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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

22
Out12

A polígama fuinha-dos-juncos

Arca de Darwin
A fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis) é mais fácil de detectar do que de observar. Por um lado tem um voo característico, ondulante, como se a cada segundo caísse num mini-poço de ar, assinalando cada percalço com uma nota curta e aguda. Por outro, é uma ave pequenina (10 cm) e muito reservada, o que dificulta a observação das típicas riscas da cabeça e do dorso, e da mancha clara em torno do olho.

Este insectívoro é frequente nas áreas urbanas, mas prefere searas e terrenos abertos com ervas altas, e é pouco comum acima dos 1.000 metros de altitude.

Os machos são geralmente poligâmicos (têm mais do que uma fêmea), embora alguns sejam monogâmicos. As fêmeas trocam frequentemente de parceiro.
07
Out12

Três à mistura

Arca de Darwin
Depois da “apresentação” do rabirruivo-preto (Phoenicurus ochrurus) macho, eis a fotografia da fêmea. Em geral a espécie é monogâmica, isto é, cada indivíduo tem apenas um parceiro sexual, mas por vezes um macho vive com duas fêmeas. A da foto parecia pouco satisfeita com a concorrência. Perseguiu a segunda fêmea insistentemente e assumiu pose territorial, cantando no cimo da rocha.

Rabirruivo-preto (fêmea)

No entanto, há alturas em que a presença de um terceiro elemento é bem-vinda. Um artigo publicado em 2011 na revista Ardea mostrou que 1/3 (4 em 12) dos casais de rabirruivos era assistido nos cuidados parentais por um terceiro indivíduo. A investigação decorreu no Tibete, a 4.300 metros de altitude. “O período de incubação e o tamanho das ninhadas destes rabirruivos que vivem nestas terras altas são semelhantes aos dos rabirruivos europeus, mas os do Tibete produzem ovos maiores e menos ninhadas. Tal sugere uma estratégia para maximizar a sobrevivência das crias neste ambiente severo”, explicam os autores.

Rabirruivo-preto (macho)

Sobre a identidade do terceiro elemento os investigadores referem que apresentava “plumagem tipo-fêmea”. No único caso em que determinaram o sexo do ajudante concluíram tratar-se de um macho juvenil.
30
Mai12

Porque são as mulheres infiéis? (parte I de II)

Arca de Darwin

A insatisfação sexual ou a educação podem explicar o adultério, mas há factores que são entendidos através da biologia evolutiva. Como todos os seres vivos, os humanos são produto de uma seleção que actua sobre os genes e escolhe os que contribuem para o sucesso reprodutor.

Aos homens, aparentemente, a infidelidade compensava, pois passavam um maior número de genes à próxima geração. Já a mulher, e durante muitos séculos, beneficiaria de ter um só companheiro, de estatuto social elevado, que garantisse o futuro dos filhos. A sociedade evoluiu, mas o Homo sapiens continua preso a um cérebro concebido para caçar, no caso do homem, e para recolher alimentos e cuidar de bebés, no caso da mulher (daí que eles sejam melhores a ler mapas e elas tenham mais facilidade em comunicar).

As últimas décadas do século passado foram férteis em novidades sobre o papel da biologia na infidelidade. Matt Ridley, autor de Genoma, resume as principais descobertas sobre o assunto em A Rainha de Copas – o sexo e a evolução da natureza humana (editora Gradiva). Ridley recua ao início dos anos 80, altura em que os avanços das técnicas genéticas permitiram vasculhar ao pormenor a vida sexual de algumas aves. Numa delas, o papa-indigo, 40% das aves que um macho criava não eram realmente dele.

Motivados por este escândalo os biólogos descobriram que as fêmeas tinham encontros com machos mais atraentes ou de estatuto social superior ao do parceiro. Também constataram que, na natureza, o tamanho dos testículos variava com o sistema de acasalamento e que eram maiores nas aves monogâmicas que vivem em colónias. A explicação é simples: um macho que possui e controla um harém, embora acasale com várias fêmeas, gasta pouco esperma com cada uma. Mas numa colónia as fêmeas têm acesso a vários machos, pelo que a melhor estratégia do “marido” é “inundar” a fêmea com esperma, de modo a garantir que os seus genes são os que atingem o alvo.

Assim, a infidelidade em casais monogâmicos traz benefícios aos machos, porque aumentam o número de descendentes, e às fêmeas, porque mantêm um parceiro que presta cuidados parentais e asseguram genes de melhor qualidade para os descendentes.

As semelhanças entre a organização social de uma colónia de aves e a de uma cidade levaram os cientistas ca interrogarem-se sobre a infidelidade nas fêmeas humanas. A comparação não é disparatada, pois partilhamos elevado número de genes com outras espécies, mas requer precaução e bases científicas. Nos finais dos anos 80 os biólogos ingleses Mark Bellis e Robin Baker fizeram descobertas extraordinárias sobre a infidelidade das mulheres.

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