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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

16
Mai19

Praia da Ursa - Sintra

Arca de Darwin

A Praia da Ursa é a praia mais ocidental de Portugal Continental, e é lindíssima. Situada a apenas algumas centenas de metros do Cabo da Roca tem um acesso nada fácil (e apresenta perigo de derrocadas). Mas é um verdadeiro deleite.

Quando se começa a descida veem-se ao longe, emolduradas pelo verde das escarpas e pelo azul do mar, duas enormes rochas. A mais pontiaguda, a da frente, é a Ursa, a maior, a de trás, é o Gigante.

É a lenda da Ursa que dá nome à praia. Conta-se que ali vivia uma ursa com as suas crias na altura em que começou o degelo. Os deuses disseram a todos os animais para saírem da beira-mar, mas a ursa desobedeceu, porque sempre ali vivera e ali queria continuar. Os deuses castigaram a ursa e as crias transformando-as em pedra.

Não consegui discernir a figura de qualquer urso nas rochas, mas encontrei o perfil de um rosto humano e o de um leão sentado...

Mas há muitos outros motivos de interesse, quer se olhe para o chão, para as aberturas nas rochas, para as próprias rochas, ou para o mar. De facto, a praia é muito procurada por fotógrafos, e também por turistas e nudistas.

Ao final do dia, e com a maré vazia, pude passear pelas várias partes da praia e assistir à variação rápida da luminosidade.

08
Mai19

Lisboa é sempre a mesma, e nunca se repete

Arca de Darwin

Há uns dias estava a vasculhar o caos que é o meu "arquivo" e encontrei estas fotografias que tirei há uns anos em Lisboa. A ideia que tenho desta cidade constrói-se e transforma-se ao longo tempo, o que, aliás, acontece com a própria cidade. E cada um de nós tem a sua própria Lisboa. "Umwelt" — "mundo próprio" —, um termo que revisitei recentemente e que aprendi nas aulas de Etologia, traduz isso mesmo: nós, e os outros animais, mesmo partilhando o mesmo espaço, experienciamo-lo de modo diferente. A Lisboa destas fotos é "própria" desde logo porque cinge-se essencialmente a Alfama. Depois, porque resulta de um passeio que dei após ter estado algum tempo fora do país. Assim, é um olhar que de certa forma combina descoberta e saudade. Há tons, detalhes e enquadramentos novos, mas também há a luz, a calçada e a porosidade de sempre. Há a Lisboa dos alfacinhas e a dos turistas, a de lugares específicos e a de conceitos como "becos e vielas", a das flores e a dos animais. Lisboa é sempre a mesma, e nunca se repete.

20
Mar19

Orquídea sem nome ("Cephalanthera longifolia")

Arca de Darwin

Hoje é o primeiro dia de Primavera. Na última semana as orquídeas da Estação da Biodiversidade de Fontelas, Loures, como se soubessem que a data estava à porta, começaram a florir. Há uns dias havia apenas um ou dois exemplares de Cephalanthera longifolia; ontem havia dezenas ao longo do curto percurso.

As flores — geralmente entre 5 e 25 — ainda não estão completamente abertas, mas aqui e ali já anteveem algumas manchas amarelas. A planta pode chegar aos 60 centímetros de altura, mas é mais comum ter entre 25 e 40 cm.

A época de floração ocorre entre Março e Julho.

Facto curioso: em Portugal a Cephalanthera longifolia não tem nome comum. Já o "longifolia" refere-se às folhas compridas e afiladas.

Encontra-se em espaços abertos ou sub-cobertos (em Fontelas está geralmente em áreas com alguma sombra), preferencialmente em solos calcários. A espécie existe na Europa, Norte de África e Ásia. Em Portugal ocorre de norte a sul e é relativamente abundante.

