bico é amarelo com uma mancha vermelha. Os olhos também são amarelos, com um círculo vermelho à volta. As patas são amarelas (rosadas nos juvenis) e a cauda é preta.

 

A classificação taxonómica desta espécie foi alterada. Antes o nome científico era Larus argentatus e o nome comum era gaivota-argêntea. Actualmente considera-se que a michahellis é uma espécie distinta da argentatus, e não uma subespécie. Assim, e para distingui-la da argentatus – que também é conhecida por gaivota-argêntea, mas possui patas rosadas – passou a chamar-se gaivota-de-patas-amarelas.[nggallery id=18]
17
Ago12

A canibal

Arca de Darwin
O louva-a-deus (Mantis religiosa) é um predador voraz de várias espécies de insectos que captura de emboscada, prendendo-os com as fortes patas anteriores transformadas em garras (e que lembram a pose de alguém a rezar, facto que está na origem do seu nome). A refeição começa pela cabeça. No caso das fêmeas de louva-a-deus, este hábito alimentar e decapitador ocorre também durante a cópula.

“Durante”, porque perder a cabeça não limita a performance sexual do macho. Pelo contrário. “Como a cabeça do insecto é sede de alguns centros nervosos inibitórios, é possível que a fêmea melhore o desempenho sexual do macho ao comer-lhe a cabeça. Se assim for, este é um ganho secundário. O benefício primário é que ela obtém uma boa refeição”, lê-se em O gene egoísta, de Richard Dawkins. Mas que genes são estes que transformam o pobre macho em “boa refeição”? Ao que parece, são os que o levam a investir – e muito! – na descendência. Segundo Dawkins: “(Os machos) são usados como comida para ajudar a produzir os ovos que depois serão fertilizados, postumamente, pelos seus próprios espermatozóides armazenados”.

Note-se que cada fêmea põe até 400 ovos, o que implica que os genes do macho perduram em muitos louvadeuzinhos. Além disso, a sua ingestão pela fêmea não é certa, não só porque ele ter muito cuidado durante a cópula, mas também porque este comportamento de canibalismo ser mais comum em animais criados em cativeiro, ainda que também ocorra na natureza.

O louva-a-deus mede 5 a 7,5 centímetros e tem o corpo verde ou castanho.