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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

31
Out18

O que realmente significa "partilhar" ADN com outras espécies?

Arca de Darwin

De que falamos quando falamos de ADN partilhado?

Quem já olhou directamente para os olhos de um chimpanzé (Pan troglodytes) poderá não ter dificuldade em aceitar que nós, Homo sapiens, partilhamos com ele 98.8% do nosso ADN. A nossa posição relativa na árvore da vida fica ainda mais clara quando metemos ao barulho os restantes grandes símios. Também partilhamos 98.8% de ADN com os bonobos (Pan paniscus), e estas três espécies diferem 3.1% dos orangotangos (Pongo sp.), ou seja, os chimpanzés são mais "parecidos" connosco do que com os orangotangos.

Até aqui, tudo bem. Mas já é mais difícil aceitar que partilhamos 60% de ADN com uma banana! OK, tivemos um antepassado comum há 1,6 mil milhões de anos, mas isso é muito tempo... Também é comum a informação de que os humanos partilham 99.99% do ADN com os outros humanos, mas sabemos dos tempos do secundário – e das várias séries do CSI – que o máximo que partilhamos é 50%, e que isso só acontece com os nossos pais e os nossos irmãos.

É, então, claro que há "medidas" diferentes. Há quem tenha determinado que a diferença entre nós e os chimpanzés é de "apenas" 75%.

Em geral, as comparações entre espécies referem-se às porções de ADN com genes que codificam proteínas. Estima-se que tanto os humanos como os chimpanzés tenham entre 20 000 e 25 000 genes. Ora, os genes que codificam proteínas representam apenas 1 a 2% do nosso ADN! É certo que esta é a parte mais "importante", mas o restante ADN não é só "lixo" (como foi cientificamente apelidado) e tem, por exemplo, funções de regulação.

A parte codificante nos humanos conta com 3.2 mil milhões de pares de bases (aqueles quatro nucleotídeos com nomes engraçados: adenina (A), timina (T), guanina (G) e citosina (C)). No que toca à nossa partilha com os chimpanzés, apenas 2.4 mil milhões de bases estão perfeitamente alinhadas – e assim se chega ao valor de 75%.

Seja qual for a fórmula para medir a proximidade, a verdade é que partilhamos inúmeros genes com muitos outros seres do planeta. Afinal, temos todos um antepassado comum. E é graças a essa partilha que animais como o nemátodo, a mosca-da-fruta e a ratazana são tão bons modelos para estudar o Homo sapiens. E nesse contexto, os genes individuais são mais importantes do que qualquer percentagem. Por exemplo, o mesmo gene pode funcionar de maneira diferente em espécies diferentes (e até em indivíduos diferentes). Em 2015, cientistas anunciaram que teriam encontrado um único gene que explicaria a diferença de tamanho entre o nosso cérebro e o do chimpanzé (convém lembrar que temos o triplo dos neurónios no cérebro).

Mas o mesmo gene também pode ter um funcionamento semelhante. A mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster), já "venceu" seis prémios Nobel da Medicina e Fisiologia (em 1933, 1946, 1995, 2004, 2011 e 2017). Dizem que partilhamos 60% do nosso ADN com este insecto, mas a "percentagem" que realmente interessa aos cientistas que a usam como modelo é que estima-se que cerca de 75% das doenças genéticas humanas tenham um equivalente na mosca-da-fruta – incluindo Alzheimer, síndrome de Down, diabetes, autismo e vários tipos de cancro.

