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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

31
Mai19

Jardins Abertos — Pátio do João e da Teresa

Arca de Darwin

Ainda durante a iniciativa Jardins Abertos, passei pelo Pátio do João e da Teresa, pessoas que, dizem, são quem mais cuida do jardim que pertence a todos os vizinhos.

Este pequeno oásis surge de forma surpreendente assim que se passa a porta que deixa para trás a agitação da Rua Nova da Piedade, em Lisboa. O arco enquadra o verde que cobre as paredes e que anuncia a chegada a um lugar mais fresco e silencioso. A diversidade de plantas e de vasos acaba por construir um todo coerente, que lembra a variedade e estratificação da própria natureza. E também há uma horta, ao cimo, do lado esquerdo.

30
Mai19

Jardim do Cemitério dos Ingleses

Arca de Darwin

No fim-de-semana passado (25 e 26 de Maio) Lisboa recebeu mais uma edição dos Jardins Abertos, iniciativa que "abre" os jardins da capital — alguns deles, privados — ao público. Perto de 13.000 pessoas aderiram ao evento.

Um dos jardins incluídos foi o do Cemitério dos Ingleses — o cemitério mais antigo de Lisboa, situado mesmo ao lado do Jardim da Estrela. Criado em 1717, começou a receber corpos de protestantes ingleses e holandeses em 1724. Também lhe chamaram Cemitério dos Ciprestes, devido à "cerca" composta por árvores desta espécie que se destinavam a impedir que os católicos espreitassem para o interior.

No jardim, a habitual simetria presente nos cemitérios é pouco evidente, e é ainda mais disfarçada pela vegetação aparentemente descontrolada que invade o espaço entre os túmulos e as cruzes celtas.

26
Mai19

Dias do Desassossego

Arca de Darwin

Ainda faltam alguns meses para a iniciativa Dias do Desassossego que, organizada pela Casa Fernando Pessoa e pela Fundação José Saramago, decorre entre 16 e 30 de Novembro (respectivamente, dia de nascimento de Saramago e dia da morte de Pessoa). Naturalmente a programação tem a leitura e os efeitos desta como ponto forte. Hoje passei por duas peças de arte urbana que ficaram de edições anteriores e que surgiram em colaboração com a GAU (Galeria de Arte Urbana).

A primeira, de Tamara Alves, é de 2017, fica junto ao Mercado da Ribeira, e está já um pouco vandalizada. Não obstante, continua a ser uma das peças mais bonitas da cidade (espreite a peça quando estava "nova", aqui).

A inspiração veio das palavras de Saramago: «Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu fizeram-no de carne, e sangra todo o dia» (em A Segunda Vida de Francisco de Assis).

Um ano antes, em 2016, André da Loba pintava uma empena na R. de São Bento. No site da GAU encontramos a descrição que o próprio autor fez da peça: «O Desassossego é, em Pessoa, a deslocação do Eu, o frenesim da mente. Em Saramago é antes a deslocação do Tu, a provocação moral e política. Nesta parede representa-se uma tempestade emocional, em que os dois agentes podem ser a mesma pessoa, ao espelho, ou o Outro, em interacção. Está prestes a chover...»

26
Mai19

V Feira Medieval de Odivelas

Arca de Darwin

A Feira Medieval de Odivelas tem como pano de fundo o Mosteiro de São Dinis e é uma viagem no tempo. Entre as muitas atividades que esta 5.ª edição oferece, o "torneio medieval a cavalo e apeado na liça" é sem dúvida uma das mais atrativas. E assim é muito por culpa dos cavalos, da sua imponência, beleza e destreza, aqui colocadas ao serviço de um torneio com várias provas.

16
Mai19

Praia da Ursa - Sintra

Arca de Darwin

A Praia da Ursa é a praia mais ocidental de Portugal Continental, e é lindíssima. Situada a apenas algumas centenas de metros do Cabo da Roca tem um acesso nada fácil (e apresenta perigo de derrocadas). Mas é um verdadeiro deleite.

Quando se começa a descida veem-se ao longe, emolduradas pelo verde das escarpas e pelo azul do mar, duas enormes rochas. A mais pontiaguda, a da frente, é a Ursa, a maior, a de trás, é o Gigante.

É a lenda da Ursa que dá nome à praia. Conta-se que ali vivia uma ursa com as suas crias na altura em que começou o degelo. Os deuses disseram a todos os animais para saírem da beira-mar, mas a ursa desobedeceu, porque sempre ali vivera e ali queria continuar. Os deuses castigaram a ursa e as crias transformando-as em pedra.

Não consegui discernir a figura de qualquer urso nas rochas, mas encontrei o perfil de um rosto humano e o de um leão sentado...

Mas há muitos outros motivos de interesse, quer se olhe para o chão, para as aberturas nas rochas, para as próprias rochas, ou para o mar. De facto, a praia é muito procurada por fotógrafos, e também por turistas e nudistas.

Ao final do dia, e com a maré vazia, pude passear pelas várias partes da praia e assistir à variação rápida da luminosidade.

13
Mai19

Arte urbana no Bairro Padre Cruz (Lisboa)

Arca de Darwin

Há décadas que não ia ao Bairro Padre Cruz, em Carnide, Lisboa. Além do campo de futebol, as memórias que tenho são do bairro mais antigo, formado por pequenas casas brancas, térreas ou de dois andares, muradas e com um jardim. Construídas durante a ditadura, as casas estão dispostas de modo a que os vizinhos vejam o que se passa nas casas uns dos outros.O bairro mudou muito nos anos 90, com a construção de avenidas de prédios coloridos de seis andares que fizeram dele o maior bairro municipal da Península Ibérica (e o 3.º ou 4.º maior da Europa). Também há novos prédios brancos (e azuis) ostracizados ainda para lá da linha que separa a rivalidade entre novo e velho.

