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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

02
Jan13

O Grande Salto para “trás”

Arca de Darwin
A propósito do post anterior, e de como a tradição de fazer barulho na noite da passagem de ano deve assustar momentaneamente a bicharada urbana, é importante recordar um dos mais trágicos episódios da História natural e humana e do século XX: O Grande Salto em Frente, promovido pelo líder chinês Mao Tsé-tung, entre 1958 e 1961, com o objectivo de acelerar o crescimento económico do país.

Cartaz da campanha Quatro Pestes ("Venham todos e lutem contra os pardais")

O Grande Salto incluiu a campanha “sanitária” de extermínio das Quatro Pestes – ratos, moscas, mosquitos e pardais. O pardal entrou na lista porque consumia grãos de cereais e, na altura, a China já enfrentava sérios problemas de fome. Segundo cientistas chineses, cada pardal comia 4,5 kg de grãos por ano. A eliminação de 1 milhão de pardais traduzir-se-ia em alimento para 60.000 pessoas.

Assim, em 1958, milhões de chineses construíram espantalhos e saíram para a rua armados com fisgas e espingardas, e com tachos e panelas que batiam incessantemente. Milhões de aves, sem terem onde poisar, morreram de exaustão. O pardal-montês (Passer montanus) – pássaro mais esbelto que o pardal-comum, e que também existe em Portugal – foi a espécie mais afectada e ficou à beira da extinção.

Pardal-montês (Passer montanus). Foto: Laitche

Mas o pior estava para vir. No ano seguinte as colheitas foram devoradas por gafanhotos, que proliferaram devido à ausência dos habituais predadores – as aves. Mao cancelou a guerra aos pardais, mas o mal estava feito. O profundo desconhecimento sobre o equilíbrio dos ecossistemas e o desrespeito pela Natureza por parte do Grande Timoneiro conduziram a China a uma catástrofe. No período entre 1958 e 1961 a fome alastrou e ceifou a vida de 30 milhões de chineses.

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