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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

31
Out21

Escaravelho cárabo-picotado (“Carabus rugosus”)

Arca de Darwin

Os élitros castanhos-acobreados do Carabus rugosos parecem ter sido minuciosamente martelados por um caldeireiro, e provavelmente é daí que vem o nome comum: cárabo-picotado.

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O comprimento deste coleóptero varia entre uns impressionantes 27 e 31 milímetros.

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A espécie está ativa durante todo o ano, mas é mais abundante na Primavera e no Inverno. Este exemplar foi fotografado há uns dias atrás enquanto chovia. A chuva parece ter despertado também muitos caracóis que, curiosamente, são uma das presas preferidas deste escaravelho. O processo de predação não é lá muito simpático. “(...) Fazem uma digestão externa pré-oral, colocando enzimas na presa e depois com o auxílio das sedas das suas mandibulas, ingerem os fluidos daí resultantes”, lê-se aqui.

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30
Out21

Ruínas do Sanatório Albergaria

Arca de Darwin

No sopé do Miradouro de Cabeço de Montachique, em Loures, encontram-se umas ruínas que a natureza aos poucos vai reclamando.

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Trata-se do esqueleto do Sanatório Albergaria, que começou a ser construído em 1919 por iniciativa de Francisco Grandella, famoso pelos seus armazéns no Chiado (1891) — portanto, o pai dos centros comerciais.

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O sanatório destinava-se a pacientes com tuberculose. Por falta de financiamento, a obra nunca foi concluída. O projecto incluía, por exemplo, quartos para 36 doentes, jardins, uma farmácia e um forno crematório.

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A perspectiva aérea destas ruínas revela a inspiração maçónica, com os seus pilares e a sua estrela de sete pontas.

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20
Mar20

Orquídea erva-do-homem-enforcado ("Aceras anthropophorum")

Arca de Darwin

Os painéis informativos da EBIO de Fontelas, Loures, referem a presença da erva-do-homem-enforcado (Aceras anthropophorum), mas nos dois anos anteriores em que visitei o percurso nunca a encontrei. Ao terceiro ano foi de vez.

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No início de Março havia por ali vários exemplares, mas além de serem pequeninos — a espécie mede entre 10 e 40 centímetros de altura, uma dimensão normal para as orquídeas selvagens —, apresentam uma cor parda que se confunde com o resto da vegetação, e parecem gostar de sítios com alguma sombra. A espécie vive em prados e clareiras de bosques e matagais, em solos pedregosos (preferencialmente calcários). Existe na Europa, Norte de África e Ásia.

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Esta orquídea também é conhecida por erva-do-homem-pendurado, erva-dos-rapazinhos, ou só por rapazinhos. O nome deve-o ao formato do labelo, que se assemelha a um corpo humano e que fica "pendurado" sob as três sépalas que formam uma espécie de concha.

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Floresce entre Março e Junho. A informação sobre polinizadores que encontrei é proveniente de estudos em França, e refere que a planta é polinizada por vespinhas da sub-ordem Symphyta (Tenthredopsis sp. e Arge thoracica) e por coleópteros (Cantharis rustica, Cidnopus pilosus e Isomira murina).

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É a única espécie do género Aceras, mas há quem a inclua no género Orchis.

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22
Fev20

Orquídeas e outros seres pequeninos

Arca de Darwin

No início da semana passei pela EBIO de Fontelas, em Loures. As orquídeas já começaram a florir. Infelizmente, o terreno que fica do lado direito no início do percurso da EBIO foi arado e plantado. Esse terreno não só costumava ficar coberto de orquídeas piramidais como era o único local desta EBIO onde encontrei orquídeas-dos-homens-nus e orquídeas-gigantes. Neste passeio encontrei estas últimas junto à estrada, a cerca de 200 metros da aldeia (nas fotos, em baixo). A outra espécie de orquídeas que já floriu é a erva-vespa-rosada. Mas há por ali muito mais para ver e fotografar.

Erva-vespa-rosada

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Orquídea-gigante

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Carvalho centenário

01
Mai19

Orquídea erva-perceveja ("Orchis coriophora")

Arca de Darwin

A erva-perceveja (Orchis coriophora), também conhecida por erva-do-salepo e salepeira, é mais uma espécie de orquídea selvagem que se pode encontrar na Ebio de Fontelas, em Loures.

A espécie tem uma vasta área de distribuição — Europa, Norte de África e Ásia — que comporta várias subespécies, discutindo-se se algumas serão ou não espécies diferentes. A confusão chega ao nome, com alguns autores a colocá-la no género Anacamptis, ou seja, Anacamptis coriophora.

