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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

20
Mar19

Orquídea sem nome ("Cephalanthera longifolia")

Arca de Darwin

Hoje é o primeiro dia de Primavera. Na última semana as orquídeas da Estação da Biodiversidade de Fontelas, Loures, como se soubessem que a data estava à porta, começaram a florir. Há uns dias havia apenas um ou dois exemplares de Cephalanthera longifolia; ontem havia dezenas ao longo do curto percurso.

As flores — geralmente entre 5 e 25 — ainda não estão completamente abertas, mas aqui e ali já anteveem algumas manchas amarelas. A planta pode chegar aos 60 centímetros de altura, mas é mais comum ter entre 25 e 40 cm.

A época de floração ocorre entre Março e Julho.

Facto curioso: em Portugal a Cephalanthera longifolia não tem nome comum. Já o "longifolia" refere-se às folhas compridas e afiladas.

Encontra-se em espaços abertos ou sub-cobertos (em Fontelas está geralmente em áreas com alguma sombra), preferencialmente em solos calcários. A espécie existe na Europa, Norte de África e Ásia. Em Portugal ocorre de norte a sul e é relativamente abundante.

Em Fontelas, há algumas espécies de orquídeas que ainda não floriram, como é o caso da orquídea-piramidal. No entanto, a diversidade que ontem o local apresentava vale bem uma visita. Eis as fotos para servirem de guia:

Erva-vespa-rosadaOphrys tenthredinifera (pouco abundante no prado a seguir à linha de água, no final do percurso)

Erva-vespaOphrys lutea (abundante em todo o percurso, particularmente no prado a seguir à linha de água)

Moscardo-fuscoOphrys fusca (pouco abundante, parte intermédia do percurso)

Homens-núsOrchis italica (1 exemplar na parte superior do percurso — no prado do lado direito)

Orquídea-giganteHimantoglossum robertianum (1 exemplar na parte superior do percurso — no prado do lado direito)

12
Mar19

Cabo Espichel — biodiversidade à volta do Santuário

Arca de Darwin

Ontem passei pelo Cabo Espichel, Sesimbra, e percorri o perímetro do Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua. Perante a paisagem agreste, dominada pelo vento e pela imensidão do mar, podemos pensar que ali, num raio de 20 metros do Santuário, haverá pouca biodiversidade. Pelo contrário.

No post sobre o sardão (Lacerta lepida), os dois animais que fotografei em São Pedro do Sul eram, como referi, pequenitos. Este exemplar que estava ontem no Cabo Espichel era já adulto, e bem grande.

Outra novidade para esta área foi quase ter conseguido fotografar um falcão-peregrino (Falco peregrinus). Fica para a próxima.

Houve outras aves que pousaram para a fotografia (cartaxos, escrevedeiras-de-garganta-preta, trigueirão), outras que só vi por breves instantes (rabirruivos, pintassilgos, estorninhos, cotovias), e outras que não chegaram a aparecer (por exemplo, o mocho-galego).

Borboletas, nem vê-las. Orquídeas, duas espécies (o que é habitual, pois aparecem em sucessão) mas muito pouco abundantes: moscardo-fusco (Ophrys fusca) e orquídea-homens-nus (Orchis italica). Já os maios-pequenos (Gynandriris sisyrinchium) e as campainhas-amarelas (Narcissus bulbocodium) atapetam o chão.

28
Fev13

Homens nus – a extraordinária imaginação das orquídeas

Arca de Darwin
Em Portugal há cerca de 50 espécies de orquídeas selvagens. Uma das mais fascinantes é a Orchis italica. O nome mais comum – orquídea-homem-nu – assenta-lhe como uma luva, mas também é conhecida por flor-dos-macaquinhos-dependurados (fica tudo em família, ou melhor, em Ordem – a dos Primatas).

Orquídea-homem-nu (Orchis italica). Cabo Espichel

A razão está à vista: o labelo (uma das três pétalas modificadas) assemelha-se à figura de um homenzinho, nu, com olhos, pernas, braços e pilinha. E está em exibição de Fevereiro a Maio, num prado calcário ou silicioso perto de si.