Outro exemplo da importância de cada gene vem da investigação em transplantes. O tamanho dos órgãos dos porcos (com quem, dizem, partilhamos 98% do ADN) é muito semelhante aos dos humanos. No entanto, um único gene é responsável pelo insucesso dos transplantes de órgãos de porco em humanos: o "galactose-alpha-1,3,galactotransferase". Como explicou o geneticista Chris Moran à ABC, "tirando nós e os outros grandes símios, todos os mamíferos têm uma versão activa deste gene, que faz com que as células fiquem revestidas com um antigénio (uma molécula à qual o nosso sistema imunitário reage). Isto significa que se um tecido de porco for transplantado para um humano, o nosso sistema imunitário irá atacá-lo e rejeitá-lo. Para que isso não aconteça os cientistas estão a modificar a genética dos porcos, eliminando o gene galactose-alpha-1,3,galactotransferase." Certo é que os primeiros embriões híbridos porco-humano já foram criados.

19
Jul18

A intrigante cauda do pavão

Arca de Darwin

Um ano depois de publicar A Origem das Espécies, a cauda do pavão continuava a preocupar Charles Darwin:"The sight of a feather in a peacock’s tail, whenever I gaze at it, makes me sick!"

Charles Darwin, 1860, numa carta dirigida ao botânico norte-americano Asa Gray

Como é que a cauda do pavão-indiano (Pavo cristatus), um empecilho à sobrevivência, foi seleccionada ao longo do tempo? Em A Origem das Espécies, Darwin defende que ela foi objecto de selecção sexual:"Quem já observou atenciosamente aves em cativeiro sabe bem que por vezes manifestam preferências e aversões pessoais; Sir Robert Heron notou que entre as suas aves havia um pavão multicolor que atraía todas as pavoas. (...) tendo em conta o seu ideal de beleza, não vejo por que razão havemos de duvidar que as aves fêmeas podem também conseguir resultados bem marcados nos seus descendentes, seleccionando, ao longo de milhares de gerações, os machos que consideram mais belos ou mais melodiosos."No início do século XX o biólogo inglês Ronald Fisher explicava que as fêmeas preferem machos com "ornamentações exageradas", neste caso, caudas enormes e vistosas (e, no início da evolução da espécie, as caudas maiores até poderiam ser vantajosas durante o voo). Mais tarde, em 1975, o biólogo israelita Amotz Zahavi interpretou a preferência das fêmeas através daquilo a que chamou de Princípio da Desvantagem, ou seja, se um determinado macho consegue sobreviver com tal empecilho, então terá bons genes.Em 1991, a bióloga Marion Petrie estudou pavões que viviam em liberdade em Inglaterra, e concluiu que quantos mais "olhos" (ocelos) tivesse o leque de um pavão, maior seria o seu sucesso reprodutor. Em 2013, Roslyn Dakin e Robert Montgomerie concluíram que, mais do que o número de ocelos, o importante são as cores e o ângulo em que são exibidos às fêmeas.De facto, quando estão a pavonear-se, os machos abanam o leque de um lado para o outro. A verdade é que as cores das penas deve-se mais à arquitectura do que aos pigmentos, o que também acontece com penas e asas de outros animais (nomeadamente em borboletas e quando se trata da cor azul ‒ este vídeo é muito interessante).Para terminar, convém dizer que a escolha das fêmeas também é influenciada pelas vocalizações dos machos (algumas indetectáveis pelos ouvidos humanos). Há vocalizações para atrair as fêmeas e há outras realizadas durante a cópula. Curiosamente, Dakin e Montgomerie descobriram que os machos costumam "fingir" as segundas, para que as fêmeas que estão longe pensem que eles são sexualmente muito activos.

27
Nov17

Para que serve o Preto e Branco na Natureza?

Arca de Darwin

Se tem conta no Facebook provavelmente já se deparou com um convite para um desafio para diariamente, e ao longo de uma semana, colocar um post sobre um determinado tema. O desafio mais recente apela à publicação de fotografias a preto e branco. Desafiado, aldrabei ligeiramente as regras e publiquei de uma só vez 7 fotos de aves com apenas dois tons: preto e branco. Foram 7 mas podiam ter sido muitas mais.

