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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

29
Jun19

Festival Thai em Lisboa

Arca de Darwin

Começou ontem, acaba amanhã (30 de Junho). O Festival Thai realiza-se no mesmo espaço que a Festa do Japão ― o Jardim Vasco da Gama, em Belém ―, mas ocupa muito menos espaço. Ainda assim, oferece muitas atividades. Além da gastronomia, artesanato e massagens tailandesas, há jogos e contos tradicionais para crianças, há workhops de Muay Thai, pintura e escultura em frutos, há demonstrações de Sepak Takraw, e há danças tradicionais. Assisti às danças. Muita elegância e graciosidade. Também teatro e "marionetas".

26
Jun19

Tranquilo... mas poluído

Arca de Darwin

Tirei estas oito fotos ontem, no Parque das Nações. Um dia antes soube-se que a qualidade do ar nesta zona de Lisboa é ainda pior do que a da Avenida da Liberdade. As aparências iludem...

Esta poluição é grave. Pode, por exemplo, provocar problemas respiratórios e cancro do pulmão.

Percebo que a solução para o problema não seja fácil, e que poderá até incluir medidas como as propostas pela Associação Zero, a responsável pelo estudo da poluição ― medidas como definir horários de entrega fora da hora de ponta. Mas dificilmente haverá uma solução que não passe por uma aposta séria nos transportes públicos.

Este problema (como outros problemas ambientais) precisa de uma estratégia de fundo que tarda em aparecer. É fácil perceber que essa estratégia não existe por parte de quem manda quando, por exemplo, num mundo que tenta reduzir os combustíveis fósseis, têm de ser os cidadãos a parar a suspensão de petróleo em Aljezur. Pior: depois de o terem conseguido em tribunal, o Ministério do Mar recorreu da decisão.

Quanto aos transportes públicos, ficou claro que os cidadãos aderem em massa a este meio de transporte. Bastou uma redução de preço, como se viu com o novo passe. Agora imagine-se como seria se houvesse mais comodidade e segurança, se a frequência dos transportes aumentasse, se houvesse parques de estacionamento suficientes junto às estações de metro periféricas, se os transportes públicos fossem não poluentes. Ou se os transportes públicos fossem gratuitos no centro da cidade, como acontece lá fora. Isto só parece ficção porque a realidade é o que ocorreu em Aljezur, é a Soflusa, é a solução de retirar lugares sentados para caberem mais pessoas em pé. A realidade é, a bem dizer, uma vergonha.

25
Jun19

Lince-ibérico de Bordalo II

Arca de Darwin

Novinho em folha, o Lince-ibérico de Bordalo II chegou no dia 23 de Junho ao Parque das Nações, em Lisboa, para servir de memória futura da declaração Lisboa+21 que surgiu durante a Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019.Esta escultura de Bordalo II não foge à regra: é feita de lixo (por exemplo, os olhos do lince são capacetes, as patas são caixotes do lixo). Gosto particularmente desta peça, e gosto do lince-ibérico, que foi o tema da minha tese de licenciatura em Biologia. Na altura do estágio, antes da viragem do século, estimava-se que a população portuguesa de linces rondasse os 20-25 indivíduos, e poucos anos depois resumia-se a alguns indivíduos errantes. Em Espanha, em 2002, restavam 94. Hoje é uma enorme felicidade saber que há 75 linces em Portugal e que a população ibérica tem mais de 500 indivíduos.

Imagem: Programa de Conservación Ex-situ del Lince Ibérico www.lynxexsitu.es

23
Jun19

Alho-porro, porque hoje é Dia de São João

Arca de Darwin

O alho-porro (Allium ampeloprasum) tem muitos outros nomes, entre os quais alho-macho, alho-poró, alho-porró, porro-bravo e alho-francês. O "alho-francês" usado na comida descende desta espécie selvagem — que também é comestível — e geralmente é classificado como Allium ampeloprasum var. porrum.

