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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

Arca de Darwin

26
Out18

Médicos escoceses receitam Natureza

Arca de Darwin

A notícia surgiu no início deste mês: os médicos do Serviço Nacional de Saúde de Shetland, Escócia, passaram a incorporar a Natureza no receituário para doenças como depressão, ansiedade e hipertensão arterial. O que faz todo o sentido.

Os médicos, em conjunto com uma ONG dedicada às aves (a RSPB Scotland), criaram um panfleto e um calendário online (que pode adaptar à realidade natural portuguesa) com actividades diferentes para cada mês: passear na praia e apanhar conchas; fazer uma salada de dentes-de-leão; procurar uma determinada ave; plantar uma árvore; criar uma escultura com pedras...

Inúmeros estudos mostram os efeitos benéficos para os humanos do contacto com a Natureza. Por exemplo, este, de que já falámos aqui, ou este, de 2016, que acompanhou mais de 108.630 mulheres nos Estados Unidos (pensa-se que os resultados também sejam válidos para os homens) e concluiu que as que vivem junto de zonas verdes tinham uma melhor saúde mental e física: a taxa de mortalidade devida a doenças renais é 43% mais baixa; 34% mais baixa no caso das doenças respiratórias; e 13% mais baixa na mortalidade por cancro.

As crianças também beneficiam, e muito, do contacto com a Natureza. Por exemplo, as melhorias notam-se ao nível das capacidades cognitivas, da criatividade, do relacionamento com os outros, do aproveitamento escolar, da auto-disciplina, da actividade física, e até da visão.

02
Dez13

Como sobreviver ao Natal

Arca de Darwin
Para muitos humanos o Natal é a época mais stressante do ano. Família, gastos elevados e dieta desregrada são os principais factores de desgaste e preocupação. Recupero algumas dicas (escritas em 2010) para lidar com estas “dores de cabeça”:1 – Planeie as estadias – Decida de antemão onde passará o Natal e, no caso de visitar familiares, quanto tempo ficará. Assegure-se de que informa todas as partes interessadas.

Telheiras, Lisboa

2 – Previna problemas – Se já sabe que certos familiares far-lhe-ão determinadas perguntas inconvenientes prepare as respostas antes – e não deite mais lenha para a fogueira. Entretenha os convivas com actividades lúdicas – mentes e corpos ocupados são menos conflituosos. Se há um familiar de quem não gosta e que todos os anos estraga a festa, não o convide.

3 – Decida quanto e como gastar – A crise toca a (quase) todos. Veja quanto pode gastar em presentes e cumpra o orçamento. Compre com antecedência para evitar pagar mais por coisas que até nem são as que mais quer oferecer. Proponha apenas oferecer prendas às crianças.

Paço do Lumiar, Lisboa

4 – Não passe o Natal sozinho – Se está longe da família, ou se não tem companheiro/a, informe os seus amigos. Verá que chovem convites por gostarem da sua companhia, ou porque todas as famílias têm problemas e você será a distracção ideal. Se tem filhos e divorciou-se este ano aproveite para criar novas “tradições” natalícias com as crianças.5 – Dê um pouco de si – Seja voluntário num hospital, ajude a distribuir refeições aos mais carenciados, arranje tempo e envolva-se na festa de Natal da escola dos seus filhos, etc..

6 – Baixe as expectativas – Natal perfeito é coisa de anúncio na televisão. Não exija tanto de si. Use menos uma caixa de enfeites, decore apenas uma divisão da casa, cozinhe menos uma sobremesa, recuse um convite para jantar, ofereça menos um presente. Tire um dia só para si. Aproveite e passeie por uma zona húmida e desfrute da companhia das milhares de aves que visitam o nosso país nesta época do ano.7 – Controle a bebida – Beba um copo para relaxar, mas não caia na rasteira de “só aguento isto com uma bebida”. A língua solta pode incendiar discussões.

8 – Faça as malas – Se este ano não consegue mesmo lidar com a família, vá para fora. Lembre-se: no hemisfério sul é Verão! Se não tiver dinheiro para uma viagem aceite o convite daquele amigo que já lhe disponibilizou a casa de campo. É Natal, ninguém leva a mal.
17
Dez12

Flor-de-Natal

Arca de Darwin
Quem a baptizou não teve dúvidas quanto à sua beleza: chamou-lhe Euphorbia pulcherrima, que significa “a mais bela das eufórbias”. Originária do México, floresce por altura do solstício de Inverno no hemisfério Norte. No entanto, a planta deve grande parte da  bela aparência às brácteas (estruturas foliares) vermelhas vivas, que têm forma de pétala, e não às flores.

