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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

21
Mar20

Pandemia e o desrespeito pela Natureza

Arca de Darwin

Sou licenciado em biologia, mas em 2011 trabalhava como jornalista numa revista. Nessa altura escrevi um artigo (que infelizmente não foi publicado) a propósito do lançamento do filme Contágio, o qual nas últimas semanas tornou-se um verdadeiro êxito nas plataformas de streaming. Encontra esse artigo neste post mais em baixo. Já lá vamos.

Nesta fase da pandemia de covid-19 o mais importante é salvar vidas, pelo que devemos cumprir as regras de distanciamento social que figuram no estado de emergência. Este coronavírus provoca pneumonias que matam (só ontem, em Itália, matou 627 pessoas elevando o total de mortos nesse país para 4032).

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26
Out18

Médicos escoceses receitam Natureza

Arca de Darwin

A notícia surgiu no início deste mês: os médicos do Serviço Nacional de Saúde de Shetland, Escócia, passaram a incorporar a Natureza no receituário para doenças como depressão, ansiedade e hipertensão arterial. O que faz todo o sentido.

Os médicos, em conjunto com uma ONG dedicada às aves (a RSPB Scotland), criaram um panfleto e um calendário online (que pode adaptar à realidade natural portuguesa) com actividades diferentes para cada mês: passear na praia e apanhar conchas; fazer uma salada de dentes-de-leão; procurar uma determinada ave; plantar uma árvore; criar uma escultura com pedras...

Inúmeros estudos mostram os efeitos benéficos para os humanos do contacto com a Natureza. Por exemplo, este, de que já falámos aqui, ou este, de 2016, que acompanhou mais de 108.630 mulheres nos Estados Unidos (pensa-se que os resultados também sejam válidos para os homens) e concluiu que as que vivem junto de zonas verdes tinham uma melhor saúde mental e física: a taxa de mortalidade devida a doenças renais é 43% mais baixa; 34% mais baixa no caso das doenças respiratórias; e 13% mais baixa na mortalidade por cancro.

As crianças também beneficiam, e muito, do contacto com a Natureza. Por exemplo, as melhorias notam-se ao nível das capacidades cognitivas, da criatividade, do relacionamento com os outros, do aproveitamento escolar, da auto-disciplina, da actividade física, e até da visão.

27
Nov17

Para que serve o Preto e Branco na Natureza?

Arca de Darwin

Se tem conta no Facebook provavelmente já se deparou com um convite para um desafio para diariamente, e ao longo de uma semana, colocar um post sobre um determinado tema. O desafio mais recente apela à publicação de fotografias a preto e branco. Desafiado, aldrabei ligeiramente as regras e publiquei de uma só vez 7 fotos de aves com apenas dois tons: preto e branco. Foram 7 mas podiam ter sido muitas mais.

Entretanto, pensei: para que serve o preto e branco na Natureza? Seria engraçado se houvesse uma resposta no âmbito da economia evolutiva, tipo: para os animais, produzir coberturas a preto e branco é mais "barato" que a cor, como as fotocópias. Ou então, no âmbito da antiguidade, tipo: o preto e branco é mais primitivo do que a cor, como as televisões. Mas não.

A verdade é que não se sabe para que serve o preto e branco. Tim Caro, professor de Biologia na Universidade da Califórnia em Davies, é o investigador que descobriu que as riscas da zebra servem para afugentar moscas, e assim evitar picadas, e que o padrão do panda tem várias funções: as partes brancas servem para camuflagem na neve; as orelhas pretas servem para indicar que o animal é perigoso e/ou agressivo; os olhos servem para identificação intra-específica ou para indicar agressividade.

Neste artigo, Caro resume o conhecimento actual sobre o assunto e conclui que o reconhecimento intra-específico e a indicação de que o animal é perigoso são as duas principais razões para padrões a preto e branco. Por outro lado, descarta explicações como sinalização de dominância ou regulação da temperatura do corpo.

09
Jul14

Pintura e Natureza: 53 melhores quadros

Arca de Darwin

Eis os 53 melhores quadros em que a Natureza é personagem principal. Qualquer selecção é subjectiva. Esta ainda mais, mas certamente inclui algumas das obras mais notáveis da história da Pintura. Critérios? Escolhi quadros de que gosto, de artistas consagrados, e que abrangem vários temas, técnicas, épocas e origens.