Em Fontelas, há algumas espécies de orquídeas que ainda não floriram, como é o caso da orquídea-piramidal. No entanto, a diversidade que ontem o local apresentava vale bem uma visita. Eis as fotos para servirem de guia:

Erva-vespa-rosadaOphrys tenthredinifera (pouco abundante no prado a seguir à linha de água, no final do percurso)

Erva-vespaOphrys lutea (abundante em todo o percurso, particularmente no prado a seguir à linha de água)

Moscardo-fuscoOphrys fusca (pouco abundante, parte intermédia do percurso)

Homens-núsOrchis italica (1 exemplar na parte superior do percurso — no prado do lado direito)

Orquídea-giganteHimantoglossum robertianum (1 exemplar na parte superior do percurso — no prado do lado direito)

15
Mar19

Borboleta-carnaval ("Zerynthia rumina")

Arca de Darwin

O nome comum da Zerynthia rumina, borboleta-carnaval, deve-se às cores vivas e ao facto de o adulto começar a voar em Fevereiro, mês do Carnaval. Estas borboletas — também conhecidas por carnaval e grinalda-espanhola — voam até Julho, e têm só uma geração.

A parte superior das asas salta à vista com o seu colorido padrão preto, amarelo e vermelho. O ápice das asas anteriores tem uma célula translúcida. O padrão da parte inferior é semelhante, mas o fundo é mais branco do que amarelo. A envergadura chega aos 4,6 centímetros (parece maior).

As antenas são pretas. O abdómen também é preto e de cada lado tem duas filas paralelas de pintas: uma branca e outra amarela.

Estes exemplares foram fotografados hoje na EBIO de Fontelas, Loures, numa encosta rochosa junto a terrenos incultos com algumas árvores.

Existe em Portugal, Espanha, França e Norte de África. Pertencem à família Papilionidae.

13
Mar19

Veados e Gamos na Tapada de Mafra

Arca de Darwin

Na Tapada de Mafra é bastante fácil observar veados (Cervus elaphus) e gamos (Dama dama), mas, claro, convém percorrer os caminhos em silêncio). Por esta altura os indivíduos de ambas as espécies ainda apresentam a pelagem castanha-escura típica do Inverno. Para distingui-las, além do tamanho (os veados são maiores), podemos olhar para as hastes dos machos: as dos veados são pontiagudas; as dos gamos são espalmadas. Na Tapada há cerca de 50 veados e mais de 300 gamos. Não há corços (Capreolus capreolus).

12
Mar19

Cabo Espichel — biodiversidade à volta do Santuário

Arca de Darwin

Ontem passei pelo Cabo Espichel, Sesimbra, e percorri o perímetro do Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua. Perante a paisagem agreste, dominada pelo vento e pela imensidão do mar, podemos pensar que ali, num raio de 20 metros do Santuário, haverá pouca biodiversidade. Pelo contrário.

No post sobre o sardão (Lacerta lepida), os dois animais que fotografei em São Pedro do Sul eram, como referi, pequenitos. Este exemplar que estava ontem no Cabo Espichel era já adulto, e bem grande.

Outra novidade para esta área foi quase ter conseguido fotografar um falcão-peregrino (Falco peregrinus). Fica para a próxima.

Houve outras aves que pousaram para a fotografia (cartaxos, escrevedeiras-de-garganta-preta, trigueirão), outras que só vi por breves instantes (rabirruivos, pintassilgos, estorninhos, cotovias), e outras que não chegaram a aparecer (por exemplo, o mocho-galego).

Borboletas, nem vê-las. Orquídeas, duas espécies (o que é habitual, pois aparecem em sucessão) mas muito pouco abundantes: moscardo-fusco (Ophrys fusca) e orquídea-homens-nus (Orchis italica). Já os maios-pequenos (Gynandriris sisyrinchium) e as campainhas-amarelas (Narcissus bulbocodium) atapetam o chão.

11
Mar19

Pelos bosques da Tapada de Mafra

Arca de Darwin

A Tapada de Mafra agora está assim, confundida entre um fim de Inverno e início de Primavera que lembram cores de Outono sob luz de Verão."I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived."

Henry David Thoreau, in Walden; or, Life in the Woods

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