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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

30
Mai22

Lobélia-brava (“Lobelia urens”)

Arca de Darwin

A Primavera está quase a dar lugar ao Verão. Nas zonas altas da Tapada de Mafra são já poucas as espécies de flores que dão cor à paisagem. Aqui e ali ainda se encontra uma outra dedaleira e algumas margaridas minúsculas. Mas há uma espécie que tinge de azul ou roxo as bermas dos caminhos e os pequenos prados: a lobélia-brava (Lobelia urens).

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27
Jun20

A colorida "Zygaena fausta"

Arca de Darwin

A borboleta Fausta (Zygaena fausta) é uma traça diurna muito bonita.

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As cores preto, vermelho e branco anunciam aos potenciais predadores que ela sabe mal ou é venenosa (este aviso através das cores tem o nome de aposematismo).

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Gosta de solos calcários em zonas rochosas na orla de florestas. Existe na parte ocidental da Europa.

As larvas alimentam-se de plantas do género Coronilla.

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O género Zygaena tem várias espécies. A mais parecida com a Z. fausta talvez seja a Z. hilaris, mas o abdómen desta é totalmente preto, ao passo que na Z. fausta são evidentes os anéis vermelhos.

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Voa de Maio a Outubro.

Pertence à família Zygaenidae.

16
Jun20

Borboleta-loba ("Maniola jurtina")

Arca de Darwin

A borboleta-loba (Maniola jurtina) mede 44 a 50 milímetros de envergadura.

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A face inferior da asa anterior é laranja com borda acastanhada e tem um ocelo relativamente pequeno, que é ligeiramente maior na fêmea.

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A face inferior da asa posterior é cinzento-acastanhada com uma mancha mais clara na extremidade, e pode ter alguns pontos pretos de tamanho variável.

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Nos machos, a face superior das asas é castanho-escura, tem um ocelo preto e uma mancha androconial escura. Nas fêmeas, têm um padrão mais trabalhado, com várias partes cor de laranja.

Macho

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Fêmea

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É uma espécie comum em todo o país e vive em prados e terrenos incultos.

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O adulto voa entre Março e Outubro.

Pertence à família Nymphalidae.

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10
Jun20

Castanhinha-dos-carvalhos ("Satyrium esculi")

Arca de Darwin

A castanhinha-dos-carvalhos (Satyrium esculi) é uma borboleta pequena —envergadura de 2,6 a 3,4 centímetros — da família Lycaenidae, que se distingue pela cor castanha, manchas cor de laranja por vezes rodeadas de preto e pequenos pontos/traços brancos que formam uma espécie de linha descontínua.

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Tal como o nome comum indica, vive em bosques de carvalho e nas suas orlas (a lagarta alimenta-se de carrascos e azinheiras), mas também em prados floridos e encostas com arbustos.

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Existe no Norte de África, Península Ibérica, França e Itália.

Voa de Abril a Agosto.

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06
Jun20

Guarda-portões-menor ("Pyronia cecilia")

Arca de Darwin

A borboleta guarda-portões-menor (Pyronia cecilia), também conhecida por cecília, tem um ocelo negro com duas pupilas brancas na face superior da asa anterior. Os machos têm uma mancha castanha. Esta mancha é mais "geométrica" do que a dos machos de uma outra borboleta do mesmo género, a P. bathseba — ou lobito-castanho — da qual já falámos aqui. A face inferior da P. bathseba tem uma risca branca bem definida, enquanto que a da P. cecilia é mais "abstracta".

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Em Portugal existe ainda uma outra espécie deste género, a P. tithonus (ou pirónia), que se distingue por ter pintas brancas na face inferior.

Voltando à cecília, ela é muito comum em Portugal e existe na Europa e no Norte de África. Gosta de locais quentes com pouca vegetação.

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A envergadura é de 28‒34 milímetros e voa entre Abril e Setembro.

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Pertence à família Nymphalidae.

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24
Mai20

Borboleta melanargia-comum ("Melanargia lachesis")

Arca de Darwin

Na Península Ibérica o género Melanargia tem cinco espécies (nesta página do projecto espanhol Taxofoto encontra uma óptima descrição das diferenças entre elas). Aqui na Arca já falámos da ameaçada M. occitanica, e agora é a vez desta M. lachesis, espécie conhecida por melanargia-comum e branca-preta-comum.