Entretanto, pensei: para que serve o preto e branco na Natureza? Seria engraçado se houvesse uma resposta no âmbito da economia evolutiva, tipo: para os animais, produzir coberturas a preto e branco é mais "barato" que a cor, como as fotocópias. Ou então, no âmbito da antiguidade, tipo: o preto e branco é mais primitivo do que a cor, como as televisões. Mas não.

A verdade é que não se sabe para que serve o preto e branco. Tim Caro, professor de Biologia na Universidade da Califórnia em Davies, é o investigador que descobriu que as riscas da zebra servem para afugentar moscas, e assim evitar picadas, e que o padrão do panda tem várias funções: as partes brancas servem para camuflagem na neve; as orelhas pretas servem para indicar que o animal é perigoso e/ou agressivo; os olhos servem para identificação intra-específica ou para indicar agressividade.

Neste artigo, Caro resume o conhecimento actual sobre o assunto e conclui que o reconhecimento intra-específico e a indicação de que o animal é perigoso são as duas principais razões para padrões a preto e branco. Por outro lado, descarta explicações como sinalização de dominância ou regulação da temperatura do corpo.

18
Dez14

Mundo desconhecido - destaques do Bioscapes Olympus 2014

Arca de Darwin
Há todo um mundo de pormenores fantásticos que até há bem pouco tempo estava reservado a cientistas e técnicos de laboratório e de imagem. Concursos como este 2014 Olympus Bioscapes - International Digital Imaging Competition - que já leva mais de 10 anos de existência - revelam-nos esses detalhes obtidos através das lentes de microscópios. Seguem-se algumas das imagens vencedoras ou merecedoras de menções honrosas:

Alga Micrasterias furcata na fase final da divisão celular.

Autor: Rogelio Moreno Gill (menção honrosa)

2014 HM Moreno Gill 3 MFurcata (1024x553)

© Rogelio Moreno Gill. 2014 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®. www.OlympusBioScapes.com

 

Probóscis (partes bucais) de uma traça-vampiro (Calyptra thalictri). As farpas e os ganchos facilitam a aquisição de sangue de mamíferos ou de sucos vegetais pela traça.

Autores: Matthew Lehnert, Ashley Lash (menção honrosa)

2014  8  Lehnert and Lash vampire moth dorsal view  (1024x780)

 © Matthew Lehnert & Ashley Lash. 2014 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®. www.OlympusBioScapes.com

 

Apêndices de um crustáceo marinho. Servem para varrer o plâncton e outros alimentos.

Autor: Igor Siwanowicz (3.º lugar)

2014  3 Siwanowicz barnacle appendages (1024x683)

© Igor Siwanowicz. 2014 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®. www.OlympusBioScapes.com

Cosmarium sp., micro-alga de água doce. Vêem-se os cloroplastos, istmo e acumulação de cristais.

Autor: Rogelio Moreno Gill (menção honrosa)

2014 HM Moreno Gill 2 Cosmarium (1024x805)

© Rogelio Moreno Gill. 2014 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®. www.OlympusBioScapes.com

 

Aranha-saltadora

Autor: Francis Prior (menção honrosa)

2014 HM Prior jumping spider (1024x683)

© Francis Prior. 2014 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®. www.OlympusBioScapes.com

 

Anteras e grãos de pólen da flor silvestre Geranium robertianum.

Autor: Karl Gaff (menção honrosa)

2014 HM Gaff Geranium robertianum large file (1024x683)

© Karl Gaff. 2014 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®. www.OlympusBioScapes.com

Nota: Imagens gentilmente cedidas por www.OlympusBioScapes.com

09
Dez14

Imperador Australiano e movimento de camuflagem

Arca de Darwin

Em 1995 surgiu um novo conceito biológico: o movimento de camuflagem. O que é? Imagine que um animal quer perseguir uma presa sem ser detectado. A solução é mover-se de tal maneira que a presa "pense" que ele está parado, ou seja, que a retina da presa registe sempre a mesma imagem do predador, como se ele fosse um objecto imóvel na paisagem (tendo como referência a presa e outros objectos na paisagem).

