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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

13
Jan15

O ameaçado opossum-cauda-de-anel-ocidental ("Pseudocheirus occidentalis")

Arca de Darwin

O objectivo principal do "safari nocturno" era encontrar um opossum, animais activos durante a noite. Aqui, no sudoeste da Austrália Ocidental há duas espécies: o cauda-de-anel-comum (Pseudocheirus peregrinus) - common ringtail possum - que, como o nome indica, é bastante frequente; e o cauda-de-anel-ocidental (Pseudocheirus occidentalis) - western ringtail possum -, ameaçado, com estatuto de conservação "Em Perigo".

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Busselton é das poucas áreas onde o cauda-de-anel-ocidental ainda ocorre e, por sorte, foi um indivíduo desta espécie (na verdade foram dois) que vimos no safari nocturno. Tanto naquele quintal como nos outros que existem naquela urbanização nota-se que houve grande cuidado em preservar as árvores de grande porte que ali existiam. E esse é aspecto crucial para a sobrevivência destes animais.

 western ringtail possum 2

De facto, uma das causas do extremo declínio da população de P. occidentalis é a perda de habitat, principalmente pela "limpeza" de terrenos com vista à urbanização e à agricultura, mas também devida à morte ainda por explicar das árvores chamadas de peppermint tree (se partirmos as folhas elas exalam um aroma a hortelã-pimenta).

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O corpo mede cerca de 35 centímetros e a cauda, preênsil, mede outros tantos. Pesa até 1,1 quilos.

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10
Jan15

Safari fotográfico nocturno

Arca de Darwin

O Nick, um amigo australiano que vive em  Busselton, 200 km a Sul de Perth, convidou-me para um safari fotográfico nocturno no seu quintal. Não exagero (muito) ao usar a palavra "safari". Na escuridão do quintal, rodeados de sons dos mais diferentes animais e cobertos por um incrível céu pejado de estrelas, facilmente esquecíamos que a "civilização" estava apenas a alguns metros.

green tree frog 1

A foto deste post foi o melhor "troféu" da noite, mas não foi o único. O "modelo" é um sapo-verde-das-árvores (green tree frog) - Litoria moorei -, também conhecido por Motorbike Frog (sapo-mota), devido ao peculiar som do chamamento do macho.

green tree frog 2

Um dos aspectos mais interessantes - e desconcertante - deste anfíbio é a variabilidade de cor entre indivíduos da mesma espécie. Uns são verdes com pronunciadas manchas castanhas, outros são castanhos, outros ainda apenas verdes, lembrando a nossa rela (aliás, pertencem ambos à mesma família Hylidae). O mesmo indivíduo também muda o tom da pele como forma de camuflagem ou em resposta às condições climatéricas.

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Apesar do nome, o sapo-verde-das-árvores raramente trepa a alturas superiores a 2 metros. Geralmente encontra-se no solo ou em cercas, muros e ramos de arbustos.

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Mede até 8 centímetros.

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30
Dez14

Lagarto de cauda curta ("Tiliqua rugosa")

Arca de Darwin

É inofensivo, mas o tamanho - e o aspecto -  impressiona: mede cerca de 29 centímetros (do focinho à cloaca) e pesa até 900 gramas. O nome mais popular é Bobtail ("cauda curta" ou "cauda cortada") - Tiliqua rugosa -, mas tem muitos outros, como lagarto-de-língua-azul (Blue tongue lizard) ou lagarto-dorminhoco (Sleepy lizard). A língua é realmente azul e são, de facto, animais lentos que gostam de se aquecer ao sol.

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O aspecto estranho da cauda tem o seu propósito: assemelhar-se à cabeça de maneira a confundir os predadores. A cauda serve também para armazenar gordura que é utlizada durante o período de dormência no Inverno.

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No centro de recuperação de animais onde trabalhei existiam vários Bobtail (tanto em tratamento como a viver na propriedade), mas estes foram os primeiros que encontrei "cá fora" (e sabe bem não ter de os apanhar para poder limpar a "gaiola" nem ter de preparar-lhes comida).

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A dieta do Bobtail é omnívora: come fruta, ervas, flores, insectos, caracóis...

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A esperança média de vida na Natureza ronda os 12 anos. Muitos australianos mantêm Bobtails como animais de estimação e já se registaram casos de animais que vivem até aos 20 anos.

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27
Dez14

Escaravelho verde

Arca de Darwin

O escaravelho-verde (Green Carab Beetle) - Calosoma schayeri - mede entre 2,5 e 3 centímetros. A primeira característica que salta à vista é o verde-metalizado do corpo.

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Outra característica interessante é o facto de libertar um odor fedorento quando se sente ameaçado.

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Esta espécie australiana alimenta-se de lagartas - que captura durante a noite -, pelo que é um auxiliar da agricultura biológica.

