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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

02
Ago15

Uma pausa com Soares de Passos

Arca de Darwin

Inaugurada no dia 18 do mês passado, a nova secção do megalómano Parque dos Poetas, em Oeiras, permitiu-me descobrir alguns autores e reencontrar outros já quase perdidos nos confins da (pouco fiável) memória. Entre as descobertas conta-se António Augusto Soares de Passos (1826-1860), de quem aqui fica o poema Desejo, ilustrado por fotos que tirei na sua 'ilha'.

"Oh! quem nos teus braços pudera ditoso

No mundo viver,

Do mundo esquecido no lânguido gozo

D'infindo prazer.

parque dos poetas soares passos 1Sentir os teus olhos serenos, em calma,

Falando d'além,

D'além! duma vida que sonha minha alma,

Que a terra não tem.

Eu dera este mundo, com tudo o que encerra

Por tal galardão: Tesouros, e glórias, os tronos da terra,

Que valem, que são?

 

parque dos poetas soares passos 2

A sede que eu tenho não morre apagada

Com tal aridez:

Pudesse eu ganhá-los, e iria seu nada

Depor a teus pés.

parque dos poetas soares passos 3

E só desejando mais doce vitória,

Dizer-te: eis aqui

Meu ceptro e ciência, tesouros e glória:

Ganhei-os por ti.

 

A vida, essa mesma daria contente,

Sem pena, sem dor, S

e um dia embalasses, um dia somente,

Meu sonho d'amor.

parque dos poetas soares passos 4

Isenta do laço que ao mundo nos prende,

A vida que vale?

A vida é só vida se o amor nela acende Seu doce fanal.

Aos mundos que eu sonho pudesse eu contigo,

Voando, subir;

Depois que importava? depois no jazigo

Sorrira ao cair". 

10
Jun14

Dia de Camões - A Ilha dos Amores

Arca de Darwin

Fotos tiradas na "Ilha dos Amores e Ninfas", Parque dos Poetas, Oeiras

Estrofes do canto IX de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões

"E pera isso queria que, feridas

As filhas de Nereu no ponto fundo,

D' amor dos Lusitanos incendidas

Que vêm de descobrir o novo mundo,

Todas nũa ilha juntas e subidas,

(Ilha que nas entranhas do profundo Oceano terei aparelhada,

De dões de Flora e Zéfiro adornada);

parque dos poetas 1

parque dos poetas 2

Ali, com mil refrescos e manjares,

Com vinhos odoríferos e rosas,

Em cristalinos paços singulares,

Fermosos leitos, e elas mais fermosas;

Enfim, com mil deleites não vulgares,

Os esperem as Ninfas amorosas,

D' amor feridas, pera lhe entregarem

Quanto delas os olhos cobiçarem.

parque dos poetas 3 parque dos poetas 4

Nesta frescura tal desembarcavam

Já das naus os segundos Argonautas,

Onde pela floresta se deixavam

Andar as belas Deusas, como incautas.

Algũas, doces cítaras tocavam;

Algũas, harpas e sonoras frautas;

Outras, cos arcos de ouro, se fingiam

Seguir os animais, que não seguiam.

parque dos poetas 5 parque dos poetas 6 (792x800)

Assi lho aconselhara a mestra experta:

Que andassem pelos campos espalhadas;

Que, vista dos barões a presa incerta,

Se fizessem primeiro desejadas.

Algũas, que na forma descoberta

Do belo corpo estavam confiadas,

Posta a artificiosa formosura,

Nuas lavar se deixam na água pura.

parque dos poetas 7

Outros, por outra parte, vão topar

Com as Deusas despidas, que se lavam;

Elas começam súbito a gritar,

Como que assalto tal não esperavam;

Ũas, fingindo menos estimar

A vergonha que a força, se lançavam

Nuas por entre o mato, aos olhos dando

O que às mãos cobiçosas vão negando;

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Outra, como acudindo mais depressa

À vergonha da Deusa caçadora,

Esconde o corpo n' água; outra se apressa

Por tomar os vestidos que tem fora.

