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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

31
Jan13

Felosinha

Arca de Darwin
De certeza que já a viu. O Inverno é ideal para observá-la em qualquer jardim, parque ou baldio, pois é nesta altura que é mais abundante. Mais pequena e bem mais irrequieta do que o pardal, a felosa-comum (Phylloscopus collybita), ou felosinha, mede 11 centímetros de comprimento e distingue-se das outras felosas pelo tom cinzento acastanhado da plumagem, pernas escuras e lista supraciliar (por cima do olho) pouco distinta.

30
Jan13

Vespa asiática ameaça apicultura nacional

Arca de Darwin
A Protecção Civil de Viana do Castelo apela à identificação e destruição de ninhos de vespa-asiática (Vespa velutina), espécie exótica que ataca colmeias e que é mais agressiva do que a vespa nacional (Vesca crabro).

Ninho de vespa-asiática. Foto: Fredciel

“A Vespa-asiática foi introduzida na Europa através de um transporte de hortícolas vindos da China, desembarcado no porto de Bordéus no ano de 2004. De então para cá, a Vespa velutina já conquistou 1/3 do território francês e colonizou o norte da Península Ibérica em 2010”, lê-se em “A Vespa velutina em Portugal Continental e a apicultura nacional”. Em Setembro de 2011 chegou a Viana do Castelo e, nas últimas semanas, detectaram-se 38 ninhos.

Como distinguir as duas espécies? O ninho da asiática situa-se em árvores, tem uma entrada lateral e mede até 1 metro de altura e 0,8 metros de largura. A Vespa crabro utiliza fendas em árvores ou em estruturas de edifícios para construir o ninho, o qual possui uma entrada na parte inferior.O abdómen da velutina é mais escuro do que o da crabro, o tórax é preto e as extremidades das patas são amarelas (e não escuras).Vespa-asiática (foto: BlueGinkgo), à esquerda, e vespa-europeia (foto: Niek Willems)
30
Jan13

As ondas gigantes da Nazaré

Arca de Darwin
O Canhão da Nazaré é uma espécie de Grand Canyon, mas está debaixo de água, é de origem tectónica (o desfiladeiro norte-americano resulta da acção do rio Colorado) e mede “apenas” 211 km de comprimento (contra 446 km do Grand Canyon). E, ainda que indirectamente, está nas bocas do mundo, pois terá proporcionado mais um record do mundo ao havaiano Garrett McNamara: o de surfar uma onda de 30 metros.As ondas cavalgadas ontem por vários surfistas – entre os quais contava-se o português António Silva – atingem tamanha proporção por viajarem com maior velocidade ao longo do canhão e chegarem à costa sem significativa perda de energia.

Canhão da Nazaré. Foto: NASA

O Canhão também é responsável pela ascensão de nutrientes e plâncton às camadas superficiais do oceano, o que contribui para a abundância de peixes naquela região. Como não há bela sem se senão, os parcos areais a sul da Nazaré também resultam da dinâmica deste vale submarino.
29
Jan13

Orvalho

Arca de Darwin
“(...) Vivo a natureza integrado nela. De tal modo que chego a sentir-me, em certas ocasiões, pedra, orvalho, flor ou nevoeiro. Nenhum outro espectáculo me dá semelhante plenitude e cria no meu espírito um sentido tão acabado do perfeito e do eterno (...)”

Miguel Torga in “Diário” (1942)

Azedas. Alcochete.

28
Jan13

Terminou o concurso Blogs do Ano 2012

Arca de Darwin

Informo, com grande satisfação, que a Arca de Darwin ficou em terceiro lugar na categoria “Ciência” e em quarto lugar na categoria “Natureza/Animais/Ambiente”, no concurso Blogs do Ano 2012.

Muito obrigado a todos os que votaram na Arca!

Parabéns aos mais de 800 blogs a concurso e, claro, aos vencedores de cada categoria – com especial destaque para o AstroPT (1º lugar na categoria “Ciência”) e para o Ilhas Selvagens (1º lugar na categoria “Natureza/Animais/Ambiente”).

Um muito obrigado ao blog Aventar por organizar – pela segunda vez – este concurso, iniciativa louvável que tem como objectivo “promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa e de língua portuguesa, demonstrando a sua diversidade”. E há muitos blogs que valem bem uma visita, como o arkitectos (categoria “Arquitectura”); o Machina Speculatrix e o De Rerum Natura (categoria “Ciência”); o Dias com Árvores (Categoria “Botânica, Horticultura e Jardinagem”); o Heavenly (categoria “Fotografia e Fotoblogs”); e, last but not least, o Bio-Terra-Mar, blog do Agrupamento de Escolas de Arrifana – que felicito pelo 3º lugar na categoria “Natureza/Animais/Ambiente”, à frente da Arca, naquela que foi uma disputa bastante animada ;). No Aventar encontra links para os 5 finalistas de cada categoria.

Até para o ano, se o Aventar quiser!