A ligação à noite de São João no Porto remonta ao tempo dos Celtas, quando celebravam a mãe-natureza oferecendo-lhe ervas aromáticas que queimavam numa fogueira, para espantar o mau olhado, obter protecção e celebrar a fecundidade dos humanos e das colheitas. Bater com um alho-porro na cabeça de alguém é, naturalmente, desejar-lhe boa sorte

23
Jun19

Festa do Japão 2019

Arca de Darwin

Ontem, 22 de Junho, decorreu a 9.ª edição da Festa do Japão, em Lisboa, desta feita no Jardim Vasco da Gama, em Belém. Esta iniciativa da Embaixada do Japão parece crescer de ano para ano. A oferta é muito variada: gastronomia, música, artes marciais, Cosplay, workshops...

Antes de continuar com a Festa do Japão, aproveito para informar que no mesmo local, de 28 a 30 de Junho, decorrerá o Festival Thai, apropriadamente junto ao pavilhão tailandês que aqui em baixo emerge entre copas de árvores num dos extremos do espaço ocupado pela Festa do Japão.

Adiante. O workshop/demonstração de Ikebana permitiu observar o preceitos desta arte que, no Japão, equipara-se à pintura ou à escultura. "O Ikebana é uma expressão do amor e respeito pela natureza", lê-se no site da Associação de Amizade Portugal Japão, a qual também faz parte da organização da Festa. E, mais do que a quantidade das flores ou a importância dada à corola que caracterizam os arranjos florais ocidentais, o "coração" desta prática com mais de 600 anos "reside na beleza da combinação das cores, das formas naturais, nas belas linhas e no significado latente do arranjo como um todo".

O Origami também teve direito a um workshop. A tradição manda que se use uma folha de papel quadrada e que não se faça cortes ou se use cola: só dobragens. Segundo a lenda, quem fizer mil grous verá o seu maior desejo realizado.

Outra lenda, que serve de tema a esta 9.ª edição da Festa do Japão, é a que dá origem ao festival japonês Tanabata (que significa "sétima noite" ou "ponte do tecelão"), que se realiza a 7 de Julho. A história nasceu há mais de 850 anos. A linda princesa tecelã Orihime morava junto à Via Láctea (o rio celestial Amanogawa). O pai, O Senhor Celestial, apresentou-lhe um belo pastor, Kengyu (também conhecido por Hikoboshi)e foi amor à primeira vista. Demasiado amor, pois o casal descurou tudo o que era responsabilidades. O paizinho ficou chateado e separou-os, colocando-os em lados opostos da Via Láctea. Mas depois comoveu-se (um pouquito) com a tristeza da filha, e lá permitiu que o casal se encontrasse uma vez por ano no 7.º dia do 7.º mês, desde que cumprissem a obrigação de atender a todos os pedidos que chegassem da Terra. Ela agora é a estrela Vega e ele a Altair. Para pedir favores às estrelas, os humanos escrevem os seus desejos em pequenas tiras de papel colorido (tanzaku).

As artes marciais (sumo, kendo, aikido, shotokai...) e os espectáculos (no tempo em que lá estive assisti ao grupo Tomoro; muito bom) são também parte importante da Festa do Japão.

E é impossível não reparar no Cosplay e nos cosplayers (de todas as idades). Há um desfile no palco principal, e há a ANAC ‒ Associação de Cosplay. No Cosplay, abreviatura de costume play, os cosplayers "encarnam" personagens de Anime, Manga, BD ou videojogos.

 

Os animais têm papel de destaque no Cosplay.

Para o ano há mais.

21
Jun19

Está aí o Verão, na beira da estrada

Arca de Darwin

O Verão chega hoje, 21 de Junho de 2019 ― oficialmente, às 16h54. Embora o tempo ande cinzento, na beira da estrada aqui à porta de casa os malmequeres secos e as gramíneas encarnam a cor típica do Verão ― um dourado banhado com tons de castanho e de vermelho. Entre o dourado surgem alguns pontos de cores, também elas quentes ― como o vermelho das papoilas que ainda persistem ―, a evocar a Primavera que parte.

01
Jun19

Festival MURO 2019 — Arte Urbana no Lumiar

Arca de Darwin

A 3.ª edição do Festival MURO, organizado pela Galeria de Arte Urbana (GAU) assentou arraiais na freguesia do Lumiar entre 23 e 26 de Maio. Desta feita o tema foi a música, escolha que se deveu à toponímia da área e à aposta em intervenções multidisciplinares.