O mural de Bigod evoca as memórias de infância do próprio artista. Curiosamente, o neto senta-se do lado do bairro novo, e a avó do lado do bairro velho.

As ruas do bairro velho têm nomes de rios, o que inspirou esta obra de Leonor Brilha.

As figuras desta peça de RAM (Miguel Caeiro) estão a entrar numa nave espacial que representa o bairro novo.

À frente da peça de RAM está O Fugitivo de MAR (parceiro de MAR em ARM_Collective), um refugiado que foge da guerra e que veste toda a roupa que possui.

O bairro velho está a desaparecer e a ser substituído por edifícios brancos de dois andares com algumas particularidades interessantes: painéis solares, reservatório para recolha da água das chuvas no terraço, e dois mini-jardins para que os moradores realojados mantenham a ligação à terra e o usufruto da mesma. Quanto à arte urbana, há muito que é uma ferramenta de intervenção no bairro: em 1996 a Associação Juvenil Renascer realizou o 1.º Festival de Grafiti; em 1997 decorreu a 2.ª edição; em 2016 surgiu neste bairro a 1.ª edição do Festival MURO, organizado pela GAU em colaboração com a Junta de Freguesia de Carnide; e, ainda em 2016, ocorreram mais intervenções no âmbito do projecto "Criar mudança através da arte urbana", iniciativa da Boutique da Cultura e da Crescer a Cores.

Obra dos holandeses Telmo e Miel

Obras de 2CarryOn

Para visitar as pinturas, consulte o site da Junta de Freguesia de Carnide ou a página da Boutique da Cultura no Facebook. Relembro que também pode visitar a Quinta do Mocho, onde pode optar pelo passeio guiado (disponível todos os dias) por guias do próprio bairro, ou por passeio e almoço típico africano.O Festival MURO vai além da arte urbana e inclui conferências, cinema, oficinas, música e animação de rua. A 2.ª edição do festival realizou-se em 2017, em Marvila, e a 3.ª acontece este mês, entre os dias 23 e 26, no Lumiar. Além das pinturas, o Festival MURO trouxe outras expressões de arte urbana ao Bairro Padre Cruz, nomeadamente esculturas, como o Pi G de Bordalo II e o "estúpido" — entretanto baptizado de Nélson pela população — da autoria de Robert Panda. Se visitar o Nélson na próxima semana talvez o encontre com um cachecol vermelho ao pescoço, pois tal já é tradição quando o Benfica ganha o campeonato. Os artistas tiveram conversas prévias com os moradores de modo a que houvesse sintonia entre as obras, o espaço e as pessoas. Isso nem sempre aconteceu, pois é impossível agradar a toda a gente, e alguns artistas são mais flexíveis do que outros. O fervor futebolístico que pode fazer com que o Nélson volte a perder a cabeça, também levou a que a águia de Styler fosse verde, para não ofender os moradores sportinguistas do prédio em frente (que, infelizmente para eles, tem vista para o Estádio da Luz). Uma senhora disse que a "mulher sem cabeça" do seu prédio é "a pior pintura de todas" — obra do brasileiro Márcio Bahia — e que preferia ter a "senhora do chapéu" — de Nomen —, que é "a melhor pintura de todas". A pintura do mercado de Daniel Eime peca pelas "cores monótonas" e por exibir um rosto de alguém que "não pertence ao bairro". Já a empena de Gréc & Hyte, que tem cores mortiças e desenhos algo "simples", é um verdadeiro sucesso: cada quadrado representa um episódio que de alguma maneira marcou um dos moradores do prédio. Se é certo que as empenas do Bairro Padre Cruz contam com obras de muitos artistas consagrados, há também que assinalar duas estreias: a de Rita Graça e a do morador local Favita (Diogo Camilo), com a imagem de Natália Correia pintada na biblioteca com o seu nome.Uma última nota de destaque: o mural de homenagem aos cantoneiros que mantêm o bairro em óptimas condições, da autoria de Francisco Camilo.Eis mais algumas peças que pode ver no Bairro Padre Cruz:

Utopia

Observ

Jota Aracê

Oze Arv

Smile

Slap

Borondo

Felix Spok Brillor

Mr. Dheo

Luís Managem

Ôje

Johnny Double C

NADA

ART'odidacta

08
Mai19

Lisboa é sempre a mesma, e nunca se repete

Arca de Darwin

Há uns dias estava a vasculhar o caos que é o meu "arquivo" e encontrei estas fotografias que tirei há uns anos em Lisboa. A ideia que tenho desta cidade constrói-se e transforma-se ao longo tempo, o que, aliás, acontece com a própria cidade. E cada um de nós tem a sua própria Lisboa. "Umwelt" — "mundo próprio" —, um termo que revisitei recentemente e que aprendi nas aulas de Etologia, traduz isso mesmo: nós, e os outros animais, mesmo partilhando o mesmo espaço, experienciamo-lo de modo diferente. A Lisboa destas fotos é "própria" desde logo porque cinge-se essencialmente a Alfama. Depois, porque resulta de um passeio que dei após ter estado algum tempo fora do país. Assim, é um olhar que de certa forma combina descoberta e saudade. Há tons, detalhes e enquadramentos novos, mas também há a luz, a calçada e a porosidade de sempre. Há a Lisboa dos alfacinhas e a dos turistas, a de lugares específicos e a de conceitos como "becos e vielas", a das flores e a dos animais. Lisboa é sempre a mesma, e nunca se repete.

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