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25
Dez14

A venenosa Jezebel de pintas vermelhas

Arca de Darwin

Vi esta borboleta ontem, na praia. A primeira coisa que me chamou à atenção foi o voo extremamente pausado. Tão pausado que dava para notar que o contraste entre a parte superior e a inferior das asas: prateado e preto em cima; vermelho, amarelo e preto em baixo.

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Este voo lento serve mesmo para isso: mostrar as cores garridas a potenciais predadores, avisando-os de que ela é venenosa. De facto, a Jezebel-de-pintas-vermelhas (Red-spoted Jezebel) - Delias aganippe - é tóxica graças a substâncias que a lagarta obtém através da planta hospedeira, e que depois mantém nas diferentes etapas do ciclo de vida.

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Borboletas de outras espécies aproveitam-se desta "má-fama" da jezebel, copiando as suas cores e padrão, de modo a que os predadores pensem que também elas são tóxicas.

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Quando quer, como acontece durante as migrações, a Jezebel voa de forma mais rápida.

Mede entre 60 mm e 70 mm de envergadura.

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20
Jul14

Viajar no tempo

Arca de Darwin

Os lugares que apelidamos de "parados no tempo" têm o condão de fazer-nos viajar. Os primeiros dois exemplos que me ocorreram diferem bastante um do outro: a Aldeia da Pena, com toda a calma que transmite; o Coliseu de Roma, com a sua inquietante atmosfera. A sensação de viagem é tão mais vívida quanto menos indícios do presente existirem, ou seja, o impacto de passear numa rua ladeada de edifícios do século XIX é maior se esta estiver vedada ao trânsito, se não possuir semáforos, etc..

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Tirei a foto em cima em Busselton, Austrália, num pontão de madeira com vista para a praia e para a fileira de pinheiros-de-Norfolk, árvores que crescem até aos 65 metros de altura. O que gosto nesta perspectiva, com excepção das bóias, é que seria a mesma se registada há 100 ou 200 anos. Ao contrário do que é habitual na Arca esta foto tem alguma "pós-produção", de modo a exprimir a maneira como sinto - e não como vejo - esta realidade.

30
Jun14

Aranha da teia dourada ("Nephila edulis")

Arca de Darwin

Aqui na Austrália há uma família de aranhas conhecida por Golden orb-weaving, isto é, aranhas que constróem teias arredondadas e douradas. São aranhas de grande dimensão, como esta Nephila edulis, que mede 23 milímetros (o macho mede apenas 6 mm).

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Há várias curiosidades sobre esta espécie, como o nome - edulis -, que significa comestível (diz que, assada no espeto, é um pitéu para os lados da Nova Guiné...).

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O nome comum revela outra particularidade: a teia dourada. Esta, além da bonita cor, é bastante forte, sustendo até impactos de pequenas aves. Tem cerca de 1 metro de diâmetro, mas os fios que a suportam medem até 8 metros. Quando se sente ameaçada a aranha abana a teia, fugindo a coberto do "estardalhaço" de reflexos dourados que confunde os predadores.

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A N. edulis é bastante comum e não é perigosa para os humanos. É fácil de observar dado que passa o dia na teia. O minúsculo macho também vive nas extremidades da teia - aliás, meia dúzia deles ronda por ali -, na esperança de acasalar. Se conseguir, o mais provável é acabar como repasto para a fêmea.

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A fêmea e os seus pretendentes não são os únicos habitantes da estrutura sedosa. De facto, várias pequenas aranhas prateadas mantêm uma relação simbiótica com a N. edulis: as primeiras alimentam-se dos inúmeros insectos capturados na teia e que são pequenos para a N. edulis, a qual beneficia dos serviços de limpeza das pequenas aranhas, que mantêm a teia limpa e livre de parasitas.

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19
Jun14

O cantor que gosta de néctar ("Lichenostomus virescens")

Arca de Darwin

O nome comum - Singing Honeyeater (comedor-de-néctar cantor) - deve-o às cantilenas madrugadoras que duram até uma hora. Este Lichenostomus virescens tem o aspecto típico de um comedor-de-néctar ("honeyeater"). No entanto, em comparação com o primo New Holland Honeyeater, apresenta plumagem menos exuberante: cinzenta, apenas com eyeliner preto e sombra amarela.

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Há mais duas diferenças em relação aos outros comedores-de-néctar. A primeira é que o cantor consome mais insectos do que néctar (e frutos).

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A segunda é que é habitual vê-lo no solo, terreno onde as outras espécies pouco se aventuram.

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Embora seja difícil observá-lo (por ser pequeno e irrequieto) é abundante na cidade e por vezes encontramos um a cada 50 metros de rua arborizada.

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Mede 19 centímetros e pesa cerca de 26 gramas.

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