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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

31
Out21

Escaravelho cárabo-picotado (“Carabus rugosus”)

Arca de Darwin

Os élitros castanhos-acobreados do Carabus rugosos parecem ter sido minuciosamente martelados por um caldeireiro, e provavelmente é daí que vem o nome comum: cárabo-picotado.

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O comprimento deste coleóptero varia entre uns impressionantes 27 e 31 milímetros.

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A espécie está ativa durante todo o ano, mas é mais abundante na Primavera e no Inverno. Este exemplar foi fotografado há uns dias atrás enquanto chovia. A chuva parece ter despertado também muitos caracóis que, curiosamente, são uma das presas preferidas deste escaravelho. O processo de predação não é lá muito simpático. “(...) Fazem uma digestão externa pré-oral, colocando enzimas na presa e depois com o auxílio das sedas das suas mandibulas, ingerem os fluidos daí resultantes”, lê-se aqui.

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29
Jun20

O ameaçado Longicórnio ("Cerambyx cerdo")

Arca de Darwin

O escaravelho longicórnio (Cerambyx cerdo), também conhecido por capricórnio-das-quercínias, rosca e larva-da-madeira, é um dos maiores coleópteros da nossa fauna: o adulto mede entre 17 e 56 milímetros de comprimento e a lagarta chega a atingir entre 70 e 90 milímetros.

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O exemplar que aparece neste post é uma fêmea, pois o último segmento das antenas é do mesmo tamanho que o segmento anterior (e o comprimento da antena é aproximadamente igual ao do corpo). Nos machos as antenas são muito maiores, e o último segmento é muito maior que o penúltimo.

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Outra característica desta espécie é a coloração castanho-avermelhado da parte distal dos élitros.

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Os adultos alimentam-se da seiva de feridas recentes e de frutos. Por isso, a espécie prefere áreas agroflorestais e gosta particularmente de carvalhos velhos, mas também de nogueiras, castanheiros, salgueiros, plátanos e freixos.

O desenvolvimento dura três anos. Entre Junho e Setembro, os ovos são depositados em feridas ou fendas de troncos ou ramos de árvores. As larvas passam então por cinco estádios larvares durante 31 meses, ao longo dos quais vão-se alimentando da madeira e escavando galerias — o que pode levar à morta da árvore, mas em geral alimentam-se de árvores já mortas ou velhas e doentes.

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Existe no Norte de África, Europa e Ásia Menor. A nível global é uma espécie ameaçada devido à perda de habitat, e tem estatuto de Vulnerável (VU). Na Europa tem estatuto de Quase Ameaçado (NT — Near Threatened), mas é comum na região mediterrânica e por cá tem estatuto de Menos Preocupante (LC — Least Concern).

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É uma espécie com hábitos crepusculares e nocturnos, mas na nossa latitude também pode ser observada durante o dia.

Pertence à família Cerambycidae.

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12
Out13

“Chrysolina bankii” – o escaravelho de brilho metálico

Arca de Darwin
Parece mal dizer isto, mas chamo a sua atenção para o edeago (parte final do órgão sexual masculino) do escaravelho Chrysolina bankii, visível na foto em baixo.

Escaravelho (Chrysolina bankii), Parque do Tejo, Lisboa

Comum em Portugal e noutros países mediterrânicos, a C. bankii distingue-se pelo tom verde metalizado dos élitros (primeiro par de asas endurecidas, que cobrem o segundo par e o abdómen), os quais apresentam “mossas” nas superfície, e pelo tom carmesim das patas, antenas e palpos.

Mede entre 7 e 11 milímetros.

Ao contrário do que a imagem seguinte sugere, alimenta-se apenas de plantas, principalmente das labiadas (família Lamiaceae), como o alecrim, alfazema e hortelã.

14
Set13

Escaravelho-enrola-bosta vence Ig Nobel

Arca de Darwin
Depois de tanta atenção mediática a vitória era previsível. A equipa de cientistas de universidades suecas e sul-afriacanas que descobriu que o escaravelho-enrola-bosta-africano pode orientar-se seguindo a Via Láctea venceu o Ig Nobel de Astronomia e Biologia 2013. Os autores publicaram os resultados na revista Current Biology.

Fotos: Bruno Gilli/ESO; Current Biology

Anunciados anteontem, estes prémios atribuídos pela revista humorística Annals of Improbable Research distinguem investigações que passaram o escrutínio de publicações científicas. Os galardões são entregues por vencedores de prémios Nobel – a quem os organizadores chamam de “os outros, os da academia sueca”.

Entre os estudos eleitos este ano há mais alguns que, sem dúvida, merecem destaque. Desde logo, o Ig Nobel da Física. A equipa liderada pelo italiano Alberto Minetti descobriu que certas pessoas seriam capazes de correr sobre a superfície de um lago, desde que o lago e as pessoas estivessem na Lua.Da Tailândia chega o inevitável vencedor do Ig Nobel de Saúde Pública. Kasian Bhanganada e companhia descreveram os procedimentos cirúrgicos para usar na eventualidade de uma “epidemia de amputações penianas”. No entanto, e muito a propósito, salvaguardam que tais técnicas “devem-se evitar em casos em que o pénis foi parcialmente comido por um pato”.O Ig Nobel da Probabilidade salienta a perspicácia dos investigadores que perceberam que a probabilidade de uma vaca se levantar é maior à medida que aumenta o tempo que passa deitada. No entanto, é difícil prever quando é que uma vaca que está em pé se deitará.O Ig Nobel da Química foi para o Japão e homenageou o estudo que concluiu que as propriedades da cebola que provocam lágrimas são ainda mais complexas do que se pensava.Uma última nota para salientar os dois vencedores do Ig Nobel da Paz: Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia, por criar a lei que proíbe aplaudir em público, e a polícia bielorrussa, por prender um maneta ao abrigo desta lei.
10
Jul13

Ser criança na praia é...

Arca de Darwin
.... apanhar paguros (também conhecidos por caranguejo-eremita, casa-alugada e bernardo-eremita), colocá-los num balde e ficar “horas” a tirá-los à vez e a vê-los pôr a cabeça e as tenazes de fora da casa-alugada (estes crustáceos, da sub-família Paguroidea, ocupam cascas abandonadas de búzios e de caracóis. À medida que crescem mudam-se para “apartamentos” maiores).

Paguros, Tróia, Setúbal

Ser criança na praia também é apanhar aqueles irrequietos escaravelhos pretos (Timarcha sp.) que se passeiam na areia escaldante e sentir na palma da mão as cócegas provocadas pelas pequenas patas. E é escaparem-se entre os dedos ou caírem pela borda da mão sem que nada lhes aconteça e, uma vez no chão, tapá-los com areia e admirar a capacidade para se desenterrarem e prosseguir viagem.

É claro que ser criança é ainda muitas outras coisas. É fugir das ondas; apanhar conchas; fazer construções na areia; sair da água a tiritar; andar besuntado com quantidades industriais de protector solar; esperar ansiosamente pela hora a que passa a/o vendedor de bolas de Berlim; chegar à praia e olhar ansiosamente para o pau da bandeira (e esperar que esteja verde); mergulhar com um dos braço esticado e usar o polegar e o indicador da mão do outro braço para tapar o nariz; é escavar um buraco na areia molhada da baixa-mar, e ver uma piscina; ...; e é rebolar na rebentação das ondas: