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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

12
Jul13

Covos: Arte e Pesca

Arca de Darwin
Pegar numa arte de pesca tradicional e reinterpretá-la sob um olhar artístico foi o desafio lançado à PIA – Projectos de Intervenção Artística pela PédeXumbo, no âmbito do Festival do Solstício.

O resultado foi uma bonita escultura que evoca os covos de chaiço e aqueles que ainda guardam a memória e o saber desta arte de pesca.

 O que é um covo e o que é o chaiço?

 O covo é uma arte de pesca passiva e artesanal. Esta armadilha tem duas aberturas: uma que permite e orienta a entrada da criatura aquática que se quer capturar, mas não permite a saída, e outra fechada por uma tampa de cortiça.O material usado na sua construção varia consoante a disponibilidade da matéria-prima e a espécie a que se destina. Na costa, por exemplo, servem  para pescar safios, enguias e lagostas.O chaiço é o rebento/ramo do salgueiro-chorão.É com este material que o artesão Manuel Jacinto constrói os covos que inspiraram os membros da PIA. Ele é um dos últimos a dominar esta arte, outrora comum entre as gentes que viviam ao longo Mira – rio que banha a aldeia de Santa Clara-a-Velha –, e que servia para capturar barbos.

Assim, inspirada nos covos de chaiço de Manuel Jacinto nasceu a instalação “Trama”, bela peça de arte que abrilhantou o recinto do dito festival.

29
Jun13

Andorinha-dos-beirais (uma das minhas bandas preferidas...)

Arca de Darwin
A andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum) é a mais conhecida das 5 espécies de andorinhas existentes em Portugal. Abundante no campo e nas cidades, é facilmente identificável pela cabeça e dorso preto-azulado, asas pretas, ventre branco e mancha branca nas costas, e pela cauda preta ligeiramente bifurcada. 

O bico fino indica que a sua dieta é à base de insectos.

Um aspecto curioso desta andorinha é ter relações amorosas com a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica). Os híbridos resultantes destas aventuras sugerem que as duas espécies deveriam estar num mesmo género.

 Se a andorinha-das-chaminés constrói os ninhos em locais mais recatados (por vezes no interior de edifícios, a dos beirais, como o nome indica, prefere a parte inferior da última fileira das telhas que formam o telhado, ou as esquinas na parede abaixo. Os ninhos em forma de tigela ficam, assim, “colados” às telhas e à parede das casas.

 A construção do ninho é um período de grande azáfama. As aves fazem inúmeras viagens de ida e volta para se abastecerem da palha e da lama que formarão a estrutura.

E convém que o façam depressa, pois o pardal-comum espreita a oportunidade de ocupar o ninho durante a construção. Terminada a obra, o ninho está a salvo, dado que o pardal é demasiado grande para passar pela pequena abertura.

 No interior do ninho a fêmea põe 4 ou 5 ovos brancos. A incubação dura duas semanas e as crias abandonam o ninho 22 a 32 dias depois após a eclosão.

 Em inglês as andorinhas-dos-beirais chamam-se House Martins, nome da banda britânica que durante os três anos de existência (depois separaram-se e dividiram-se em Beautiful South e Fatboy Slim) produziram algumas das melhores músicas dos anos 80. Já que este post referiu-se à “construção”, aqui fica Build, pelos Housemartins:http://www.youtube.com/watch?v=IMPMiLddsuE
27
Jun13

O Jaime, a canoa e os Huckleberrys

Arca de Darwin

Houve quem duvidasse de que flutuaria, quanto mais de que aguentaria com o peso de dois adultos (um dos quais com mais de 90 kg). Jaime Pais, carpinteiro desde os 14 anos e construtor da embarcação feita de folhas de tabúa (junco), sabia que funcionaria. É uma daquelas certezas que resulta de muitos anos de experiência a trabalhar as matérias-primas da Natureza.

Jaime Pais, Santa Clara-a-Velha, Odemira

No caso da tabúa, Jaime secava-a ao sol e usava-a para construir esteiras e tampos de cadeiras.