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A envergadura é de 50-58 milímetros.

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Vive em prados e terrenos incultos de Portugal, Espanha e França.

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Voa entre Maio e Agosto.

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Pertence à família Nymphalidae. Tirei estas fotos na EBIO de Fontelas, Loures.

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20
Mai20

Douradinha-silvestre ("Thymelicus sylvestris")

Arca de Darwin

A bonita borboleta da primeira fotografia é um macho da espécie Thymelicus sylvestris, ou douradinha-silvestre. A risca preta que se vê na superfície superior da asa direita chama-se mancha androconial, e é por onde os machos segregam o odor que atrai as fêmeas. Outra característica desta espécie (e que permite distingui-la das outras duas espécies deste género que existem em Portugal: a T. acteon e a T. lineola) é que as extremidades das antenas são cor de laranja (na última foto esta característica não é clara, pelo que pode tratar-se de um indivíduo de uma das outras duas espécies).

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A douradinha-silvestre tem uma envergadura de 26 a 30 milímetros.

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É uma espécie comum em Portugal, gosta de prados floridos e o adulto voa de Abril a Agosto.

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07
Mai20

Na berma da estrada

Arca de Darwin

Junto à minha casa as roçadoras já reduziram todos os espaços verdes a apenas relva. Nesta estrada, que fica mais afastada e até talvez noutra freguesia, as bermas ainda vibram com vida. A imensa variedade de plantas salta à vista. Um olhar mais pausado regista uma também imensa variedade de insectos (muitos dos quais servirão de alimento a várias aves, répteis e mamíferos), entre os quais várias espécies de borboletas e de abelhas. Estas últimas têm sofrido um declínio mundial bastante acentuado, e por todo o lado se multiplicam iniciativas para as salvar. A abolição de pesticidas e herbicidas na limpeza urbana e a plantação/manutenção de matos floridos são medidas que geralmente figuram nos planos de acção destas iniciativas.

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13
Mar20

Bolhas de Sabão

Arca de Darwin

Há cerca de uma semana, um homem animava o Terreiro do Paço, em Lisboa, com as suas bolhas de sabão. Estas efémeras bolas voadoras são igualmente fascinantes para crianças e adultos. A diferença é que os segundos, geralmente, não desatam a correr atrás delas.

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Dois vultos enormes  da cultura mundial também sucumbiram ao encanto das bolhas de sabão. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche e Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Caeiro é o poeta da natureza e das sensações. É simples, objectivo e ingénuo.

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E eu, que estou bem com a vida, creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens. Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arranca lágrimas e canções.

Friedrich Nietzsche (1883‒1885), em Assim Falou Zaratustra

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As bolas de sabão que esta criança

Se entretém a largar de uma palhinha

São translucidamente uma filosofia toda.

Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,

 

Amigas dos olhos como as coisas,

São aquilo que são

Com uma precisão redondinha e aérea,

E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,

Pretende que elas são mais do que parecem ser.

 

Algumas mal se vêem no ar lúcido.

São como a brisa que passa e mal toca nas flores

E que só sabemos que passa

Porque qualquer coisa se aligeira em nós

E aceita tudo mais nitidamente.

Alberto Caeiro (1914), em O Guardador de Rebanhos — Poema XXV

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09
Ago19

Cinzentinha ("Leptotes pirithous")

Arca de Darwin

A cinzentinha (Leptotes pirithous) é uma borboleta pequenina — tem uma envergadura máxima de 30 milímetros — da família Lycaenidae.

Cinzentinha (Leptotes pirithous), Pouves, São Pedro do Sul

A cinzentinha tem várias gerações anuais e voa praticamente durante todo o ano — de Fevereiro a Dezembro. Gosta de terrenos incultos expostos ao sol.A face superior da asa dos machos é azul e a das fêmeas é castanha. Na face inferior destacam-se dois ocelos escuros rodeados de laranja junto à cauda filiforme. Esta face inferior assemelha-se à face inferior de uma outra borboleta, a Lampides boeticus, mas esta última tem uma banda branca bem delineada que atravessa a asa. Sendo uma borboleta diurna, as antenas são em forma de clava, neste caso com segmentos brancos alternados com negros.