Tal dos mancebos há que se arremessa,

Vestido assi e calçado (que, co a mora

De se despir, há medo que inda tarde)

A matar na água o fogo que nele arde.

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Oh, que famintos beijos na floresta,

E que mimoso choro que soava!

Que afagos tão suaves! Que ira honesta,

Que em risinhos alegres se tornava!

O que mais passam na manhã e na sesta,

Que Vénus com prazeres inflamava,

Milhor é exprimentá-lo que julgá-lo;

Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.

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Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas,

Tétis e a Ilha angélica pintada,

Outra cousa não é que as deleitosas

Honras que a vida fazem sublimada.

Aquelas preminências gloriosas,

Os triunfos, a fronte coroada

De palma e louro, a glória e maravilha,

Estes são os deleites desta Ilha."

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02
Ago13

O multifacetado D. Dinis

Arca de Darwin
Um dos factos mais conhecidos e mais interessantes sobre “El Rei” D. Dinis (1261-1325) – também conhecido por Lavrador ou Rei Poeta – é a decisão de ampliar o Pinhal de Leiria, cuja plantação inicial deveu-se a seu pai, o rei D. Afonso III. O objectivo foi travar o avanço e a destruição das dunas, de modo a proteger os campos agrícolas adjacentes – reis ecologistas, portanto.

Mural de Marco Ayres, Odivelas

Outra decisão famosa do monarca foi construir um Mosteiro em Odivelas.

Mosteiro S. Dinis, Odivelas

Dizem as más línguas que era ali que O Lavrador hospedava as amantes, e até há uma lenda que atribui a origem do nome da cidade a um comentário da desgostosa rainha que, vendo-o sair mais uma vez para o Mosteiro, terá dito: “Ide vê-las”.

Estórias à parte, Odivelas adoptou o culto rei, que empresta o nome a ruas, lugares e estabelecimentos comerciais (anteontem, os megafones de uma carrinha anunciavam a abertura de uma nova loja em Odivelas. Nome? D. Dinis, claro).

Em Julho de 2012 o artista Marco Ayres pintou um mural alusivo à relação do rei com a cidade, no âmbito do Projecto Arte Urbana.Num município próximo, Oeiras, a parcela inaugurada este ano do Parque dos Poetas homenageia a veia literária de D. Dinis. Na “ilha” do Rei Poeta é evidente a referência ao Pinhal de Leiria e, alguns metros à frente, encontra-se gravado no chão um dos seus mais famosos poemas (escreveu 137, entre cantigas de amigo, de amor e de escárnio e maldizer): Ai flores do verde pino.Entre muitas outras realizações, ele fundou a primeira universidade do país, redistribuiu terras, promoveu a abertura de feiras e mercados, criou a marinha portuguesa, e espoletou um milagre...

17
Mar13

Todo o jardim...

Arca de Darwin

“(...) Todo o jardim é uma luz amena

a iluminar a tarde.

O jardinzinho é um dia de festa

Na pobreza da terra.”

Parque dos Poetas, Oeiras

Poema Jardim, de Jorge Luis Borges (1922) - escritor, poeta e ensaísta argentino -,                                                    em Obra Poética Vol. 1 (editora Quetzal).

05
Fev13

“Parque dos Poetas” – nova galeria

Arca de Darwin
Espreite a nova galeria – “Parque dos Poetas” em “Lugares”.

Teixeira de Pascoaes. Parque dos Poetas, Oeiras

“(...) Já de tanto sentir a Natureza, De tanto a amar, com ela me confundo! E agora, quem sou eu? Nesta incerteza, Chamo por mim. Quem me responde? O mundo. Chamo por mim; e a estrela me responde. Chamo, de novo; e diz o mar: quem chama? E diz-me a flor: onde é que estás? aonde? Vede a sorte terrível de quem ama! (...)”, Teixeira de Pascoaes in "A sombra do homem"