24
Jan13

O ADN é um lugar estranho

Arca de Darwin
Depois do frenesim, o desmentido: “Não sou um Dr. Moreau!”, afirmou George Church, geneticista impulsionador do projecto Genoma Humano e professor da Harvard Medical School, esclarecendo que não procura uma “mulher humana aventureira” para dar à luz um bebé neandertal, aludindo ao personagem da obra A ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells.

Imagem: Randii Oliver/NASA

Segundo Church, a notícia que correu mundo na última semana – de que estaria prestes a reconstruir o ADN (ácido desoxirribonucleico) da espécie Homo neanderthalensis, introduzi-lo em células tronco, e finalmente injectá-las num embrião humano – é fruto de um erro de tradução por parte de um jornalista da revista alemã Der Spiegel. O geneticista apenas disse que tal processo será possível no futuro, e que deveria-se discuti-lo. E é provável que tenha razão, a julgar pelas fortes reacções que espoletou.Na última semana o ADN protagonizou outra notícia. Desta feita trata-se da existência de hélices quádruplas no genoma humano. (Primeiro dizem-nos que Plutão não é um planeta, e agora, 60 anos após a revelação da dupla hélice por Watson e Crick, abalam o nosso conhecimento com a descoberta de que, afinal, há regiões dos cromossomas com 4 hélices de ADN.)

Imagem: Jean-Paul Rodriguez e Giulia Biffi

A descoberta publicada na Nature Chemistry por cientistas da Universidade de Cambridge terá implicações na luta contra o cancro. Isto porque há uma maior concentração destas estruturas em células que se multiplicam rapidamente, como acontece com as células cancerígenas. Se os investigadores conseguirem “aprisionar” estas hélices quádruplas impedirão a divisão celular e o consequente crescimento do cancro.
23
Jan13

Os biocombustíveis de síntese e a prevenção dos fogos florestais em Portugal (post convidado)

Arca de Darwin
Texto: Jorge Lucas, assessor técnico da Associação Portuguesa de Transporte e Trabalho Aéreo (APTTA)O processo de produção de biocombustíveis de síntese (BTL – Biomass To Liquid) permite converter qualquer tipo de biomassa em combustíveis líquidos com características idênticas aos combustíveis obtidos a partir do petróleo. Biomassa (resíduo florestal) é matéria-prima abundante nas matas e florestas nacionais. Atualmente já não há necessidade de proceder à recolha de lenha para aquecimento e preparação de refeições; a pastorícia é cada vez mais concentrada e “aditivada”, percorrendo áreas de território cada vez menores. Como resultado a floresta acumula combustível até… à próxima época de fogos florestais.

Algarve (incêndio de 2005). Foto: Osvaldo Gago

Segundo o manifesto “Outra vez os incêndios florestais” publicado no semanário Expresso do passado dia 10 de Novembro, subscrito por 21 personalidades, “o custo anual dos incêndios ascende a mil milhões de euros. As melhorias no sistema de combate a incêndios são consensualmente reconhecidas, mas falta resolver as causas profundas e estruturais que estão na origem das dificuldades da floresta portuguesa.”

Os combustíveis de síntese como alternativa aos combustíveis líquidos de origem fóssil têm já uma longa história. Tudo começou na Alemanha na década de 1920 com a conversão de carvão mineral em combustíveis líquidos (CTL – Coal-To-Liquid). Por ser um país pobre em petróleo, mas rico em reservas de carvão, a Alemanha utilizou esta tecnologia para produzir combustíveis líquidos durante a 2ª Guerra Mundial.Posteriormente, a partir da década de 1950, a tecnologia CTL registou grandes desenvolvimentos na Africa do Sul através da empresa Sasol. Novamente um país rico em reservas de carvão mineral e com fortes restrições à importação de combustíveis líquidos face ao embargo comercial imposto contra o Apartheid. Atualmente o país com maiores investimentos nesta tecnologia é a China: o maior produtor mundial de carvão mineral e o segundo maior consumidor mundial de combustíveis líquidos.Muito basicamente, os combustíveis de síntese são obtidos a partir da gaseificação da matéria-prima (carvão mineral no caso do CTL), seguido da limpeza e acerto da mistura do syngas (CO, H2) e posterior síntese num reator Fischer-Tropsch.No caso dos combustíveis sintéticos obtidos a partir do carvão mineral, a grande desvantagem está relacionada com as emissões associadas, em especial as emissões de CO2. Uma vez que o carvão é um combustível pobre em átomos de hidrogénio, é necessário trocar parte do CO obtido na gaseificação por moléculas de H2 extraídas da água através do processo químico water-gas shift. Só no processo de produção de um combustível sintético a partir do carvão mineral é emitida a mesma quantidade de CO2 que é emitida na combustão do produto final. Portanto, considerando só as emissões de CO2, trata-se de um processo com o dobro do impacto dos produtos derivados do petróleo. Acrescem outras emissões com impacto mais local na zona circundante da instalação CTL como a fuligem e os óxidos de enxofre (que originam chuvas ácidas).

