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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

14
Abr12

A propósito do caso Portucale

Arca de Darwin

Esta semana ficou marcada por mais um crime ambiental – abate de mais de 2000 sobreiros – que escapou impune. Num país onde estes actos são frequentes é importante lembrar o trabalho meritório de quem luta em defesa da natureza, como é o caso da Associação Árvores de Portugal, criada em 2009 com o intuito de divulgar, dignificar e proteger o património arbóreo de Portugal.

Certas árvores têm estatuto de protecção semelhante ao do património edificado. São as árvores de interesse público, que se distinguem pelo porte, desenho, idade, raridade, importância cultural ou histórica. Este estatuto confere à planta uma área de protecção num raio de 25 metros e obriga a que qualquer intervenção na árvore ou no solo careça de autorização da Autoridade Florestal Nacional (AFN). É a esta entidade pública que se deve dirigir as candidaturas, por escrito, acompanhadas de uma foto e da descrição pormenorizada do local onde a árvore se encontra.

Entre outras iniciativas, a Associação Árvores de Portugal, e contabilizando apenas o primeiro ano de actividade, solicitou à AFN a classificação de 15 árvores, das quais quatro foram aceites e apenas uma rejeitada.

Caso conheça uma árvore que preencha um dos requisitos anteriores pode propô-la a interesse público. Se tiver dúvidas em relação ao pedido de classificação, ou sobre os méritos da árvore que admira, contacte a Associação Árvores de Portugal, que conduzirá o processo por si.

No Porto, até Dezembro de 2004, havia apenas 4 árvores classificadas de interesse público. Em 2005, e por sugestão das associações ambientais Campo Aberto e Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Douro, o número subiu para 240. No início desta década existiam 367 árvores classificadas na Invicta.

Quanto à árvore nas imagem, trata-se de uma melaleuca (Melaleuca armillaris) que vive no jardim Eng. Luís Fonseca, em Setúbal. A rara beleza desta escultura viva deve-se à acção dos ventos marinhos que, há 150 anos, lhe moldam os troncos de forma tortuosa. O interesse público do seu valor estético foi reconhecido em 2009. A espécie é originária da Austrália, onde é incompreensivelmente conhecida por árvore-do-chá. Satisfazer o hábito preferido dos ingleses não consta dos seus predicados, mas as propriedades terapêuticas do seu óleo são muito apreciadas.