Tabúa

 Finalmente, a hora de lançar a embarcação à água chegou. E, claro, flutuou na perfeição. A iniciativa aconteceu no primeiro dia do Festival do Solstício (21 de Junho), na aldeia de Santa Clara-a-Velha, Odemira.

 A canoa encantou a criançada, mas os adultos também não lhe resistiram. Huckleberrys Finns de todas as idades aventuraram-se rio acima.

 Nem quando os remos desapareceram a canoa descansou: A miudagem usou a  imaginação e recorreu a varas para impulsionar a embarcação.

Os saltos e o excesso de carga deixaram marcas nos mui trabalhados extremos da canoa, que agora serão reforçados com bambu, garantiu Jaime.Organizado pela associação PédeXumbo, este festival de música e dança incorporou também várias artes e saberes da comunidade local, como a gastronomia, música e artesanato. Na exposição “Artes da Terra” deparei-me com duas peças criadas pelo Jaime:Com o Jaime aprendi – entre muitas outras coisas – para que servem as madeiras de diferentes espécies de árvores. Contou-me que usava a madeira do amieiro, que fica da cor da cerejeira, para construir móveis, por ser macia; a do freixo, que demora vários anos a secar, no exterior das casas, por ser rija; e a do choupo nos telhados, por ser mais leve.

Agora a canoa de tabúa rumará a Castelo de Vide, onde integrará o Laboratório de Bioconstrução que se realizará durante o Andanças 2013, festival também organizado pela PédeXumbo. 

26
Jun13

T0 para 6

Arca de Darwin
aqui falei da andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), mas não resisto a partilhar esta foto de um ninho com 4 crias (uma está escondida) na ombreira de uma porta ao nível da rua.

Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), Santa Clara-a-Velha, Odemira

A Hirundo rustica mede 19 centímetros de comprimento, tem a cauda comprida e bifurcada, e é a maior das 5 espécies de andorinhas existentes em Portugal.

Andorinha-das-chaminés, Odivelas

 Distingue-se da menos comum andorinha-dáurica (Hirundo daurica) por esta não ter o babete vermelho-alaranjado e o colar preto, bem visível na andorinha-das-chaminés (a dáurica tem laranja na parte de trás da cabeça e no dorso).

Próximas fotos: Andorinha-das-chaminés, Odivelas

25
Jun13

Escaravelho-rinoceronte

Arca de Darwin
Certo dia a mãe Natureza acordou toda bem disposta e pensou: “E se oferecesse aos frágeis insectos uma protecção para o corpo, como a pele rija que dei ao rinoceronte?”. Assim, usou um dos elementos mais duros que tinha à mão, a quitina, e transformou o primeiro par de asas de alguns insectos numa carapaça protectora. Entretanto, a boa disposição degenerou em traquinice:

Escaravelho-rinoceronte (Oryctes nasicornis), Santa Clara-a-Velha, Odemira

Achou que umas quantas espécies deste grupo – a que os humanos chamaram coleópteros – estavam perfeitinhas demais e começou a pintar bolas pretas nas carapaças vermelhas, laranjas ou amarelas. Os humanos chamaram-lhes joaninhas. Pior foi o que fez a um escaravelho, que media pouco mais de 4 centímetros. Lembrando-se da sua fonte de inspiração inicial – o rinoceronte – colocou-lhe um corno na frente da cabeça. Riu-se do pobre coitado, mas não voltou atrás na “decoração”. No entanto, e já se sabe como funciona a solidariedade entre as mulheres, poupou a fêmea a tamanho ornamento. Os humanos chamaram a esta espécie escaravelho-rinoceronte (Oryctes nasicornis).

20
Jun13

Santa Clara-a-Velha: o palco do Festival do Solstício

Arca de Darwin
É já amanhã. De 21 a 23 de Junho a aldeia de Santa Clara-a-Velha, Odemira, recebe o Festival do Solstício. Nesta pequena povoação alentejana há muito para ver e descobrir – dos recantos acolhedores à fauna diversa, dos pormenores das casas à paisagem ribeirinha... Espreite a galeria em baixo e confirme.

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