australian emperor 1 (1024x678)

É claro que, mesmo parecendo imóvel, a imagem do predador ficará maior à medida que se aproxima da presa.

australian emperor 2 (1024x692)

Mais tarde, em 2003, este artigo publicado na Nature demonstrava o sucesso das proezas aéreas da libélula conhecida por Imperador Australiano (Australian Emperor) - Hemianax papuensis - durante o seu movimento de camuflagem na defesa do seu território.

australian emperor 3 (1024x681)

O mais certo é que esta estratégia natural tenha aplicações militares (aliás, um dos autores do artigo da Nature pertence a uma Divisão de Sistemas de Armamento).

australian emperor 4 (1024x611)

O Imperador Australiano mede até 7 centímetros e é bastante territorial, defendendo áreas com cerca de 50 metros de comprimento.

australian emperor 5 (1024x683)

Machos e fêmeas são semelhantes. O tórax é esverdeado e o abdómen é amarelo e preto.

australian emperor 6 (1024x669)

A parte superior das asas é debruada a amarelo.

australian emperor 7 (1024x683) australian emperor 8 (1024x682)

 

14
Out14

Darwin e os "admiráveis" pombos

Arca de Darwin

Num post anterior escrevi sobre a importância que os pombos tiveram na elaboração da Teoria da Evolução. Entretanto fotografei vários pombos e julgo que as imagens ilustram bem a seguinte frase de Darwin: "A diversidade das raças de pombos é verdadeiramente admirável”.

pidgeons perth royal show 1

A frase é de A origem das espécies, onde também se lê:

“Os naturalistas que sabem bem menos que os tratadores sobre as leis da hereditariedade, que não sabem mais a respeito dos elos intermédios que ligam entre si longas séries genealógicas, e que, contudo, admitem que a maior parte das nossas raças domésticas derivam de um mesmo tipo, não poderiam tornar-se um pouco mais prudentes, e não zombarem da opinião de que uma espécie, no estado natural, pode ser a posteridade directa de outras espécies?”.

pidgeons perth royal show 2 pidgeons perth royal show 3 pidgeons perth royal show 4

12
Mar14

Maravilhe-se com as "Wellcome Images Awards 2014"

Arca de Darwin
Ontem à noite soube-se quem foi o vencedor do concurso de imagens científicas Wellcome Images Awards 2014, promovido pelo Wellcome Trust, fundação com o propósito de alcançar "melhorias significativas na saúde dos humanos e dos restantes animais". A sede do Wellcome Trust situa-se no Reino Unido, mas a fundação actua em todo o mundo, apoiando as mais brilhantes mentes das ciências biomédicas.

Embrião de Peixe-zebra

Autora: Annie Cavanagh

Nota: Ao 4.º dia.

?????????????????????????Zebrafish embryo. Credit: Annie Cavanagh

O primeiro concurso realizou-se em 2012. Os 18 finalistas desta edição representam o que de mais belo e avançado se alcançou no domínio da imagem científica. Criado em 2011, o site da Wellcome Images conta já com mais de 40.000 imagens (disponíveis para fins não comerciais).

Partes reprodutoras da Planta-do-arroz

Autor: Stefan Eberhard

Nota: Em estudos genéticos esta planta é o equivalente "vegetal" da Drosophila melanogaster e foi a primeira a ter o genoma completamente sequenciado.

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Arabidopsis thaliana flower, SEM. Credit: Stefan Eberhard

Raio-X de Morcego-de-orelhas-grandes

Autor: Chris Thorn

Nota: Este pequeno morcego - o adulto mede cerca de 5 centímetros - foi morto por um gato. Alguns destes seres alados transportam o vírus da raiva que pode ser fatal para os humanos.

