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Arca de Darwin

"Look deep into nature, and then you will understand everything better", Albert Einstein

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Arca de Darwin

22
Jul18

A cor do flamingo

Arca de Darwin

Há 6 espécies de flamingos. A que existe em Portugal é a maior e dá pelo nome de flamingo-comum (Phoenicopterus roseus). A espécie deste post (que fotografei este mês no Jardim Zoológico de Lisboa) é a que tem a cor mais intensa e é conhecida por flamingo-rubro (Phoenicopterus ruber).

Na verdade, todos os flamingos são acinzentados. A cor, que pode variar entre o cinzento e o vermelho, passando pelo famoso cor-de-rosa, resulta de pigmentos (conhecidos por carotenóides) que existem nos seres que eles consomem, como algas e crustáceos.

A dieta dos flamingos em cativeiro pode incluir uma "ração" suplementada com um pigmento (a cantaxantina) para manter vivas as cores, já que o sol esbate o tom destes pigmentos.

Este "truque" também serve para aumentar o sucesso reprodutor dos animais em cativeiro, pois as penas coloridas são factor de atracção.

E os flamingos sabem-no. Aqui ao lado, em Doñana, cientistas descobriram que os flamingos-comuns "maquilham-se" com pigmentos segregados por uma glândula localizada junto à cauda.

09
Abr13

O que sabemos sobre a percepção das crianças face às emoções dos animais?

Arca de Darwin
Por SÍLVIA ROCHA* (texto e imagens)

*bióloga, mestre em Biologia da Conservação, actualmente no 3º ano do programa de doutoramento em Psicologia (ISCTE-IUL)

A percepção das crianças em relação às emoções pode ser definida como a habilidade da criança em expressar, regular e compreender as emoções de maneira apropriada, e também de interpretar corretamente as emoções das outras pessoas. Todo este processo é fundamental para a promoção da estabilidade emocional e para a criação de interações sociais positivas ao longo da vida. Este tema tem sido muito estudado ao longo das últimas décadas no âmbito da psicologia do desenvolvimento, havendo muita informação sobre como é que as crianças vêem e percebem as emoções das outras pessoas e sobre os factores que podem influenciar este processo. Estes factores podem ser individuais, demográficos, sociais (contexto sócio-emocional em que as crianças se desenvolvem), contextuais e ambientais. À medida que crescem, as crianças não só estabelecem relações importantes com familiares e outras crianças, mas também com animais. Pela revisão bibliográfica vemos que existe um grande volume de informação sobre o papel dos animais na nossa cultura, destacando a importância das relações entre crianças e animais, incluindo os benefícios que estas interações trazem para o desenvolvimento da criança.Sabendo isto, e realçando a influência dos animais na vida das crianças, o que é que podemos dizer sobre a percepção das crianças em relação às emoções dos animais? Será que elas olham para as emoções dos animais da mesma maneira que vêem as emoções das outras pessoas? Bem, ao contrário do que se sabe sobre a percepção das emoções dos outros, muito pouco se sabe sobre como é que as crianças percebem as emoções dos animais, e sobre quais os factores que podem influenciar este processo. Considerando a relevância dos animais na vida das crianças, é estranho que este tópico não seja mais investigado. Daqui, nasceu a ideia para o meu projeto de doutoramento, em que um dos principais objetivos é averiguar a influência dos mesmos factores descritos para a percepção das crianças em relação às emoções dos outros, na percepção relativamente às emoções dos animais. De modo a obter informações sobre as crianças e a opinião que têm acerca dos animais, uma das minhas tarefas é ir a jardins e parques zoológicos para perguntar o que é que elas pensam sobre as emoções dos animais.O inquérito realiza-se depois de elas assistirem a situações emocionais espontâneas que ocorrem no grupo de animais, mais especificamente em chimpanzés e gorilas (apresentam respostas emocionais muito semelhantes às nossas). Neste contexto obtenho informações sobre, por exemplo, a percepção (que é traduzida pelo acerto da resposta da criança em relação ao verdadeiro comportamento emocional do animal), factores demográficos, níveis de experiência/exposição a animais e contexto ambiental.E é sobre este último fator que gostaria de, em seguida, fazer uma abordagem mais detalhada. Porquê? De todos os factores incluídos na minha análise, como individuais, demográficos e sócio-emocionais, o contexto ambiental onde as crianças e os animais se encontram é, de longe, o mais interessante – isto, claro, do meu ponto de vista. Através de estudos da psicologia ambiental, sabemos que o contexto ambiental onde as pessoas se encontram pode fortemente influenciar a percepção e as respostas emocionais. Da mesma maneira, e aplicando este conhecimento à realidade dos jardins e parques zoológicos, será que a percepção das pessoas e, mais importante, a percepção das crianças em relação às emoções dos animais, pode ser afetada pelo ambiente e condições onde os animais se encontram? Este é o caso particular dos zoos e parques, em que animais vivos têm um efeito muito forte na indução de respostas emocionais e na aprendizagem dos visitantes. O estudo da percepção das pessoas neste contexto ambiental é recente na literatura, e surge em paralelo com a emergente mudança do papel dos jardins zoológicos na sociedade. Cada vez mais estas entidades são obrigadas a assumir uma posição educacional com funções de conservação, em oposição à velha imagem de coleções de animais. A nova máxima é qualidade acima de quantidade. Em consequência, verifica-se a alteração do tipo de instalações dos animais, passando de espaços pequenos feitos de cimento e com grades, para instalações com design mais naturalísticos e apropriado à biologia e comportamento da espécie. São estes os zoos modernos. A realização de estudos sobre a opinião pública, relativamente ao ambiente dos zoos e de como as pessoas percepcionam estes animais, revelou que os visitantes são mais reativos aos animais quando eles estão em ambientes naturalísticos, adquirindo mais informação e aprendendo mais sobre o comportamento e ambiente natural da espécie. Estes resultados apoiam o pressuposto de que a percepção e o conhecimento das pessoas pode ser afetado pelo ambiente em que os animais se encontram. Como a maioria destes estudos é realizada com população adulta, muito pouco se sabe sobre a influência do design de instalações na percepção das crianças, e se elas associam o estado emocional do animal ao tipo de instalações. No entanto, pela minha experiência, e como seres curiosos que as crianças são, as “casas” dos animais são sempre alvo de muitos comentários e perguntas. Estas constantes referências dizem-me que o meio circundante ao animal é de algum modo importante para as crianças, que muitas vezes comparam-nos com as suas próprias casas.Ainda com muitas horas de investigação por fazer, e também a contar com alguma sorte, talvez os dados do meu estudo possam elucidar um pouco melhor a maneira de como é que as crianças olham realmente para as emoções dos animais.Apesar da falta de conhecimento, não podemos deixar de reconhecer que a aplicação de uma abordagem mais real na aprendizagem das crianças sobre o mundo natural pode ser muito importante na construção do conhecimento factual e de atitudes, bem como no desenvolvimento de empatia pelos animais. 
11
Abr12