#53 - PAUL CÉZANNE (1839-1906). França

"Floresta"

cezanne_forest

#52 - WINSLOW HOMER (1836-1910). EUA

"Direita e esquerda"

winslow_homer

 

#51 - ARSHILE GORKY (1904-1948). Arménia

"Jardim em Sochi"

gorky_garden

 

#50 - ALBRECHT DURER (1471-1528). Alemanha

"Lebre jovem"

hare_durer

 

#49 - JEONG SEON (1676-1759). Coreia

"Vista geral do Monte Geumgang"

jeong_Seon

 

#48 - FRANZ MARC (1880-1916). Alemanha

"Pequenos cavalos amarelos"

franz_marc

 

#47 - PABLO PICASSO (1881-1973). Espanha

"A coruja"

picasso

 

#46 - MAX SLEVOGT (1868-1932). Alemanha

"Leopardo deitado"

max_slevogt_liegender_leopard

 

#45 - MARTIN JOHNSON HEADE (1819-1904). EUA

"Flores da paixão e colibris"

MJ_Heade_Passion_Flowers_and_Hummingbirds

#44 - JOHN CONSTABLE (1776-1837). Reino Unido

"Estudo de nuvens"

Sky, Constable

 

#43 - EGON SCHIELE (1890-1918). Áustria

"Sol de Outono e árvores"

Autumn sun and trees by Schiele.jpg

 

#42 - ALBANO NEVES E SOUSA (1921-1995). Portugal

"Queimada"

neves_e_sousa

 

#41 - HASEGAWA TOHAKU (1539-1610). Japão

"Pinheiros"

hasegawa-tohaku

 

#40 - CHARLES DARWIN (1809-1882). Reino Unido

"Lagarto"

lizard_darwin

 

#39 - MAN RAY (1890-1976). EUA

"Misunderstood"

ManRayMisunderstood

 

#38 - GEORGE STUBBS (1724-1806). Reino Unido

"Éguas e potros"

GEORGE_STUBBS

 

#37 - FREDERIC EDWIN CHURCH (1826-1900). EUA

"Rio de luz"

Frederic_Edwin_Church

 

#36 - AMADEO DE SOUZA-CARDOZO (1887-1918). Portugal

"Galgos"

galgos_souza_cardozo

 

#35 - GEORGIA O'KEEFFE (1887-1986). EUA

"Petúnias"

petunias_okeeffe

 

#34 - ALFRED SISLEY (1839-1899). França

"Margens do Sena no Outono"

Alfred_Sisley

 

#33 - ÉDOUARD MANET (1832-1883). França

"A fuga de Rochefort"

manet_rochefort-s-escape

 

#32 - FRIDA KAHLO (1907-1954). México

"Veadinho"

frida-kahlo

 

#31 - HENRI ROUSSEAU (1844-1910). França

"Leão faminto"

Rousseau-Hungry-Lion

 

#30 - EDVARD MUNCH (1863-1944). Noruega

"O Sol"

sun_munch

 

#29 - NICOLA FACCHINETTI (1824-1900). Itália

"Lagoa Rodrigo de Freitas"

Nicola_Facchinetti

 

#28 - PETER PAUL RUBENS (1577-1640). Alemanha

"Estudo para leões"

study-for-lion-rubens

 

#27 - LI KAN (1245-1320). China

"Bambus e rochas"

Li_kan_Bamboo_and_Rocks

 

#26 - JAMES PATERSON (1854-1932). Reino Unido

"Uma paisagem de Galloway"

james_paterson

 

#25 - JOHN JAMES AUDUBON (1785-1851). França

"Garça-branca-grande"

Great_Egret_Audubon

 

#24 - TARSILA DO AMARAL (1886-1973). Brasil

"Sol poente"

tarsila-do-amaral

 

#23 - EMIL NOLDE (1867-1956). Alemanha

"Lago Lucerne"

Emil Nolde_Lake Lucerne

 

#22 - MALANGATANA (1936-2011). Moçambique

Malangatana

 

#21 - ALFREDO KEIL (1851-1907). Portugal

"Malmequeres"

alfredo-keil

 

#20 - JOHN FREDERICK KENSETT (1816-1872). EUA

"Pôr-do-sol"

Sunset

 

#19 - CAMILLE PISSARRO (1830-1903). Holanda

"Pôr-do-sol"

Pissarro_Sunset

 

#18 - CASPAR DAVID FRIEDRICH (1774-1840). Alemanha

"Mar de gelo"

Caspar_David_Friedrich

 

#17 - SALVADOR DALI (1904-1989). Espanha

"Argus"

dali_argus

 

#16 - WASSILY KANDINSKY (1866-1944). Rússia

"Cestos na praia na Holanda"

kandinsky_Beach-Baskets-in-Holland

 

#15 - EUGENE VON GUÉRARD (1811-1901). Áustria

"Vista do Monte Kosciusko"

eugene_Guerard

 