Flor-de-Natal (Euphorbia pulcherrima). Lisboa.

A cor e o período de floração explicam o nome comum: flor-de-Natal, ou estrela-de-Natal. “Terá sido talvez a partir do século XVII que a planta começa a ter um significado natalício, quando frades franciscanos começam a utilizá-la numa procissão desta quadra, designada por Festa de Santa Pesebre”, diz a Wikipédia.

Euphorbia pulcherrima é tóxica e o contacto com a seiva pode provocar dermatites.

Como o próprio Natal é, para alguns humanos, uma época “tóxica”, eis algumas dicas* para sobreviver a esta quadra festiva:1 – Planeia as estadias. Decida de antemão onde vai passar o Natal e, no caso de visitar familiares, quanto tempo vai ficar. Assegure-se de que informa todas as partes interessadas.2 – Previna problemas. Se já sabe que certos familiares vão fazer-lhe determinadas perguntas inconvenientes prepare as respostas – e não deite mais lenha para a fogueira. Entretenha os convivas com actividades lúdicas – mentes e corpos ocupados são menos conflituosos. Se há um familiar de quem não gosta e que todos os anos estraga a festa, não o convide.3 – Decida quanto e como gastar. A crise toca a todos. Veja quanto pode gastar em presentes e cumpra o orçamento. Compre com antecedência para evitar pagar mais por coisas que até nem são o que quer oferecer. Proponha oferecer prendas apenas às crianças.4 – Não passe o Natal sozinho. Se está longe da família, ou se não tem companheiro/a, informe os seus amigos. Verá que chovem convites por gostarem da sua companhia, ou porque todas as famílias têm problemas e você será a distracção ideal. Se tem filhos e se divorciou este ano aproveite para criar novos costumes com as crianças.5 – Baixe as expectativas. O Natal perfeito é coisa de anúncio na televisão. Não seja exigente consigo. Use menos uma caixa de enfeites, decore apenas uma divisão da casa, cozinhe menos uma sobremesa, recuse um convite para jantar, ofereça menos um presente. Tire um dia só para si.

 Foto: United States Department of Agriculture

6 – Controle a bebida. Beba um copo para relaxar, mas não caia na asneira de “só aguento isto com uma bebida”. A língua solta incendeia discussões.7 – Faça as malas. Se este ano não consegue mesmo lidar com a família, vá para fora. Lembre-se: no hemisfério Sul é Verão! Se não tiver dinheiro para uma viagem aceite o convite daquele amigo que já lhe disponibilizou a casa de campo. É Natal, ninguém leva a mal.

* texto que escrevi para a revista Gingko (nº25, Dezembro 2010)

04
Abr12

Stresse e zonas verdes

Arca de Darwin

O acesso a zonas verdes em casa e no trabalho reduz o número de episódios de stresse. Esta foi a conclusão a que chegaram os suecos Ulrika Stigsdotter e Patrik Grahn, do departamento de Planeamento Paisagístico, Saúde e Lazer, da Universidade Sueca de Ciências Agrárias. Para tal inquiriram 953 suecos sobre a respectiva saúde e afrequência com que visitavam espaços verdes exteriores. A amostra incluiu entrevistados de nove cidades, de ambos sexos e de diferentes idades e classes sociais. Nenhum destes factores influenciou os resultados que se seguem:

- Tipo de ambiente exterior disponível no local de trabalho / nº médio de episódios de stresse por ano

Inquiridos sem vista para um jardim e sem hipótese de ir ao exterior durante as pausas / 153,53

Inquiridos sem vista para um jardim mas com hipótese de ir ao exterior durante as pausas (no máximo uma vez por mês) / 104,08

Inquiridos com vista para um jardim e nenhuma ou poucas ou hipóteses de ir ao exterior durante as pausas (no máximo uma vez por semana) / 96,66

Inquiridos com vista para um jardim e hipóteses de ir até um jardim exterior durante as pausas (mais de uma vez por semana) / 77,07

- Tipo de ambiente exterior disponível em casa / nº médio de episódios de stresse por ano

Inquiridos que habitam em apartamentos, sem varanda nem espaço público no exterior / 193

Inquiridos que habitam em apartamentos com varanda / 125,68

Inquiridos que habitam em apartamentos com jardins exteriores, ou que habitam em vivendas com um pequeno jardim / 86,30

Inquiridos que habitam em vivendas com jardim de grande dimensão (>600  metros quadrados) / 64,96

Já sabe, se puder, aproveite as pausas e a hora de almoço para ir à rua e olhar para um jardim.

Fonte: Landscapeplanning and stress; Urban Foresting and Urban Greening; volume 2, issue1(2004).