O novo Zoo

Arca de Darwin

O Jardim Zoológico de Lisboa está muito diferente. A mudança de estratégia começou em meados dos anos 90 do século passado. Por essa altura o Zoo não só iniciou um trabalho de melhoria das instalações e condições de vida dos animais, mas também aderiu ao Programa Europeu de Espécies Ameaçadas (EEP). Hoje todos os indivíduos de espécies ameaçadas que vivem na instituição estão de alguma forma incluídos num projecto de conservação

Objectivo? Evitar a consanguinidade e atingir um número de indivíduos suficiente para funcionar como reserva a que se possa recorrer no caso de a espécie se extinguir na natureza.

Uma dessas espécies é o saguim-imperador (Saguinus imperator). Na árvore da vida, o saguim-imperador (na foto) está no mesmo ramo que o Homem – o dos primatas –, mas seis galhos ao lado. É uma bola de pêlo com 25 centímetros (mais os 35 da cauda), pesa cerca de 500 gramas, e tem bigodes curvos, maiores do que a cara, semelhantes aos do imperador alemão Guilherme II, facto que está na origem do seu nome.

Ao actual ritmo de destruição do seu habitat e de captura para fazerem dele animal de estimação, o saguim-imperador estará brevemente em perigo, como já acontece com o seu primo saguim-bicolor (Saguinus bicolor). A boa notícia é que o pequeno primata adaptou-se muito bem ao clima luso e, desde a sua chegada em 2005, reproduz-se  quase todos os anos.

Como vive em grupos que geralmente não ultrapassam oito indivíduos, a maioria das crias terá de abandonar o zoo. Mas antes terão de assistir ao nascimento de outra ninhada, para aprenderem cuidados parentais. Isto é muito importante para as fêmeas, e também para os machos, já que ambos terão de carregar os filhotes. Porquê? “As crias nascem com cerca de 60 gramas, o que é muito peso para transportar por um só progenitor. É como se os nossos bebés nascessem com 12 kg”, explicou-me José Dias, curador do Zoo.

Apesar do nome, os EEP também contemplam espécies que não estão seriamente ameaçadas. É o caso do golfinho-comum (Tursiops truncatus), também conhecido por roaz-corvineiro, com estatuto de conservação Pouco Preocupante, e que tem papel fundamental no zoo como embaixador dos oceanos.

Entre outras iniciativas, o zoo já cedeu animais para reintroduções na natureza.

 

11
Abr12

Atracção por zoos

Arca de Darwin

Gosto de visitar jardim zoológicos. Sim, preferia que os animais não estivessem enjaulados e detesto vê-los a andar para trás e para a frente, em claro sofrimento, o que ainda acontece com algumas espécies no zoo de Lisboa.

Há várias razões para nós, humanos, gostarmos de visitar zoos. Por exemplo, os cientistas japoneses Taketo Sakagami e Mitsuaki Ohta concluiram que visitar um zoo diminui significativamente a pressão arterial e o stresse. O estudo de 2009 baseou-se numa amostra de 133 pessoas. Soube deste estudo através do artigo Por que é que gostamos de zoos (vale a pena ler), da poeta, ensaísta e naturalista Diane Ackerman, publicado em Fevereiro no The New York Times. Ackerman é autora de The Zookeeper’s Wife, livro onde conta a história real de um casal de tratadores do zoo de Varsóvia, Polónia, que salvou centenas de judeus durante a Segunda Guerra Mundial escondendo-os nas jaulas. Outra razão, apontada por Ackerman, é “derramar parte do fardo de sermos humanos”.

Um outro estudo, realizado nos Estados Unidos (2007), avaliou o impacto do papel dos zoos e grandes aquários na promoção da conservação junto dos visitantes. Eis alguns resultados:

  •      Os visitantes reconsideram o papel que podem desempenhar em questões ambientais e referentes à conservação, e passam a ver-se como parte da solução;
  •     Os visitantes acreditam que os zoos e aquários desempenham papel importante na conservação;
  •    Os visitantes sentem-se mais ligados à natureza;
  •    Os visitantes adquirem mais conhecimentos sobre conceitos ecológicos do que o que estavam à espera.
Então, qual é o papel dos zoos na conservação? Veja o post seguinte.