#14 - JOHN SINGER SARGENT (1856-1925). EUA

"Rio de salmões"

sargent

 

#13 - THOMAS MORAN (1837-1926). Reino Unido

"Pôr-do-sol no Pacífico"

pacific-sunset-thomas-moran

 

#12 - ALBERT BIERSTADT (1830-1902). Alemanha

"Tempestade nas montanhas"

Albert_Bierstadt-Storm_in_the_Mountains

 

#11 - DAVID COX (1783-1859). Reino Unido

"Touro numa encosta na tempestade"

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#10 - "HOMO SAPIENS" (15.200 a.C.). França

"Megaloceros"

Lascaux,_Megaloceros

 

#9 - PIERRE-AUGUSTE RENOIR (1841-1919). França

"A pereira"

le-poirier-pierre-auguste-renoir

 

#8 - LEONARDO DA VINCI (1452-1519). Itália

"Estudo de cavalo"

da_vinci_Study_of_horse

 

#7 - CLAUDE MONET (1840-1926). França

"Rebentação"

Waves Breaking

 

#6 - GUSTAV KLIMT (1862-1918). Áustria

"Girassol"

klimt_sunflower

 

#5 - ARKHIP KUINDZHI (1842-1910). Rússia

"Manhã em Dniepre"

Archip

 

#4 - KATSUSHIKA HOKUSAI (1760-1849). Japão

"A grande onda de Kanagawa"

hokusai_Great_Wave_off_Kanagawa

 

#3 - PIET MONDRIAN (1872-1944). Holanda

"A árvore cinzenta"

mondrian_gray_tree

 

#2 - J. M. W. TURNER (1775-1851). Reino Unido

"Pescadores no mar"

William_Turner_-_Fishermen_at_Sea

 

#1 - VINCENT VAN GOGH (1853-1890). Holanda

"Noite estrelada"

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22
Out13

Como fazer nada

Arca de Darwin
A pedido de uma amiga recupero algumas dicas que escrevi sobre a difícil, mas muito compensadora, arte de fazer nada. Difícil, porque requer muito trabalho e horas de treino. Compensadora, porque beneficia a saúde, aumenta a produtividade no trabalho e melhora a vida pessoal. Eis os 7 mandamentos:

1 – PREPARAR

Fazer nada é uma actividade que não pode ser encarada ânimo leve – por vezes até causa estranheza e desconforto. Para que tudo corra bem deve:-         Desligar e retirar do seu campo de visão todos os objectos que a/o prendem ao mundo, como PC, telemóvel, telefone, post-it, etc.-         Isolar-se dos outros. Se tal não for possível, avise-os de que nos próximos minutos não a/o podem incomodar. Mostre que fala a sério!-         Acomodar-se. Sente-se confortavelmente no seu cadeirão ou sofá preferido, ou deite-se na cama (ou no chão).2 – INICIARFaça nada, mas por pouco tempo – cerca de 5 a 10 minutos (use um despertador para não ter de olhar para o relógio).3 – RESPIRARÉ impossível não respirar. Use-o como uma esponja para qualquer outro pensamento. Concentre-se em inspirar e expirar devagar. Sinta o ar a entrar e a sair dos pulmões. Pratique 5 a 10 minutos sempre que puder.

4 – RELAXARPara esta etapa precisa de realmente dominar as duas anteriores e de estar confortavelmente instalada/o. Pode optar pela auto-massagem ou  pelo reconhecimento da cada músculo do seu corpo. Na primeira situação comece pelos ombros e pescoço, e avance até à cabeça. Percorra depois as costas, braços e pernas. Na segunda, o objectivo é contrair e depois relaxar cada músculo. Comece nos pés, passe para as pernas e siga até às sobrancelhas.5 – TOMAR BANHOEncha a banheira com água bem quente. Entre devagar. Submerja-se e sinta o calor, primeiro a penetrar o corpo, e depois a expulsar a tensão e as preocupações.6 – SABOREAREscolha a sua bebida ou alimento de eleição. Rum, cacau quente, gelado, figo... o que for. Feche os olhos. Cheire. Coloque um bocadinho na boca. Saboreie devagar, sinta cada aroma nas papilas gustativas. Sinta a textura. Engula. Repita. 

