Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

11
Mar20

Camélias: poemas de Inverno

Arca de Darwin

As camélias em flor consolam a vista durante os meses cinzentos de Inverno. Na Estufa Fria algumas já começaram a secar, mas ainda vai a tempo de desfrutar das várias variedades da espécie Camellia japonica que ali existem . As cores mais comuns das flores são o branco, o rosa e o vermelho, por vezes com manchas riscas ou pintas. As flores das camélias, regra geral, não têm cheiro (há algumas poucas variedades criadas pelo homem que têm cheiro).

camellia japonica 1.jpg

Atualmente existem no mundo mais de 3000 variedades de C. japonica das quais 400 são portuguesas. Na Estufa Fria encontrei as variedades Alba Plena, Augusto Leal Gouveia Pinto, Lavinia Maggi, Magnolaeflora, Mathotiana, e Mathotiana Rubra.

camellia japonica 6.jpg

camellia japonica 7.jpg

magnolaeflora 2.jpg

A C. japonica é uma cameleira nativa da China, Japão, Taiwan e Coreia do Sul. Por cá também é conhecida por japoneira e roseira-do-japão (no Japão chama-se «tsubaki», que também é o nome do óleo que dela se extrai e que é usado em massagens e como amaciador).

camellia japonica 5.jpg

A história deste arbusto ou árvore de pequena dimensão ― pode chegar aos 11 metros de altura, mas geralmente mede entre 1,5 e 6 metros ― tem um capítulo muito importante em Portugal, pois o nosso país, foi o primeiro na Europa a receber esta espécie. A plantação de camélias teve início em 1550 no Porto e em Gaia. A Quinta de Campo Belo, em Gaia, é conhecida por ter as cameleiras mais antigas da Europa. Já o Porto ostenta a distinção de ser conhecida como a «cidade das camélias».

camellia japonica 2.jpg

camellia japonica 3.jpg

camellia japonica 4.jpg

O epíteto surgiu em 1890 quando o escritor francês Georges de Saint-Victor escreveu em Portugal: Souvenirs et Impressions de Voyage: «O Porto é a pátria das camélias. Até nos cemitérios as há.» Anos mais tarde, em 1925, o escritor Alberto Pimentel afinou pelo mesmo diapasão ao referir: «Camélias ou rosas do Japão, o que é certo é que elas fizeram do Porto a sua pátria adoptiva.»

camellia japonica 9.jpg

c japonica-29 (1024x683).jpg

Outros escritores também não ficaram imunes aos encantos das camélias. Pedro Homem de Mello, no brevíssimo poema Camélias, avança a explicação para a falta de odor destas flores:

O perfume delas

É, talvez, a cor

camellia japonica 8.jpg

Sophia de Mello Breyner Andresen também alude à falta de aroma e esclarece que:

As camélias são muito diferentes dos gladíolos: são vagas, sonhadoras, distantes e pouco mundanas. Estão sempre escondidas entre as suas folhas duras e polidas. Mas os gladíolos admiravam as camélias por elas não terem perfume, pois, entre as flores, não ter perfume é uma grande originalidade.

camellia japonica a 10.jpg

No entanto, a obra que mais fama trouxe a estas flores é sem dúvida o romance semi-autobiográfico de Alexandre Dumas (o filho), de 1848, intitulado A Dama das Camélias. A musa do romance foi a cortesã francesa Marie Duplessis, por quem Dumas se apaixonou. Dumas descreve-a como sendo «alta e muito esbelta, de cabelo negro e rosto rosa e pálido. Tinha a cabeça pequena, olhos rasgados com o aspeto da porcelana de uma japonesa, mas vivos e finos, os lábios com o vermelho das cerejas e os mais belos dentes do mundo».

Marie_Duplessis.jpg

 

Marie Duplessis por Édouard Viénot, Wikimedia Commons, Public Domain

Duplessis gostava de alegrar a sua casa com flores, mas ficava mal disposta com o perfume das rosas, pelo que recorria às camélias. O romance conta como a personagem Marguerite Gautier (inspirada em Duplessis) usava uma camélia vermelha durante a menstruação, para que os clientes soubessem que estava indisponível, e uma camélia branca no resto do tempo.

camellia japonica flor seca.jpg

Para terminar, o poema Le Camélia de Honoré de Balzac, que fala das camélias, da sua cor, do Inverno, da falta de aroma…

Chaque fleur dit un mot du livre de nature:
La rose est à l'amour et fête la beauté,
La violette exhale une âme aimable et pure,
Et le lis resplendit de sa simplicité.

Mais le camélia, monstre de la culture,
Rose sans ambroisie et lis sans majesté,
Semble s'épanouir, aux saisons de froidure,
Pour les ennuis coquets de la virginité.

Cependant, au rebord des loges de théâtre,
J'aime à voir, évasant leurs pétales d'albâtre,
Couronne de pudeur, de blancs camélias

Parmi les cheveux noirs des belles jeunes femmes
Qui savent inspirer un amour pur aux âmes,
Comme les marbres grecs du sculpteur Phidias.

Versão em inglês:

In Nature's poem flowers have each their word 
 
The rose of love and beauty sings alone;
 
The violet's soul exhales in tenderest tone;

The lily's one pure simple note heard.

The cold Camellia only, stiff and white,

Rose without perfume, lily without grace,

When chilling winter shows his icy face,

Blooms for a world that vainly seeks delight.

Yet, in a theatre, or ball-room light,

I gladly see Camellias shining bright 

Above some stately woman's raven hair,

Whose noble form fulfills the heart's desire,

Like Grecian marbles warmed by Phidian fire
.

 

Variedades de Camellia japonica na Estufa Fria:

Alba Plena

alba plena 1.jpg

Augusto Leal Gouveia Pinto

augusto pinto 1.jpg

augusto pinto 2.jpg

Lavinia Maggi

lavinia maggi 1.jpg

lavinia maggi 2.jpg

Magnolaeflora

magnolaeflora 1.jpg

magnolaeflora 3.jpg

Mathotiana

mathotiana 1.jpg

mathotiana 2.jpg

mathotiana 3.jpg

Mathotiana Rubra

mathotiana rubra 1.jpg

mathotiana rubra 2.jpg

 

09
Mar20

"Menina calçando a meia"

Arca de Darwin

O escultor Leopoldo de Almeida (1898‒1975) tem várias obras bastante conhecidas em Lisboa, entre as quais se destacam as enormes figuras que adornam os lados do Padrão dos Descobrimentos, a estátua equestre de D. João I, na Praça da Figueira, e o monumento a Calouste Gulbenkian. A sua "Menina Calçando a Meia", obra de 1966 que é peça central da Estufa Fria de Lisboa, é igualmente merecedora de admiração. Dizem que a Menina é feita de mármore, mas é difícil acreditar que aquelas mãos que puxam a meia não sejam de carne e osso.

menina_calcando_meia 1.jpg

menina_calcando_meia 2.jpg

menina_calcando_meia 3.jpg

menina_calcando_meia 4.jpg

menina_calcando_meia 5.jpg

menina_calcando_meia 6.jpg

menina_calcando_meia 7.jpg

menina_calcando_meia 8.jpg

menina_calcando_meia 9.jpg

menina_calcando_meia 10.jpg

menina_calcando_meia a 11.jpg