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Brown long-eared bat, x-ray. Credit: Chris Thorn xrayartdesign.co.uk

O grande vencedor da edição de 2014 foi Anders Persson, director do Center for Medical Image Science and Visualization, Universidade de Linkoping, Suécia. Persson foi dos primeiros a usar imagens coloridas 3D nas práticas médicas diárias. Sobre a imagem vencedora (que resulta de uma nova técnica e representa um coração artificial) Fergus Walsh, jurado e correspondente da BBC na área da medicina, exclamou: "É dramática a justaposição da delicada anatomia humana com as partes mecânicas e robustas da bomba sanguínea".

Bomba cardíaca mecânica

Autor: Anders Persson

Nota: Imagem vencedora

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Mechanical heart pump in the thorax, DECT. Credit: Anders Persson

Microorganismo marinho

Autor: Spike Walker

Nota: Mede 1,4 mm e tem uma concha externa composta de carbonato de cálcio.

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  Lagena species. Credit: Spike Walker

Cristais de Vitamina C

Autor: Spike Walker

Nota: A imagem tem 8 mm de largura

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Oxidised Vitamin C (ascorbic acid) crystals. Credit:Spike Walker

Carrapato a chupar sangue de uma perna

Autor: Ashley Prytherch

Nota: Os cervídeos são os hospedeiros habituais do carrapato. A perna é do fotógrafo.

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Deer tick embedded in skin of leg. Credit: Ashley Prytherch, RoyalSurrey County Hospital NHS Foundation Trust

Lamas agrícolas

Autores: Eberhardt Josué Friedrich Kernahan, Enrique Rodríguez Cañas

Nota: Além das estruturas de óxido de prata vêem-se outras de carbonato de cálcio (a castanho). As lamas foram queimadas de modo a aferir a quantidade de carbono, hidrogénio, azoto e enxofre presente na amostra. Esta técnica de queima permite analisar muitos outros compostos, pelo que utiliza-se na monitorização ambiental, por exemplo, para detectar contaminação de solos. A largura da imagem é de 0,155 mm.

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Agricultural sludge sample. Credit: Eberhardt Josué Friedrich Kernahanand Enrique Rodríguez Cañas

Ovo de piolho num cabelo humano

Autor: Kevin Mackenzie

Nota: A largura da imagem é 1,5 mm.

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Head louse egg attached to a strand of hair, SEM. Credit: KevinMackenzie, University of Aberdeen

Pedra do rim

Autor: Kevin Mackenzie

Nota: A pedra mede 2 mm e pertencia ao autor da imagem.

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Kidney stone, SEM. Credit: Kevin Mackenzie, University of Aberdeen

Fibras nervosas num cérebro humano

Autor: Zeynep M. Saygin

Nota: A parte de trás do cérebro está do lado esquerdo da imagem e o lado esquerdo do cérebro está em cima. A azul vêem-se as fibras que comunicam para cima e para baixo (pescoço - cabeça); a verde as que comunicam para a frente e para trás; e a vermelho as que comunicam para os lados, no espaço entre as orelhas.

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Nerve fibres in a healthy adult human brain, MRI. Credit: Zeynep M.Saygin, McGovern Institute, MIT

Flores de Astrantia major

Autor: Henry Oakeley

Nota: Planta europeia que antigamente era utilizada para vários fins medicinais - úlceras, dores de dentes, cãibras, etc. -, mas que caiu em desuso devido a indesejáveis efeito secundário: é um poderoso laxante e é abortiva.

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Astrantia major 'Hadspen Blood'. Credit: Dr Henry Oakeley

Cabeça de Foca

Autor: Anders Persson

Nota: Pode-se aumentar, rodar ou seccionar esta imagem 3D.

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Seal, CT. Credit: Anders Persson

Painel Solar

Autores: Eberhardt Josué Friedrich Kernahan, Enrique Rodríguez Cañas

Nota: Largura da imagem - 0,32 mm.

B0009285 CIGS, semiconductor on thin film solar/ph

CIGS, semiconductor on thin film solar/photovoltaic cells. Credit:Eberhardt Josué Friedrich Kernahan and Enrique Rodríguez Cañas

Botão de Lírio

Autor: Spike Walker

Nota: Largura - 10 mm. No centro da imagem está a parte feminina da planta onde estão 6 óvulos.

