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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

18
Dez21

Vhils no Barreiro

Arca de Darwin

Desde 2018 o Barreiro é casa daquele que será porventura o maior mural produzido pelo português Vhils (Alexandre Farto). Com 150 metros de comprimento, a obra intitulada «Sobe e Desce» é uma homenagem às gentes ligadas à atividade industrial da região. O mural está junto ao Bairro de Santa Bárbara e foi apresentado no âmbito da nova alameda da requalificada Rua da União. O Barreiro é também o sítio que o artista escolheu para instalar o seu Vhils Studio.

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09
Mar20

Casas em Lisboa que sobreviveram ao Terramoto de 1755

Arca de Darwin

Em Lisboa há algumas casas com mais de 265 anos. Quando olhamos para elas viajamos no tempo e temos um pequeno vislumbre de como seria a vida na primeira metade do século XVIII. Para chegarem até aos dias de hoje, estas casas não tiveram apenas de resistir ao teste do tempo: elas tiveram de sobreviver a um dos maiores sismos de que há memória, ao tsunami que varreu a zona ribeirinha alguns minutos depois, e aos incêndios que consumiram a cidade durante os seis dias seguintes. O Terramoto de 1755 ocorreu no dia 1 de Novembro, às 9h40, altura em que as igrejas estavam apinhadas para a comemoração do Dia de Todos os Santos.

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Beco de São Miguel

 

No livro Os Grandes Desastres, de Lucy Jones (2019, Vogais) encontramos a descrição desse dia feita pelo reverendo inglês Charles Davy, que na altura vivia em Lisboa:

 

Fiquei […] aturdido por um estrondo horrível, como se todos

os edifícios da cidade tivessem ruído ao mesmo tempo. A casa

em que estava abanou com tal violência que os andares superiores

caíram imediatamente; e embora o meu apartamento

(que era no primeiro andar) não tivesse então tido o mesmo

destino, tudo foi no entanto afastado do seu lugar de tal modo

que foi com grande dificuldade que me mantive em pé, e esperei

ser rapidamente esmagado até à morte, pois as paredes

continuaram a abanar do mais horrendo modo, rachando-se

em vários sítios; grandes pedras caiam das rachas por todo

o lado, e as pontas de muitas das vigas saltavam do telhado.

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Rua dos Cegos, n.º 20, 22, por trás da homenagem de Vhils, e dos calceteiros, a Amália Rodrigues.

 

Perante este cenário, muitos fugiram para perto do rio. Davy escreveu:

 

Virando os meus olhos em direcção ao rio, que naquele

local tem quase seis quilómetros de largura, conseguia vê-lo

agitando-se e ondulando-se de um modo quase inexplicável,

pois não havia vento que se mexesse. Num instante ali

apareceu, a pequena distância, uma grande massa de agua,

erguendo-se como se fosse uma montanha. Veio a espumar

e a rugir, e correu em direcção à margem com tal ímpeto, que

todos corremos imediatamente o mais depressa possível pelas

nossas vidas; muitos foram na verdade levados, e os restantes

ficaram com água acima do peito a boa distância da margem.

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Beco da Achada. Edifício do século XIV ou XV

 

O fogo, que teve origem nas lareiras de cozinha e nas inúmeras velas acesas em homenagem aos mortos, consumiu o que restou da capital. Em 1755, Lisboa era a 4.ª maior cidade da Europa, atrás de Londres, Paris e Viena. Nela viviam cerca de 300 mil pessoas das quais, segundo algumas estimativas, 90 mil morreram em consequência do Terramoto de 1755 (outras estimativas apontam para um número mais reduzido, mas ainda assim impressionante, de mortos: 40‒50 mil).

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Largo do Menino Deus. Século XVI

 

No Poema sobre o Desastre de Lisboa, o filósofo francês Voltaire escreveu em 1756:

 

Vinde pois, contemplai ruínas desoladas,

restos, farrapos só, cinzas desventuradas,

os meninos e as mães, os seus corpos em pilhas,

membros ao deus-dará no mármore em estilhas,

desgraçados cem mil que a terra já devora,

em sangue, a espedaçar-se, e a palpitar embora,

que soterrados são, nenhum socorro atinam

e em horrível tormento os tristes dias finam!

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Largo do Chafariz de Dentro

 

O sismo, o tsunami e os incêndios que se seguiram destruíram 85 por cento dos edifícios de Lisboa. O sul do país, sobretudo o Algarve, os Açores e a Madeira também foram afectados. O tsunami, provocado pelo sismo de magnitude 8,5 a 9 (João Fonseca, do IST, estimou este ano que o sismo terá sido de apenas 7,5 ±0,5) — que resultou de a placa africana chocar contra a placa euroasiática ―, causou inúmeras mortes em Marrocos e foi ainda sentido do norte da Europa, nomeadamente na Finlândia, até às ilhas Antígua, Martinica e Barbados.

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Rua dos Bacalhoeiros. Edifício amarelo junto à Casa dos Bicos. Na altura tinha apenas quatro andares.

26
Out18

Homenagem de Vhils a Marielle Franco

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Inaugurada em Setembro passado, a nova peça de Vhils (aka Alexandre Farto) no Miradouro Panorâmico de Monsanto é uma homenagem à activista brasileira Marielle Franco (1979-2018), assassinada em Março deste ano no Rio de Janeiro, Brasil.Marielle foi eleita vereadora em 2016. Militante do Partido Socialismo e Liberdade, foi activista pelas causas da comunidade LGBT e criticou abertamente os abusos perpetrados pela polícia contra populações carenciadas.

 "Lute como Marielle"

O mural de Vhils surgiu no âmbito do festival Iminente, e integrado no projecto "Brave Walls", da Amnistia Internacional.

21
Jul14

Arte portuguesa em Fremantle

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Se por acaso nunca se cruzou com o trabalho do artista Alexandre Farto - a.k.a. Vhils - numa qualquer parede do país visite a exposição "Dissecação", patente até 5 de Outubro no Museu da Electricidade, em Lisboa. A entrada é gratuita.

O talento de Vhils já galgou fronteiras e, desta vez, chegou aqui, a Fremantle, Austrália.

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19
Abr13

Vhils: a marca da cidade

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A original arte urbana do português Alexandre Farto (a.k.a. Vhils) já conquistou gentes de vários continentes, em cidades como Moscovo, Nova Iorque e Londres. “Scratching the surface” é o nome do projecto em que, como um escultor perante uma pedra, “arranha” e arranca bocados de paredes, revelando os rostos que nela se escondem.

R. do Cais de Alcântara, Lisboa

"Pegar na imagem de um cidadão comum, do everyday hero, e dar-lhe espaço numa cidade, criar uma metáfora sobre o quanto uma pessoa pode cravar uma cidade como a cidade a crava a ela. Esse ciclo sempre me interessou bastante, pelo caótico da cidade e a maneira como influenciamos as coisas sem estarmos conscientes disso”, partilhou Vhils, em entrevista à revista Visão.