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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

22
Fev20

Periquito-de-colar versão AZUL

Arca de Darwin

Ao longo dos últimos 40 anos o periquito-de-colar (Psittacula krameri) tornou-se uma espécie comum nos parques e jardins de Lisboa e os alfacinhas já se habituaram à presença desta barulhenta espécie exótica de plumagem verde e bico vermelho.

Aqui na Arca também já falámos do periquitão-de-cabeça-azul (Aratinga acuticaudata), outra espécie exótica que também vive em liberdade em Lisboa, e que também o corpo verde, mas é ligeiramente mais pequeno e tem a cabeça azul. Anteontem, quando estava perto da janela da sala, fui surpreendido pelo chamamento estridente típico do periquito-de-colar.

Eles costumam passar por aqui a voar, mas o mais perto que os vi pousar foi a algumas dezenas de metro, num eucalipto. Desta vez, o som indicava que o animal estava muito próximo. De facto, estava mesmo ao lado na janela do vizinho, pousado na caixa do estore. Para minha surpresa, o bicho era igual a um periquito-de-colar, mas era azul.

Pelo que entretanto li, há várias mutações que ocorrem no Psittacula krameri (veja-as aqui) e que produzem uma gama muito variada de cores, surgindo indivíduos azuis, mas também completamente amarelos e até albinos. (Este indivíduo tem uma anilha e talvez tenha fugido de uma gaiola.)

 

26
Jun12

A Rainha das borboletas

Arca de Darwin
A borboleta-monarca (Danaus plexippus) mede uns imponentes 10 centímetros de envergadura. É oriunda da América, mas as longas migrações de 150 milhões destas borboletas entre o Canadá e o México tornaram-na famosa em todo o mundo. Nenhum indivíduo completa a viagem de ida e volta, o que só enaltece a capacidade do GPS imbuído no seu código genético.

 

 No entanto, a foto abaixo foi tirada em Silves, no Algarve. De facto, a espécie está a colonizar o nosso país – talvez desde 1998 – e passa cá todo o ano, pondo de lado os impulsos migratórios.
25
Jun12

“O Pesadelo de Darwin”

Arca de Darwin
Mais do que um documentário sobre uma tragédia ecológica, Darwin’s Nightmare (2004), do austríaco Hubert Sauper, é um retrato dramático de uma era. O filme passa nos jardins da sede da Liga para a Protecção da Natureza, em Lisboa, a 9 de Agosto, e insere-se no Ciclo de Cinema Ambiental, que começou a 14 de Junho. A entrada é gratuita.

O pesadelo ecológico começa no final dos anos 50 do século passado, quando alguém introduziu algumas percas-do-Nilo no Lago Vitória, em África. Esta espécie carnívora multiplicou-se rapidamente e acabou por extinguir mais de 210 espécies de ciclídeos, a maioria herbívoros, que viviam naquele que é o maior lago tropical do mundo. Em 1977 os ciclídeos representavam 32% das capturas da pesca e a perca-do-Nilo 1%. Em 1983 ocorria o inverso: 1% para os ciclídeos e 68% para a perca-do-Nilo.A extinção das espécies indígenas provocou a eutrofização (aumento de nutrientes que leva ao crescimento de algas e consequente redução dos níveis de oxigénio) do lago. Os impactos ecológicos não ficaram por aqui. Para fumar a perca-do-Nilo abateu-se grande parte da floresta em torno do lago. Por outro lado, a falta de ciclídeos fez com que muitos pescadores passassem também a caçar na floresta, aumentando a pressão sobre as espécies terrestres.Mas há um outro lado desta tragédia. O premiado documentário Darwin’s Nightmare mostra a miséria, a indignidade e a morte instaladas nas margens do lago, na Tanzânia. Ninguém fica bem na fotografia: Governo local, Banco Mundial, União Europeia, etc.. “You’re part of the big system”, lê-se num calendário de uma fábrica onde se retiram filetes das percas com tamanho de gente. Os filetes seguem para a Europa e para o Japão (são a maior exportação da Tanzânia para a União Europeia); os restos de carne agarrados às carcaças dos peixes são vendidos à população local. Os aviões que diariamente levam os filetes chegam carregados com armas para alimentar guerras no Congo, Libéria, Sudão..., acusa o jornalista Richard Mgamba.Neste excerto do documentário aparece o guarda do Instituto Nacional de Pescas. Recebe um dólar por dia e conseguiu o trabalho porque o seu predecessor foi assassinado. Patrulha o instituto com um arco e setas com a ponta coberta de veneno.http://youtu.be/qJhHLUbdUjg