B0009291 Lilium flower bud, TS

Lilium flower bud, TS. Credit: Spike Walker

Tratamento ao cancro da mama

Autores: Khuloud T. Al-Jamal, Izzat Suffian

Nota: Células cancerígenas (a azul) "atacadas" por medicamento anti-cancerígeno, transportado por nano-partículas (0,000006 mm). A rosa vêem-se células cancerígenas mortas pela acção do medicamento.

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Breast cancer cells treated with nano sized drug carriers. Credit:Khuloud T. Al-Jamal & Izzat Suffian

Maxilar medieval

Autor: Kevin Mackenzie

Nota: Imagem criada para estudar o osso humano sem danificá-lo e que permitiu extrair virtualmente os dentes.

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Medieval human mandible (lower jawbone). Credit: Kevin Mackenzie,University of Aberdeen

Endurecimento do tecido cardíaco

Autor: Sergio Bertazzo

Nota: A laranja vêem-se sais de cálcio incrustados na válvula cardíaca.

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Human heart (aortic valve) tissue displaying calcification. Credit:Sergio Bertazzo, Department of Materials, Imperial College London

27
Ago13

“I have a dream” – 50º aniversário

Arca de Darwin
Racismo é estupidez. A nossa cor apenas define a latitude onde viveram os nossos antepassados e a correspondente adaptação à exposição solar."I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the colour of their skin but by the content of their character.I have a dream today!", Martin Luther King, Washington, 28 de Agosto de 1963("Eu tenho um sonho que os meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu carácter. Eu tenho um sonho, hoje!")

Mapa das cores de pele indígenas

Amanhã celebra-se o 50º aniversário daquele que é, sem dúvida, um dos discursos mais famosos e relevantes da História. Proferido por Martin Luther King no Memorial de Lincoln, em Washington, contou com 200.000 activistas que participavam numa marcha do Movimento pelos Direitos Civis.

 A estação de rádio britânica BBC Radio 4 assinala o dia com a transmissão do discurso na íntegra (9:00 e 14:30 – horas locais). A voz de King abrirá e fechará a emissão. Pelo meio, várias personalidades envolvidas na luta pelos direitos humanos lerão passagens do discurso. Entre elas estarão o monge Dali Lama, o Nobel da Paz Muhammad Yunus, a cantora Joan Baez e Malala Yousafzai, rapariga paquistanesa de 16 anos alvejada por talibãs por ir à escola.
25
Jul13

Evolução, invasoras e a publicação anteriormente conhecida por “jornal de referência”

Arca de Darwin
aqui falei da relação difícil entre o jornalismo e a natureza. Essa dificuldade estende-se a outras secções dos media e tende a agravar-se à medida que cada vez mais bons jornalistas são despedidos, e depois substituídos por estagiários não remunerados, que ficam apenas três meses nas redacções. As duas “gafes” seguintes ocorreram no jornal Público – supostamente o diário nacional de referência –, uma no final de Junho e outra em meados deste mês.

Chorão-das-praias, Ericeira

A mais recente não é da autoria de um jornalista – é de uma engenheira hortofrutícola e arquitecta paisagista –, mas passou o crivo da edição. Com o título Vamos cultivar suculentas e ilustrado com a foto de um chorão-das-praias, o artigo começa assim: “Erva-pinheira, arroz-dos-telhados ou chorões-das-praias são apenas alguns exemplos destas plantas, que, por serem fáceis de cuidar, são ideais para novatos. Podem ser implantadas em vasos, floreiras ou jardins”. Na verdade, o chorão-das-praias (Carpobrotus edulis) não pode. Porquê? É ilegal, visto tratar-se de uma espécie exótica e invasora. (mais informação sobre este artigo, aqui)

Melro, Parque das Conchas, Lisboa

A mais antiga é um atropelo ao evolucionismo (e não só). Com o título Melros da cidade evoluem e ficam mais tímidos, começa assim: “A revolução industrial teve o condão de acelerar o crescimento das cidades, com um impacto incontornável no mundo natural. Um dos primeiros efeitos observados, que hoje é um exemplo clássico da adaptação de uma espécie ao ambiente, aconteceu quando uma população de borboletas, em poucas gerações, passou a ter asas pretas em vez de brancas graças à fuligem produzida pelas fábricas”. Não percebo bem o que o autor quer dizer, mas o que aconteceu foi que a população de borboletas já tinha variantes com asas pretas e outras com asas brancas (as predominantes antes da revolução industrial). A poluição que depois surgiu escureceu os locais onde as borboletas pousavam. Nestas condições, a cor preta das asas servia de camuflagem, aumentando a probabilidade de sobrevivência desta variante. As brancas destacavam-se no preto e estavam mais vulneráveis aos predadores.Então, e os melros? A escolha do adjectivo “tímido” contraria o que qualquer pessoa facilmente constata quando compara o comportamento desta ave na cidade com o comportamento dela no campo: nos jardins da cidade quase que vêm comer à mão dos humanos; no campo fogem assim que detectam a presença humana. O estudo que serve de base ao artigo do Público refere que os melros da cidade evitam objectos novos no seu habitat, enquanto que os do campo aproximam-se destes elementos estranhos.E assim vai o jornalismo de referência.
10
Mai13

Águias e leões no Benfica vs Chelsea

Arca de Darwin
Os dois clubes que disputarão a final da Liga Europa 2012/2013, no dia 15 de Maio, em Amsterdão, têm animais nos respectivos emblemas: a águia, no do Benfica (e também, por exemplo, no do Portimonense e no da Lázio);  e o leão, no do Chelsea (e também, por exemplo, no do Sporting, no do Olhanense e no do Marítimo). No caso do leão é fácil identificar a espécie. Trata-se da Phantera leo, género a que também pertence o tigre (Phantera tigris), o leopardo (Phantera pardus) e o jaguar (Phantera onca). Uma das características que une estes quatro felinos é a capacidade de rugir, graças à ossificação incompleta do osso hióide.

Leão (Panthera leo), Zoo de Lisboa

Em 2006, análises de ADN integraram um 5.º elemento neste grupo restrito: o leopardo-das-neves (Panthera uncia), anteriormente conhecido por Uncia uncia. No entanto, apesar da ossificação incompleta do osso hióide, o leopardo-das-neves é incapaz de rugir, pois a morfologia da sua laringe difere da dos outros quatro felinos.

Tigre (Panthera tigris), Zoo de Lisboa

O termo “águia” engloba várias espécies. No emblema do Portimonense trata-se da águia-de-Bonelli (Hieraaetus fasciatus), espécie que existe em Portugal, tal como acontece com a águia-real (Aquila chrysaetos), águia-imperial (Aquila heliaca) – visita-nos vinda de Espanha –, águia-gritadeira (Aquila clanga), águia-calçada (Hieraaetus pennatus) e águia-cobreira (Circaetus gallicus). Todas elas são de grande porte e têm bicos poderosos. Fora deste grupo ficam a águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), de dimensão média e incluída no grupo dos búteos, e o milhafre-preto (Milvus migrans). É a esta última espécie (ou ao milhano, Milvus milvus) que pertencia a ave que dava a volta ao relvado da Luz, pousada no braço do seu tratador. Depois chegou a “Vitória”, uma águia-de-cabeça-branca, oriunda da América do Norte, que encanta os adeptos com o seu majestoso voo sobre o campo de futebol.

Águia-de-cabeça-branca. Foto: Phil Coleman (United States Fish and Wildlife Service)

O leão do Chelsea simboliza virtudes como a bravura e a força. A águia do Benfica encarna a independência, a autoridade e a nobreza.