Certo é que pertence à família Orchidaceae. Curiosidade: orchis significa "testículo", e as orquídeas foram assim baptizadas devido ao aspecto dos bolbos subterrâneos.

A erva-perceveja tem um inflorescência com cerca de 40 centímetros de altura que comporta 15 a 25 flores purpuras e com cheiro (uma das subespécies emite odor a baunilha). Gosta de prados e clareiras de matos com alguma humidade.

 

A floração da erva-perceveja ocorre de Março a Junho.

28
Abr19

Azulinha-dos-calcários ("Cupido lorquinii")

Arca de Darwin

A azulinha-dos-calcários (Cupido lorquinii) é uma borboleta mínima da família Lycanidae: a envergadura varia entre 2,2 e 2,8 centímetros, ou seja, pouco maior que a unha do polegar.

A parte inferior das asas é cinzenta-clara, com pontos e traços pretos. A parte superior das asas dos machos é azul-violeta e debruada a preto. A das fêmeas é acastanhada.

Gosta de encostas rochosas perto de prados e matos.

Existe no Norte de África e na Península Ibérica. (Estas fotos foram tiradas na Ebio de Fontelas, em Loures.)

Voa de Março a Junho.

20
Mar19

Orquídea sem nome ("Cephalanthera longifolia")

Arca de Darwin

Hoje é o primeiro dia de Primavera. Na última semana as orquídeas da Estação da Biodiversidade de Fontelas, Loures, como se soubessem que a data estava à porta, começaram a florir. Há uns dias havia apenas um ou dois exemplares de Cephalanthera longifolia; ontem havia dezenas ao longo do curto percurso.

As flores — geralmente entre 5 e 25 — ainda não estão completamente abertas, mas aqui e ali já anteveem algumas manchas amarelas. A planta pode chegar aos 60 centímetros de altura, mas é mais comum ter entre 25 e 40 cm.

A época de floração ocorre entre Março e Julho.

Facto curioso: em Portugal a Cephalanthera longifolia não tem nome comum. Já o "longifolia" refere-se às folhas compridas e afiladas.

Encontra-se em espaços abertos ou sub-cobertos (em Fontelas está geralmente em áreas com alguma sombra), preferencialmente em solos calcários. A espécie existe na Europa, Norte de África e Ásia. Em Portugal ocorre de norte a sul e é relativamente abundante.

Em Fontelas, há algumas espécies de orquídeas que ainda não floriram, como é o caso da orquídea-piramidal. No entanto, a diversidade que ontem o local apresentava vale bem uma visita. Eis as fotos para servirem de guia:

Erva-vespa-rosadaOphrys tenthredinifera (pouco abundante no prado a seguir à linha de água, no final do percurso)

Erva-vespaOphrys lutea (abundante em todo o percurso, particularmente no prado a seguir à linha de água)

Moscardo-fuscoOphrys fusca (pouco abundante, parte intermédia do percurso)

Homens-núsOrchis italica (1 exemplar na parte superior do percurso — no prado do lado direito)

Orquídea-giganteHimantoglossum robertianum (1 exemplar na parte superior do percurso — no prado do lado direito)

04
Mai18

O carvalho de Portugal e o umbigo de Vénus

Arca de Darwin

O carvalho-cerquinho (Quercus faginea) de Fontelas, classificado como sendo de interesse público, é um dos destaques dessa Estação da Biodiversidade. As árvores de interesse público (a Arca já falou delas, por exemplo, aqui, aqui, aqui e aqui) têm estatuto de proteção semelhante ao do património edificado e distinguem-se pelo porte, desenho, idade, raridade, importância cultural ou histórica.No caso deste carvalho centenário, a autoridade florestal nacional salienta o "porte notável que dava sombra e frescura a um antigo tanque de lavagem de roupa e a um bebedouro de gado. O local constitui memória da vida tradicional saloia, muito utilizado pelos moradores de Fontelas". Este carvalho-cerquinho ‒ a espécie também é conhecida por carvalho-português ‒ tem 12,5 metros de altura e a copa tem um diâmetro de 20 metros (norte-sul) e 25 metros (este-oeste).

O painel que o acompanha refere que os ramos desta árvore "servem de substrato a diversas espécies: fetos, musgos, líquenes e também a plantas vasculares, como os umbigos-de-vénus".

O nome umbigo-de-vénus deve-se à forma das folhas, que são arredondadas, com uma depressão no centro.

Mas esta espécie, Umbilicus rupestris, tem muitos mais nomes comuns, como bacelos, bifes, cachilro, chapéus-de-parede, chapéus-dos-telhados, copilas, orelha-de-monge... Além de troncos de árvores, esta planta também cresce à sombra em muros, paredes e fendas rochosas. Pode atingir 30 centímetros de altura.

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