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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

05
Abr20

Edward Hopper e saúde mental em tempos de pandemia

Arca de Darwin

A obra do pintor estadunidense Edward Hopper (1882‒1967) inundou as redes sociais Twitter e Instagram durante o último mês. Isto porque muitos utilizadores que estão a cumprir quarentena por causa da pandemia viram a sua vida e estado de espírito reflectidos nos quadros de Hopper.

hopper 1.jpg

The morning sun (1952)

 

 

 

Room in New York (1932)

26
Out18

Médicos escoceses receitam Natureza

Arca de Darwin

A notícia surgiu no início deste mês: os médicos do Serviço Nacional de Saúde de Shetland, Escócia, passaram a incorporar a Natureza no receituário para doenças como depressão, ansiedade e hipertensão arterial. O que faz todo o sentido.

Os médicos, em conjunto com uma ONG dedicada às aves (a RSPB Scotland), criaram um panfleto e um calendário online (que pode adaptar à realidade natural portuguesa) com actividades diferentes para cada mês: passear na praia e apanhar conchas; fazer uma salada de dentes-de-leão; procurar uma determinada ave; plantar uma árvore; criar uma escultura com pedras...

Inúmeros estudos mostram os efeitos benéficos para os humanos do contacto com a Natureza. Por exemplo, este, de que já falámos aqui, ou este, de 2016, que acompanhou mais de 108.630 mulheres nos Estados Unidos (pensa-se que os resultados também sejam válidos para os homens) e concluiu que as que vivem junto de zonas verdes tinham uma melhor saúde mental e física: a taxa de mortalidade devida a doenças renais é 43% mais baixa; 34% mais baixa no caso das doenças respiratórias; e 13% mais baixa na mortalidade por cancro.

As crianças também beneficiam, e muito, do contacto com a Natureza. Por exemplo, as melhorias notam-se ao nível das capacidades cognitivas, da criatividade, do relacionamento com os outros, do aproveitamento escolar, da auto-disciplina, da actividade física, e até da visão.

18
Abr12

Por que produzimos moscas?

Arca de Darwin

Há cerca de um ano mais de dez milhões de mosquitos machos  geneticamente modificados foram libertados na cidade de Juazeiro, Brasil, com vista a combater o dengue. Como? Esta doença, que em 2008 esta doença matou 174 pessoas no estado do Rio de Janeiro, é provocada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os insectos libertados pertencem a esta espécie, mas transportam um gene que provoca a morte prematura da descendência. Ao acasalarem com fêmeas selvagens diminuirão gradualmente a população deste vector. No final do mês passado Aldo Malavasi, coordenador do projecto, revelou no Rio de Janeiro os primeiros resultados da experiência: 85% dos ovos recolhidos no terreno são portadores do gene. Para o coordenador este valor significa que a experiência está a dar frutos. Malavasi também é director da fábrica que produz os mosquitos, a Mosca-Med, unidade criada em 2005.

Por cá, esta estratégia não é novidade, ainda que o destinatário da luta biológica seja outro. Durante o meu estágio de jornalismo – há quase uma década– escrevi sobre a Madeira-Med, biofábrica de moscas situada na Madeira que, na altura, produzia 50 milhões de insectos por semana. O objectivo é combater a mosca do Mediterrâneo (Ceratitis capitata) – na imagem - , maior praga mundial dos frutos frescos.

Os machos libertados são estéreis, pelo que os ovos que resultam do acasalamento com fêmeas selvagens não são viáveis. Assim, não surgem as larvas que se alimentariam dos frutos e causariam prejuízos elevados. O resultado é um nível de infestação inferior a 2% em 10 espécies frutícolas (anona, araçá, damasco, figo, goiaba, laranja, manga, nêspera, pêra e pêssego). E sem usar pesticidas. Para que a estratégia resulte libertam-se 9 machos estéreis por cada macho selvagem.

Mas este não é o único exemplo de controlo biológico de pragas no nosso país. Na altura, escrevi: “Por exemplo, nos Açores introduziram-se 150 mil joaninhas para combater afídeos (uma praga de citrinos) e em Trás-os-Montes usam-se larvas de joaninha para eliminar aranhiços-vermelhos (pragas das macieiras). Aliás, na Europa, Portugal foi pioneiro neste tipo de luta quando, em 1897, se introduziram joaninhas para combater icérias (praga dos citrinos), tal como se fizera em 1888 na Califórnia, Estados Unidos”.

Se quiser saber mais pormenores, ou ver como é o interior de uma fábrica de moscas, espreitem o artigo original (Sexo infrutífero na luta biológica) aqui.

                      Fotos: James Gathany (US Department of Health and Human Services) e Scott Bauer (United States Department of Agriculture)
 

03
Abr12

Geração indoor

Arca de Darwin

O escritor norte-americano Richard Louv, autor de Last Child in the Woods (2005), acredita que as crianças que não têm contacto com a natureza sofrem de “distúrbio de deficit de natureza” (nature deficit disorder), ou seja, têm a saúde e o desenvolvimento em risco. Esta tese é defendida por investigadores de diversas áreas – médicos, sociólogos, pedagogos, etc.. Isto porque brincar ao ar livre é óptimo remédio contra a obesidade e a hiperactividade, e tem efeitos positivos na capacidade de aprendizagem, auto-estima, criatividade, sociabilidade e saúde. Além disso, por desconhecerem o mundo natural, não terão disponibilidade para protegê-lo quando crescerem.

Qual a dimensão deste problema?

Uma sondagem realizada em 2010 no Reino Unido, pelo canal de televisão Eden, inquiriu 2000 crianças entre os 8 e os 12 anos de idade. Eis alguns resultados:

  •     64% brincam fora de casa menos de uma vez por semana;
  •     28% não passeiam no campo há mais de um ano;
  •     21% nunca visitaram uma quinta;
  •    20% nunca subiram a uma árvore.

Mas há mais. A distância a que as crianças se afastam de casa para brincar diminuiu 90% em relação aos anos 70. O que não espanta, já que 43% dos adultos consideram que a idade ideal para que os filhos comecem a brincar sozinhos na rua é 14 anos. Sem surpresa há agora mais crianças admitidas em hospitais britânicos por caírem da cama do que por caírem de árvores.

Nos Estados Unidos o panorama é semelhante. Um artigo publicado em 2006 na revista Journal of Environmental Management, dava conta de um decréscimo de 20% nas visitas aos parques naturais nos últimos vinte anos. Os autores referem que 98% dos resultados são explicados com base no preço dos combustíveis e no tempo gasto pelos norte-americanos a:

  •   Ver filmes;
  •   Navegar na internet;
  •   Jogar videojogos.

Um outro estudo, publicado em 2006 pela Fundação Família Henry J. Kayser, debruçou-se sobre o número de horas diárias que as crianças entre os 0 e os 6 anos passam em frente de um qualquer tipo de equipamento electrónico. Conclusão: Passam pelo menos duas horas diárias em frente de um ecrã. Note-se que 68% das crianças entre os 0 e os 2 anos usam diariamente este tipo de aparelhos.

E por cá, a criançada ainda brinca ao ar livre?