7 – CONTEMPLARDesfrute da natureza. Escolha um lugar tranquilo, como um jardim, mata, praia, lago ou margem de um rio. Durante 20 minutos observe a beleza e a variedade das cores, texturas, animais, sons, plantas, pedras, etc.. demore-se nos pequenos detalhes.
04
Abr13

“Natural Beauty” – sensualidade em prol do ambiente

Arca de Darwin
A Natureza é sexy, e a sensualidade cativa. Mas estas características andam há muito arredadas das campanhas de sensibilização ambiental. Até agora. O responsável é o fotógrafo australiano James Houston, que vive em Nova Iorque, também conhecido pela participação em projectos de solidariedade, como a luta contra o cancro da mama, a educação sexual na adolescência e a prevenção da sida. Houston intervém através das imagens que cede para diferentes campanhas, dos documentários que realiza, e dos seus livros de fotografias cujas receitas revertem para diferentes entidades. Em 2006 o seu livro Move for AIDS rendeu mais de 500.000 dólares, que foram destinados a várias iniciativas de luta contra a sida.

Caitriona Balfe. Foto de James Houston, em "Natural Beauty"

Em Março deste ano Houston apresentou o seu novo projecto: “Natural Beauty”. “Tenho a felicidade de poder trabalhar em projectos criativos que façam a diferença na comunidade. Desta vez quis fazer algo que, de certa maneira, trouxesse a componente sexy para a sensibilização ambiental”, explica James Houston no primeiro episódio de The Making of Natural Beauty, série online de 12 episódios (o 5.º ficou disponível ontem) que mostra os bastidores da produção do livro e promove a exposição de fotografias que estará patente na MILK Gallery, Nova Iorque, de 23 de Abril a 5 de Maio. “Inspirei-me na natureza para criar um projecto fotográfico que, além de permitir concretizar a minha fantasia de fotografar celebridades fascinantes e os melhores top models do mundo, chegasse a um público mais jovem e o envolvesse no debate sobre o ambiente”, acrescenta Houston.

David Agbodji. Foto de James Houston, em "Natural Beauty"

O trabalho começou em Março de 2012 e contou com a participação do MILK Studios. Desta vez o fotógrafo decidiu apoiar a ONG Global Green USA, filial norte-americana da Cruz Verde Internacional (Green Cross International), organização ambiental criada um ano após a Cimeira da Terra (1992) por Mikhail Gorbachev, ex-presidente da União Soviética. 

Anja Rubik. Foto de James Houston, em "Natural Beauty"

O resultado salta à vista. O enorme talento de Houston funde e harmoniza na perfeição formas humanas e elementos naturais. No caso da modelo Eniko Mihalik, Houston fotografou-a no Central Park, em Nova Iorque, envolvida pelo vibrante espectáculo das magnólias em flor. Este é um cenário que ele conhece bem. “Em Nova Iorque estamos rodeados de cimento. A natureza é a última coisa em que pensamos. Cresci numa quinta no interior da Austrália, o que é um contraste enorme com esta realidade. Mas adoro ir para a rua, em Nova York ou nos arredores arredores, e vivenciar a natureza. Julgo que, enquanto seres humanos, todos ansiamos por esse contacto com a natureza”, partilha Houston na série online. 

Anja Rubik. Foto de James Houston, em "Natural Beauty"

A modelo Anja Rubik é uma das protagonistas de “Natural Beauty”. Praticante de mergulho à 13 anos, Anja realça o seu fascínio por tubarões e golfinhos, e a sua preocupação com a preservação dos oceanos: “Espero que o livro chegue àqueles que seguem o mundo da modo e os oriente para temas como a conservação do ambiente, de modo a que saibam a quem se dirigir e como participar”.

Elettra Weidemann. Foto de James Houston, em "Natural Beauty"

Elettra Weidemann não hesitou em participar em “Natural Beauty”. “Há muito que me interesso por projectos ligados à sustentabilidade. Por isso, quando recebi o convite do James aceitei de imediato”, conta a modelo no mais recente episódio “The Making of Natural Beauty”. “As imagens belas e poderosas fazem a diferença, ou pelo menos põem as pessoas a falar sobre um determinado assunto, como espero que aconteça quando virem corpos bonitos acompanhados de um coral ou de uma flor, ou qualquer outro elemento natural incluído na fotografia”, perspectiva a modelo. Elletra é co-fundadora da One Frickin Day, organização sem fins lucrativos com projectos  humanitários em África e na América. É caso para dizer que “filha de peixe sabe nadar”, já que a sua mãe, a famosa actriz Isabella Rossellini, é também conhecida pelo forte envolvimento na conservação da Natureza e pelas suas acções enquanto embaixadora da Unicef.

Capa do livro "Natural Beauty", de James Houston

Nas 224 páginas de “Natural Beauty” encontramos outras caras conhecidas, como as modelos Elle MacPherson e Christy Turlington, ou os actores Adrien Grenier (A Vedeta) e Emma Watson (Saga Harry Potter). O livro custa 50 dólares (cerca de 40 euros) e está à venda em www.damianieditore.com e, por exemplo, na Amazon.