Assim, além da arte urbana que ocupou outros suportes para lá das empenas, o festival contou com workshops, conferências, animação de rua, concertos, teatro e visitas guiadas. No conjunto, as várias vertentes contribuem para diversificar a oferta cultural de certas zonas da capital ― agora o Lumiar, antes o Bairro Padre Cruz (2016) e Marvila (2017) — e para valorizar e revitalizar o espaço público.

O festival já acabou, mas há muito para ver. E entre as novas peças de arte urbana encontram-se algumas mais antigas, como a altíssima empena de Francisco Vidal, pintada no âmbito da Lisbon Week 2017 (iniciativa que, no Lumiar, também incluiu esta obra).

Outras precisaram de muito mais do que 3 dias. O destaque vai para o talude megalómano de RAF (Rui Ferreira), e que foi inspirado em Gaudí e Zaha Adid. A obra de RAF, a convite da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa, quebrou a fronteira que existia entre dois bairros.

https://youtu.be/mZcTow_cFZE

Voltando ao início da visita guiada, a primeira peça pertence ao italiano Fulviet (Fulvio Capurso), arquitecto, ilustrador, pintor, investigador e professor de desenho. Fica numa espécie de tapume, junto à entrada do Metro e colado ao Centro Universitário Padre António Vieira, espaço que o artista visitou e onde se inspirou no trompete que ouviu ser tocado e nos pássaros que cantavam.

Do outro lado da rua surge a primeira de 24 caixas de electricidade pintadas pelo venezuelano Flix.

Mais à frente, Regg (Tiago Salgado) reinterpreta "Mãos em Oração", gravura do século XVI, de Albrecht Durer.

Chegados à rotunda, no final desta Estrada da Torre, há muito para ver. O fado chega pelas mãos de Catarina Glam com "A Fadista", onde se lê "De quem eu gosto, nem às paredes confesso", e que também teve uma versão esculpida em madeira (que não cheguei a ver). O português El Tvfer One traz-nos a natureza e as memórias de ouvir fado na casa da avó. Costah homenageia a cantora Dina com uma obra onde se lê "Há sempre música no ar".

Na próxima rotunda encontramos as cores fortes e os traços simples da brasileira Muzai nas paredes de uma escola.

Ainda em ambiente escolar, o colectivo italiano NSN997 (Nuovo Stile Napoletano) promove o seu "Padrão Positivo" e a prática de boas maneiras. Ao lado, um mural pintado por crianças alerta para a necessidade de proteger o planeta.

O projecto "Feli-Cidade", de Carolina Caldeira, começou dias antes, quando quem quisesse podia passar pelo Largo das 6 Marias e responder à pergunta "O que te faz feliz?". A resposta escrita era colocada numa caixa de correio e, mais tarde, transformada em póster e afixada na parede.

Ao virar da esquina, na R. Maria do Carmo Torres (fadista), mais um projecto original, desta feita a cargo do colectivo de fotógrafos Agência Calipo, que espalhou pela área retratos do bairro e dos seus moradores.

Como se descessem dos céus, as fantásticas andorinhas de Pantónio envolvem quem passa num remoinho formado pelas empenas de quatro edifícios.

Ali ao lado, junto à Escola de Boxe, encontrámos o simpático San Spiga, que veio da Argentina e que trouxe consigo alguns cartazes...

Oze Arv e Tamara Alves também estiveram presente.

O português Third, acompanhado pelas instalações acústicas de Tó Trips, conta-nos em vários painéis a história de Maria Alice, que nasceu Glória Mendes em 1904 em Paião, e que aos 14 anos veio para Lisboa. Esta fadista tornou-se a primeira "Menina da Rádio", e também cantou em África e no Brasil. Morreu com 92 anos, no Lumiar, onde tem uma rua com o seu nome no Bairro da Cruz.

Junto às cores tropicais do português mynameisnotSEM encontramos o preto-e-branco da ilusão escultórica do italiano Peeta (o local de onde fotografei é a posição ideal para observar esta obra).

E terminamos como começámos: a homenagem de João Samina a Carlos Paredes.

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