Foto: U. S. Air Force

Mais recentemente foi desenvolvida a tecnologia GTL – Gas-To-Liquid tendo como matéria-prima o gás natural. A primeira instalação de grande dimensão, desenvolvida em conjunto pelas petrolíferas Shell e Qatar Petroleum, começou a operar em Pearl, no Qatar em Junho de 2011. Uma segunda instalação de grande dimensão está em construção na Nigéria numa parceria entre a Chevron, a Sasol e a petrolífera local.Entre 2008 e 2010 foram realizados vários voos experimentais utilizando como combustível misturas de jet-fuel sintético GTL com jet-fuel convencional. Em 2011, a mistura 50/50 de jet-fuel sintético com jet-fuel convencional obteve a certificação ASTM D7566 (Aviation Turbine Fuel Containing Synthesized Hydrocarbons).No que toca às emissões de CO2 do GTL são da mesma ordem de grandeza do jet-fuel convencional. O gás natural é basicamente constituído por metano, uma molécula contendo 4 átomos de Hidrogénio e 1 de Carbono, logo muito mais balanceada em termos dos produtos presentes no syngas. As emissões de outros poluentes são também praticamente nulas (fuligem e óxidos de enxofre).De salientar que quer o Qatar quer a Nigéria são países com grandes reservas de gás natural (possuem a 3ª e a 8ª maiores reservas mundiais respetivamente), mas menores reservas de petróleo. O GTL permite a estes países converter um combustível menos versátil num combustível com maior gama de utilizações incluindo, claro está, o setor do transporte aéreo onde não há, no curto/médio prazo, alternativa à utilização de um combustível líquido.Como primeira conclusão, podemos afirmar que existe uma notória correlação entre os países impulsionadores destas tecnologias e o respetivo volume das reservas de carvão e gás natural.Portugal não tem até ao momento reservas conhecidas quer de carvão mineral quer de gás natural. Tem no entanto muita biomassa. Ao que parece, em excesso! Veja-se a quantidade de combustível em excesso existente nas matas portuguesas que todos os anos alimentam os fogos florestais. São toneladas de CO2 emitidas todos os anos para a atmosfera sem que realizem qualquer trabalho útil.Para além da biomassa, Portugal dispõe de conhecimentos nas várias áreas do BTL. O LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia desenvolve há já vários anos trabalhos na área da gasificação e limpeza do syngas. A SGC Energia tem também experiência em todo o processo, desde a gasificação à síntese Fischer-Tropsch.Portugal tem também já experiência na valorização energética quer de resíduos florestais quer de resíduos urbanos. Por exemplo, em Setúbal, o grupo Portucel/Soporcel opera uma central termoelétrica com a biomassa resultante do descasque das árvores. Em Santa Iria da Azoia, a Valorsul produz energia elétrica a partir de resíduos urbanos. Não seria mais razoável estar a produzir biocombustíveis a partir destas mesmas biomassas?Há quem defenda que o futuro energético da humanidade tenderá a ser cada vez mais elétrico, em especial quando o Homem conseguir dominar a energia nuclear de fusão. Poder-se-á converter a grande generalidade dos consumos atuais para eletricidade. Mas muito dificilmente se conseguirá a mesma alternativa para o transporte aéreo…Como tal, estar a converter biomassa diretamente em eletricidade reduz toda a energia química das moléculas da biomassa a eletrões. Estes nunca mais poderão voltar a ser convertidos em energia química[i]. Por outro lado, se convertermos a mesma biomassa num combustível líquido, mantemos a possibilidade de vir a converter este combustível líquido em eletricidade através por exemplo da sua combustão num motor alternativo acoplado a um gerador elétrico. Face à eletricidade, o combustível líquido apresenta também mais facilidade em ser armazenado e transportado. Existe portanto uma “hierarquia” entre as várias formas de energia.Estão em curso várias iniciativas que pretendem estimular o desenvolvimento dos biocombustíveis para a aviação. Destacamos entre os vários programas, o European Advanced Biofuels Flighpath e o SABB – Sustainable Aviation Biofuels Brazil. O primeiro, cujo objetivo principal é o de atingir a “produção anual de 2 milhões de toneladas de biocombustível produzido de forma sustentável em 2020”, é liderado pela Comissão Europeia em coordenação com a fabricante Airbus e conta com a participação de companhias operadoras aéreas e empresas produtoras de biocombustíveis. O segundo é liderado pelas fabricantes Embraer e Boeing e conta com vários parceiros quer brasileiros quer que de outros países. Em comum, verifica-se que estes programas são “puxados” pelos fabricantes de aeronaves e pelo regulador no caso Europeu. As operadoras estão também presentes no caso Europeu, o que faz todo o sentido, uma vez que serão elas a pagar a fatura dos biocombustíveis.Portugal, à sua dimensão, deverá dar o seu contributo. O processo BTL apresenta-se como uma alternativa lógica face ao contexto nacional.


[i] Existe uma exceção: a conversão da energia elétrica em hidrogénio. No entanto trata--se de um processo energeticamente pouco eficiente.

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